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Gonçalo Pereira: “tecnologia e manejo reduzem impactos da vassoura-de-bruxa”

Liderando uma equipe de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas,a Unicamp, o cientista Gonçalo Pereira foi o responsável pelo sequenciamento genético da vassoura-de-bruxa, doença que no início da década de 90 do século passado quase dizimou a lavoura cacaueira no Sul da Bahia.
A descoberta permitiu a adoção de produtos e práticas de manejo que permitem uma convivência com a doença e a retomada da lavoura, com o cultivo de plantas resistentes e o aumento da produtividade.

Atualmente dividindo seu tempo entre a Unicamp e o Projeto Genoma da Módulo Rural, Gonçalo Pereira conversou com o editor do site & Chocolate, Daniel Thame, durante o Simpósio Inovações e Manejo da Cacauicultura.
Veja a entrevista em
Identificada molécula capaz de combater a vassoura-de-bruxa
Da Agência Fapesp
Em artigo publicado na revista Pest Management Science, pesquisadores brasileiros descreveram o desenvolvimento de uma molécula capaz de inibir o avanço da vassoura-de-bruxa – principal praga da produção cacaueira no Brasil. A pesquisa foi realizada durante o doutorado de Mario Ramos de Oliveira Barsottini, com apoio da Fapesp e orientação do professor Gonçalo Pereira, do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp).
Participaram da investigação cientistas do Instituto de Química (IQ) da Unicamp, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena-USP), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) e da Universidade de Warwick, do Reino Unido.
Causada pelo fungo Moniliophthora perniciosa, a vassoura-de-bruxa tem esse nome porque deixa os ramos do cacaueiro secos como uma vassoura velha. As áreas afetadas não conseguem realizar fotossíntese e, para piorar, liberam substâncias tóxicas que diminuem a produção de frutos. Os poucos frutos produzidos se tornam inviáveis para a fabricação de chocolate. A doença vem causando prejuízos aos produtores de cacau no Brasil desde 1989.
“Os fungicidas mais usados atacam geralmente a respiração ou a estabilidade da membrana celular do fungo. Os do primeiro grupo não funcionam contra a vassoura-de-bruxa. Já os que atacam a membrana celular funcionam em laboratório, mas não no campo, de acordo com os produtores”, disse Barsottini, primeiro autor do artigo. O alvo das novas moléculas estudadas pelo grupo de Pereira é a enzima oxidase alternativa (AOX). Os pesquisadores descreveram seu papel na sobrevivência do fungo em artigo publicado na revista New Phytologist em 2012.
Pesquisa da Unicamp sobre vassoura-de-bruxa é destaque na revista The Plant Cell

