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O fator Marina
A chamada “Onda Verde” acabou mesmo se confirmando na reta final do 1º. turno, elevou Marina Silva à condição de protagonista e jogou a eleição presidencial para uma nova rodada.
Alvejada pelo caso Erenice Guerra quando a vitória parecia liquida e certa, Dilma Roussef perdeu uma fatia do eleitorado suscetível a denuncias de corrupção, mesmo que nada ficasse provado contra ela. Aí, entrou uma considerável parcela da mídia, que tratou de associar Dilma aos supostos esquemas na Casa Civil, com a sutileza de um elefante numa loja de cristais.
Um eleitorado que não migrou para José Serra e sim para Marina Silva, que até então mais parecia candidata a uma vaga de apresentadora de programa de ecologia na televisão. Seu espaço no horário eleitoral gratuito mais parecia uma versão do National Geographic.
Mas, eis que o desencanto com Dilma fez com que Marina catalisasse os votos que a petista perdia, sinalizando um até então improvável 2º. turno.
O improvável se tornou possível e depois se tornou realidade, porque instalado o ´efeito Marina´, ele ganhou proporções insuficientes para ultrapassar Serra, mas suficientes para frear Dilma.
E eis que, com seus quase 20 milhões de votos, Marina Silva se torna a estrela principal desse início de campanha no 2º. turno, disputando os holofotes com Dilma Roussef e Marina Silva.
A pergunta é: quem Marina Silva vai apoiar?
E mais: para quem irão os seus votos, capazes de decidir a eleição?
Em tese, por ser mulher e oriunda do PT de Lula, Marina deveria declarar apoio à Dilma. Além disso, historicamente o PV tem mais afinidades com o PT do que com o PSDB. Ponto para Dilma.
Na prática, Marina saiu do PT magoada e o PV já vem flertando com os tucanos. Ponto para Serra.
E de mais a mais, a conta não é tão simples assim, tipo Marina apóia Dilma, 20 milhões de votos para Dilma; Marina apóia Serra, 20 milhões de votos para Serra.
A conta certa, apesar do inquestionável peso eleitoral adquirido pela frágil Marina Silva, não é necessariamente quem Marina vai apoiar, mas a quem seus votos serão destinados.
São eles, os anônimos 20 milhões quem irão decidir a eleição presidencial.
Nesse momento, revestidos da imagem de Marina, eles são o objeto de desejo de Dilma e de Serra.
O destino que eles tomarem será o destino da eleição presidencial de 2010.
1+1=3

Como este blogueiro não anda bebendo além da conta (pelo contrário, pelo meu padrão ando bebendo abaixo da conta) parece que a mídia quer promover um inacreditável segundo turno com três candidatos.
Minha meia dúzia de quatro ou cinco leitores já deve ter notado que estão falando mais em Marina Silva do que em Dilma Roussef e José Serra, que ao que consta, disputam o segundo turno.
E agora que Marina disse que vai levar 15 dias pra definir com quem fica (e para ficar mais 15 dias sob os holofotes) poderemos ter uma eleição em que o derrotado aparece mais do que os potenciais vencedores.
A vitória do diálogo
4.101.270 milhões de votos, 63,83% dos votos válidos, dois senadores eleitos e uma bancada expressiva de deputados federais e estaduais.
Os números retumbantes chamam a atenção.
Mas não é isso que necessariamente reflete a reeleição de Jaques Wagner para o Governo da Bahia.
A reeleição de Wagner é fruto, acima de tudo, de um estilo que na maioria das vezes passa despercebido, porque não é uma grande obra nem um eficiente programa de inclusão social, ainda que essas ações tenham sido marcas deste seu primeiro mandato.
Um estilo de governo que atende pelo nome de diálogo e que também pode atender pelos nomes de respeito, parceria, espírito republicano, capacidade de articulação.
Para o cidadão comum, aquele que deu essa votação espetacular a Wagner, essas coisas podem parecer subjetivas.
Mas não são.
Wagner começou a sedimentar sua reeleição justamente por imprimir em seu governo essa mudança de paradigma, substituindo o velho estilo “o que não se compra com o dinheiro, se subjuga pela força do chicote”, por um governo transparente, que tratou políticos de todos os matizes com o mesmo respeito.
Foram embora os tempos de que aliado era sinônimo de submissão e que adversário político era o equivalente a inimigo.
E aí, nessa relação em que o governador deixou de ser o imperador para ser o parceiro de prefeitos, deputados e outras lideranças política, Wagner semeou a base de apoio que, na eleição, transformou-se numa frente suprapartidária.
Até mesmo prefeitos de partidos de oposição, como o DEM, se diziam constrangidos em negar apoio a um governador, que como eles mesmos diziam, os recebia com presteza.
Um governador que, neste seu primeiro mandato, esteve na quase totalidade dos municípios baianos e em todos eles plantou uma obra ou um programa de inclusão social, fosse o prefeito do PT, do DEM, do PMDB, do PP ou do PR.
O contraponto com o estilo dominador de antes foi inevitável.
