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Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

março 2026
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:: ‘preço recorde’

Cacau por chegar a 12 mil dólares

Pela primeira vez na história, o contrato de cacau com vencimento em maio terminou o pregão cotado US$ 9.649 a tonelada, com alta diária de 7,94%, na bolsa de Nova York. Agora, analistas que antes enxergavam nos US$ 10 mil o pico de preços começam a vislumbrar valor ainda maior, diz Ale Delara, sócio da Pine Agronegócios.

“A colheita da safra principal na Costa do Marfim será a menor dos últimos 23 anos. A escassez de produto já leva analistas a enxergarem uma alta que pode levar o cacau a atingir os US$ 12 mil a tonelada em Nova York”, afirma.

Cacau bate recorde de preço (e isso não é motivo para euforia)

Cleber Isaac Filho

 

Essa coluna será a primeira a explicar  com realismo o que está acontecendo com o mercado de cacau e sua histórica alta de preços.

 

E vou explicar porque o Brasil não tem muito a celebrar.

 

Primeiro os fatos :

 

1.  70% do cacau do mundo é produzido por dois países : Gana e Costa do Marfim;

 

2. Cerca de 80% do cacau do mundo é comprado por 4 empresas;

 

3. Desde os anos 90 existem denúncias sobre as péssimas condições dos produtores da África; que recebem valores ínfimos por seu produto.

 

Pesquise no Google: cacau; África; escravidão e vai entender a gravidade do item 3.

 

Após décadas recebendo o valor mínimo para a sobrevivência, os agricultores da África não tiveram condições de fazer o básico para sustentabilidade da lavoura :

 

– Renovar as plantações

– Prevenção de pragas

– Irrigação

 

Esse cenário resultou na quebra da safra 2024;  causada pelo tripé :

 

Pragas + seca + baixa produtividade das plantações antigas

 

Quebra de safra causa escassez de produtos; e com isso alta de preços.

 

– A alta de preços não tem a ver com melhor qualidade de nosso Cacau (embora ele seja superior);

 

–  A alta  não é sustentável no médio prazo; em 3 anos a África se recupera;

 

– Os preços não aumentaram devido ao aumento de demanda do consumo de chocolate;

 

–  Sequer veio de um acordo com a indústria.

 

Conclusão :  não é sustentável ; porque a alta de preços vem da opressão de multinacionais aos agricultores.

 

Na Bahia; o produtor que preserva florestas e combate a “Vassoura de Bruxa” ; é oprimido há anos por esse mesmo cartel.

 

O cacau da África é importado sem imposto e com isso o preço fica baixo.

 

A prova é que Deputados Federais criaram no congresso a “Frente Parlamentar de Revitalização da Lavoura Cacaueira” e  vem a  anos denunciando esse modelo que não motiva investimentos na lavoura.

 

Em função desse preço baixo, a Bahia hoje produz 30% do que  produzia em 1990.

 

Não existe motivo para euforia;  o foco deve ser em um novo arranjo da cadeia produtiva com :

 

– Crédito para pequenos/médios produtores

– Tributar a importação

– Assessoria técnica

 

Isso é o básico para começarmos a celebrar.





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