(por Isabel Gardenal, do Portal Unicamp)-A “vassoura-de-bruxa”, doença que ainda hoje causa graves danos à plantação de cacau no Brasil, consumindo até 50% da safra, está bem próxima de ter sua ação totalmente desvendada. Cientistas do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, envolvidos no programa nacional Genoma Vassoura-de-Bruxa, liderado pelo professor Gonçalo Amarante Guimarães Pereira, caminham na direção de decifrar totalmente a interação entre o cacau e o fungo em nível molecular. Usando a metodologia de sequenciamento de RNA-seq, o grupo conseguiu chegar a uma espécie de mapa rodoviário da doença e entender exatamente as suas vias de acesso para atingir o cacau.
Com base nesse mapa da doença e com o uso de ferramentas de última geração, está sendo possível compreender exatamente em que ponto atacar a vassoura-de-bruxa com moléculas fungicidas para que a doença seja destruída. O próximo passo será conseguir outro financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para desenvolver uma nova droga agrodefensiva, que já tem inclusive um protótipo. “Graças à técnica de RNA-seq, foi reconstruído o campo de batalha entre o cacau e o fungo com um nível de detalhe sem precedentes, fornecendo uma leitura dos genes afetados na planta e do fungo”, afirma Gonçalo.
Como ápice desse trabalho de 14 anos, acaba de sair um paper no periódico The Plant Cell, de alto impacto na área de Fisiologia de Planta, com o título em inglês “High-resolution transcript profiling of the atypical biotrophic interaction between Theobroma cacao and the fungal pathogen Moniliophthora perniciosa”. O texto, que passou por uma longa submissão, exigindo ajustes e mais pesquisas, mereceu destaque em um editorial da revista. Assinam o trabalho os pós-doutorandos do IB Paulo José Teixeira, autor principal, e Daniela Toledo Thomazella, orientados pelo professor Gonçalo Amarante Guimarães Pereira, líder do programa Genoma Vassoura-de-Bruxa e do Laboratório de Genômica e Expressão da Universidade.
CIENTISTAS DESCOBREM MECANISMO DE DOMINAÇÃO DA VASSOURA-DE-BRUXA
A descoberta do mecanismo de dominação do fungo Moniliophthora perniciosa – vassoura-de-bruxa – que ataca o cacaueiro e resiste a todos os agroquímicos já testados no campo foi anunciada por pesquisadores do Laboratório de Genômica e Expressão, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Depois d´O Globo, uma reportagem sobre o feito foi publicada hoje, 24, pelo jornal inglês Financial Times.
Os jornais dizem que nos últimos 12 anos cerca de 100 pesquisadores se debruçaram sobre as razões de o cacaueiro não conseguir combater o parasita. Também que a equipe recebeu esta semana o primeiro lote de moléculas modificadas para atuarem como medicamento.
O estudo da Unicamp foi publicado na última edição da revista New Phytologist e pode ser o pontapé inicial para o desenvolvimento de drogas que combateriam outros fungos tropicais, como aqueles que provocam a ferrugem da soja e do café.
Os cientistas usaram dois princípios ativos, a azoxistrobina e o ácido salicil-hidroxâmico, para inibir as estratégias da vassoura-de-bruxa. Em laboratório, eles conseguiram cessar completamente o crescimento do fungo. Os resultados precisam ainda ser testados ao ar livre, diz o jornal carioca.
O coordenador da pesquisa da Unicamp, Gonçalo Pereira (foto), afirmou ao Globo que a descoberta combaterá uma tragédia econômica, social e ambiental. “O cacau é uma das únicas culturas agrícolas que atua em conjunto à floresta, sem necessidade de derrubá-la. Seu desenvolvimento ocorre sob remanescentes da Mata Atlântica”.
O esporo da vassoura-de-bruxa pode permanecer por muito tempo dentro da planta sem contaminá-la. Mudanças nutricionais, entre outros fatores ainda não muito conhecidos, podem “disparar” a doença. (do Pimenta)
Pesquisa identifica ponto vulnerável da vassoura-de-bruxa
Se depender de uma equipe de cientistas da Unicamp, encabeçado pelo pesquisador Gonçalo Pereira, a bruxa não estará mais solta nos cacaueiros da Bahia. Ou melhor, a vassoura-de-bruxa -fungo que é a principal pedra no sapato da produção de cacau no país.
Em artigo científico recém-publicado, os pesquisadores elucidaram o que parece ser um mecanismo-chave do metabolismo da vassoura-de-bruxa e mostraram que, se ele for desligado, o parasita deixa de crescer no cacaueiro.
Os resultados, por enquanto, foram conseguidos em laboratório, mas a equipe coordenada por Gonçalo Pereira tem como objetivo transformar a descoberta num fungicida que possa ser aplicado nas plantações do país. (da Folha de São Paulo)
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PESQUISADOR DEFENDE QUE ESTRUTURA DA CEPLAC SEJA UTILIZADA PELA UFESBA
O pesquisados da Unicamp e produtor de cacau e de chocolate no Sul da Bahia, Gonçalo Guimarães Pereira é um dos defensores de que parte da estrutura da sede regional da Ceplac, na rodovia Ilhéus-Itabuna, seja utilizada pela futura Universidade Federal do Sul da Bahia, que terá campus e reitoria em Itabuna e campiem Porto Segurode Teixeira de Freitas.
De acordo com Gonçalo, “existe um precedente importante. O Planalsucar foi extinto na época do Collor, similarmente ao que aconteceu à CEPLAC. Entretanto a CEPLAC, por pressão política, foi mantida como uma organização exótica dentro do Ministério da Agricultura”. “Os servidores Planalsucar, em um primeiro momento, ficou no vácuo. Foram quase dois anos de indefinição e angustias para os colegas pesquisadores, os quais foram e são os responsáveis pela maior parte das variedades de cana existentes no país”.
Ele explica que “o Governo Federal adotou a sábia decisão de converter os pesquisadores em professores de Universidades Federais que assumiriam a extraordinária estrutura física e acervo do Planalsucar. Hoje unidades de excelência, como a Universidade Federal de São Carlos, e todos os campi se favoreceram de forma dessa relação”. Além disso, diz, os pesquisadores das diferentes unidades se uniram em uma rede de pesquisa, denominada Ridesa, que continuam o melhoramento integrado da cana de açúcar e a quem o país hoje deve muito da sua energia renovável.
“Espero sinceramente que a proposta se concretizee que possamos ver a CEPLAC ressurgindo como base de apoio para a Universidade Federal do Sul da Bahia, com um forte cunho tecnológico e biotecnológico”, afirmou Gonçalo Pereira.
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