:: ‘Mestre Lainha’
Entre rimas e histórias: Oficina de Literatura de Cordel encanta crianças em Ilhéus

A Casa da Cultura Popular de Ilhéus realizou uma oficina de Literatura de Cordel voltada para os alunos da Educação Infantil das 10 turmas do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental da Escola Innova, no bairro Teotônio Vilela. A atividade aconteceu das 10h às 11h30 e integrou as ações do projeto “Cultura Viva em Movimento: Formação, Tradição e Oportunidade na Casa da Cultura Popular”, que busca promover a formação cultural da juventude e fortalecer os vínculos entre educação e tradição.

A oficina foi conduzida por Janete Lainha, fundadora da Casa da Cultura Popular e uma das principais referências na preservação e difusão da cultura popular no sul da Bahia. Conhecida como “Mestra Lainha, a Colecionadora de Palavras”, é psicopedagoga com especialização em Cultura Afro-Brasileira e Cultura Popular, além de detentora do título de Doutora Honoris Causa por sua relevante contribuição à cultura nacional. Com mais de mil obras publicadas na literatura de cordel — muitas delas premiadas —, Mestra Lainha também se destaca na xilogravura, na confecção de estandartes, no teatro e em diversas outras linguagens artísticas.
Seu trabalho articula palavra, imagem e ancestralidade, mantendo vivas as tradições dos griôs e fortalecendo a literatura afrocêntrica, com ênfase em temas como protagonismo negro, mulheres, terreiros e a luta por justiça social. Para José Guilherme Santos, presidente da instituição e idealizador do projeto, o cordel é uma ferramenta potente no processo de aprendizagem infantil. “O cordel dialoga diretamente com o universo das crianças, estimulando a imaginação, a escuta e a criatividade.
Intercâmbio cultural fortalece literatura de cordel entre Brasil e França

Ilhéus está recebendo a visita de Sophie Foray, produtora e pesquisadora das produções de literatura de cordel vinda da França, que fica no Brasil até domingo, para um intercâmbio cultural com a Casa da Cultura Popular (CASAR) de Ilhéus, dedicado ao fortalecimento das tradições populares nordestinas. Durante sua estadia, ela conhecerá de perto os trabalhos afrocentrados desenvolvidos pela Mestra Janete Lainha de Ilhéus, referência na preservação e difusão da cultura do cordel.

Sophie Foray
O encontro simboliza a união entre continentes por meio da palavra rimada, da oralidade e da memória popular. Mais do que uma visita, trata-se de uma troca de saberes, experiências e perspectivas sobre a importância do cordel como patrimônio cultural vivo.

Mestre Lainha
A iniciativa reafirma que a literatura de cordel ultrapassa fronteiras, conecta povos e mantém viva a identidade cultural brasileira no cenário internacional. Sophie Foray já esteve antes no Recife (PE) e em Salvador (BA) e levará até Dakar na França as vozes dos cordelistas para 12 países do Sul Global, tecendo um diálogo vivo exaltando a poesia oral de resistência dos cordéis afrocentrados da Mestra Lainha.
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