Claro que isso nada teria adiantado se Wagner não estivesse fazendo um bom governo, mas é inegável que essa capacidade de dialogar e conviver com os opostos foi fundamental para que ele se apresentasse como aquilo que efetivamente é: um administrador que governa para todos.
Não são poucos os desafios que se apresentam nestes próximos quatro anos de mandato.
Mas o homem que mudou o jeito de governar a Bahia e que está mudando a Bahia tem condições de superá-lo.
Não apenas com o diálogo, mas com muito, muito trabalho.
Deu sono, mas é bom votar acordado

O debate entre os candidatos a presidente da república, transmitido na noite de quinta-feira pela Rede Globo, era apontado como decisivo, diante da indefinição do quadro eleitoral, em que a vitória de Dilma no 1º. turno é uma incógnita.
Em sendo assim, era de se esperar que José Serra, o único em condições reais de ir ao 2º. turno, confrontasse Dilma, trazendo à ribalta temas como Erenice Guerra e a quebra de sigilo fiscal de alguns tucanos, que poderia causar algum tipo de embaraço da petista.
Ou que fosse mais incisivo em suas propostas, mesmo aquelas meramente eleitoreiras, como o salário mínimo de 600 reais ou o pagamento do 13º. salário para os beneficiários do Bolsa-Família.
Era o típico debate, faltando dois dias para as eleições, em que Serra teria, utilizando um jargão do boxe, que colocar Dilma nas cordas e se possível levá-la ao nocaute.
Não aconteceu nada.
Serra, com todo o seu preparo, com o know how adquirido nas inúmeras eleições e nos incontáveis debates de que participou, parecia completamente alheio à importância daquele momento, da chance de falar para uma platéia na casa dos milhões de telespectadores/eleitores.
Que Dilma evitasse, abertamente, um confronto com ele, tudo bem. E isso Dilma fez com maestria.
Mas Serra evitar o confronto com Dilma, como ele claramente evitou, beira o inacreditável.
Em alguns momentos do debate (insosso, sonolento e amarrado pelas regras da Rede Globo) parecia que Serra estava ali cumprindo uma obrigação de campanha, rezando para que tudo aquilo acabasse rápido.
Televisão é imagem e no debate que se prenunciava decisivo, Serra foi a imagem de um homem cansado, à espera de que a sorte (que nesse caso atende pelo nome de Marina Silva) lhe jogue no colo um 2º. turno.
Marina, que por sinal, foi a Marina de sempre. A mulher frágil e boazinha, de discurso messiânico e que tem solução para todos os males do mundo. A conciliadora, pregando um 2º. turno, que se houver, não será entre ela e Dilma, mas entre Dilma e Serra.
Cumpriu, bem, o seu papel de opção para quem não quer a petista e o tucano, mas sem o brilho de quem poderia entrar pra valer no jogo nessa reta final.
E. finalmente, Plínio de Arruda Sampaio, que em todos os debates foi um misto de franco atirador e humorista involuntário, dessa vez parece ter se assustado com o tamanho da audiência global. Esteve mais para o bom velhinho do que para metralhadora giratória.
Enfim, todos se comportaram com extrema educação, extremo respeito mútuo, ninguém ganhou, ninguém perdeu.
Se o debate deu sono, como efetivamente deu, domingo é dia de ficar bem acordado.
E votar certo, nos candidatos que você entende serem os melhores para a sua cidade, o seu estado e o seu país.
Viva a democracia!
Você decide
Trata-se de um momento único, especial, decisivo, determinante.
Um momento que pode mudar sua vida e a vida de milhões de pessoas para melhor ou para pior.
Um momento que é ao mesmo tempo solitário e coletivo.
Ali, sozinho, você está decidindo por você e ao mesmo tempo por uma coletividade.
E está chegando esse momento.
Dentro de algumas horas, porque esses dois dias podem ser contados em horas, diante da urna, você estará decidindo o futuro de sua cidade, de seu estado, de seu país.
Após meses de bombardeio de mensagens, de candidatos se apresentando como defensores do povo, salvadores da pátria e mesmo projetos consistentes, é chegado o momento em que cabe a você -e apenas a você- filtrar essas informações.
E optar por aqueles candidatos que, no seu entender, reúnem melhores condições de atender aos anseios de sua comunidade, que efetivamente irão trabalhar e não simplesmente virar as costas, para retornarem na próxima eleição.
Porque, nesse período, o que não falta é gente com projetos mirabolantes, sorriso sedutor ou mesmo propostas mal disfarçadas para que você transforme seu voto, de arma da democracia, em reles mercadoria. É rima, jamais é solução.
Daí que, nesses instantes decisivos, é preciso refletir sobre aquele ato do próximo domingo, que dura menos do que um minuto, mas valerá pelos próximos quatro anos.
Por mais que a política muitas vezes pareça uma atividade não recomendável para pessoas sérias, existe sim muita gente decente, que faz da política um instrumento de melhoria da vida das pessoas.
Na verdade, é até maioria, que acaba sendo ofuscada pela rapinagem que parece generalizada.
E são essas pessoas, independente do partido a que pertençam, que merecem serem eleitas, porque quando se entende que o melhor é o pior, o melhor acaba sendo o pior mesmo.
Não vai aqui se falar em nomes, posto que a escolha é livre e democrática, mas de compromisso.
E compromisso é que uma coisa que se assume com a gente mesmo, para depois assumir com os outros.
Talvez seja essa a palavra certa: na sagrada hora do voto, naquele momento em que ninguém manda em você nem na sua consciência, faça a escolha que você julgar certa.
Pode ser e certamente será a escolha de sua vida.
Não desperdice essa oportunidade.
O tucano surfa na onda verde

Apostando cada vez mais na possibilidade de um segundo turno na eleição presidencial, a mídia mudou o foco: mantém a artilharia contra Dilma Roussef, mas vez mais espaço e incensa de forma nada sutil a candidata do Partido Verde, Marina Silva.
A aposta da mídia era de que com a pancadaria, Dilma cairia, como vem caindo, e os seus votos iriam para José Serra, levando o pleito ao 2º. turno.
Atiraram, literalmente, no que viram e acertaram no que não viram.
Serra estancou ou cresce dentro da chamada margem de erro nas pesquisas. Votos que antes eclosão do caso Erenice Guerra e de seu superdimensionamento pela mídia estavam destinados a Dilma migraram, quase em sua totalidade, para Marina Silva, até então mera coadjuvante no processo eleitoral.
Como Serra não sai do lugar, a esperança de levar a eleição para um imponderável 2º. turno atende pelo nome de Marina Silva, ainda que não seja ela e sim o tucano a ir para um eventual embate com a petista.
A tal “onda verde”, tábua de salvação da mídia engajada de corpo e alma na campanha demo-tucana vai servir justamente para que José Serra possa chegar ao 2º. turno, porque a menos que aconteça uma hecatombe faltando três dias para a eleição, Marina tem remotíssimas chances de terminar em segundo.
A soma do caso Erenice Guerra com a opção por Marina do eleitorado que se desencantou com Dilma gerou a situação inusitada em que o maior beneficiado é justamente aquele que, até quinze dias atrás, tinha a eleição praticamente perdida.
Marina Silva, obviamente, nada tem a ver com isso.
Entrou na eleição para marcar posição, com um discurso quase que exclusivamente ambientalista e agora pode não apenas levar a eleição para o 2º. turno como ser uma espécie de “fiel da balança”, a depender para que lado vai pender.
O fato é que, neste momento, Serra nem mais se preocupa em aumentar suas intenções de voto.
Basta que Dilma perca mais alguns pontos e Marina suba de forma tímida.
É, apenas como expressão bem humorada e sem conotação machista, a tal briga entre mulher e mulher em que o homem nem precisa meter a colher.
Nesse quadro, o debate desta quinta-feira, transmitido pela Rede Globo, torna-se uma decisão de Campeonato Brasileiro para Dilma, um palco especial para Marina um camarote privilegiado para Serra, que pode ganhar de presente um passaporte para o 2º. turno.
Nessa onda verde, o surfista pode ser um tucano.
Em tempo: como o DataFolha parece ter feito uma “correção de rumo” em sua ultima pesquisa, as chances do 2º. turno diminuíram. Mas, é de bom alvitre ficam alerta às manchetes nesse pouco tempo que resta para o pleito de domingo.
A DOR SILENCIOSA
O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente em Itabuna vai coordenar, em parceria com a Prefeitura de Itabuna, Vara da Infância e Juventude e outras instituições, visando combater um problema que afeta crianças e adolescentes de todas as classes sociais: a violência sexual.
Trata-se de um crime cuja intensidade nem sempre é possível mensurar, já que na maioria dos casos as vítimas não têm coragem de denunciar e muitas vezes a própria família faz vista grossa aos abusos.
Os dados estatísticos disponíveis apontam que em muitos casos, a violência sexual contra crianças e adolescentes acontecem dentro dos próprios lares e tem como autores pais, padrastos e outros parentes. Há situações que beiram a barbárie, com crianças de dois, três anos sendo abusadas dentro de casa.
O medo e a vergonha fazem com que os abusos sejam ocultados da polícia. Não é raro que esposas denunciem seus companheiros quando descobrem os abusos e logo depois retirem a queixa, impedindo que se faça justiça.
Além da violência sexual doméstica, existe ainda outra questão que é a da prostituição infanto-juvenil, em que por necessidade ou por pressão, crianças e jovens sejam empurradas para o mercado do sexo pago.
Uma passada por bares durante as madrugadas ou em pontos às margens do trecho da rodovia BR 101 que corta Itabuna é suficiente para observar meninas de 12, 13 anos se prostituindo.
As ações do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente se baseiam em eixos como Análise da Situação, Mobilização e Articulação, Defesa e Responsabilidade, Atendimento e Proteção e Protagonismo Juvenil.
No campo das boas intenções, maravilha.
A questão, e é isso o que esperamos ver acontecer, é passar da teoria à prática, transformando em ação a boa intenção e contribuindo para combater a violência sexual contra crianças e adolescentes.
Um processo que, diga-se, deve envolver toda a sociedade organizada.
Essa é uma dor silenciosa, uma ferida que mesmo ao cicatrizar deixa marcas para a vida toda.


















