Gerson Marques

gerson marquesPosta então a nova realidade e constatado o cenário de inovações que a introdução da chocolataria vem trazer, nos cabe agora a construção  das estratégias de desenvolvimento e consolidação do novo modelo de negócio do velho e bom cacau.

A principal característica deste novo momento será a diversidade de oportunidades de negócios, existem agora inúmeras formas de agregar valor ao cacau, sempre é bom lembrar que o mercado tradicional de comódite ainda será a principal parte do negocio por um bom tempo, a transição para o novo não significa o abandono do velho, mesmo neste segmento, no entanto, a inovação já se impõe, a grande indústria de moagem acusada de práticas sociais injustas em suas atividades na África,  começa a ver no Brasil o futuro de seus negócios, a introdução de mecanismos de certificação de qualidade e novas tecnologias de produção já são testadas em várias fazendas da região.

É neste cenário que está surgindo a adoção da indicação geográfica “IG Cacau Sul Bahia” a partir de uma articulação iniciada há seis anos envolvendo uma dúzia de entidades de produtores de cacau, muitas delas da agricultura familiar, agregadas na Associação Cacau Sul Bahia, que agora chegou a reta final no INPI – Instituto Nacional de  Propriedade Industrial, se confirmada as expectativas, até o fim deste ano o cacau do Sul da Bahia será o segundo produto do estado a ter este selo, depois da Cachaça de Abaíra.

cacau frutoEm outra frente assistimos um incipiente mercado de cacau “of road” não comódite, que vem crescendo de forma significativa, o chamado Mercado de Cacau Fino, em que o produtor consegue bonificações de até trezentos por cento sobre o preço de seus produtos, neste mercado os concursos da Icco, Prêmio Internacional de Cacau (ICA) e Prêmio Cacau de Excelência (CoE), são uma excelente referência, produtores premiados como João Tavares, Pedro Magalhães, M Líbano e Vale da Juliana já estão bem posicionados neste mercado, que no entanto, é dominado por países de pequenas más tradicionais produções, como Equador, Colômbia, Guatemala e outros  inclusive da Ásia,

A desorganização institucional do setor cacaueiro n Brasil, no entanto, não permite uma dimensão real do tamanho deste seguimento, ainda não é passível seu real tamanho em relação ao total da cadeia, apesar de sua importância e crescimento evidentes nos últimos anos.

Ainda antes de chegar no chocolate, outra inovação observada está no negócio do nibs de cacau, que simplesmente não existia há alguns anos e que hoje já se impõe como um produto de prestígio e valor, consumido por um público havido por saúde e alimentos funcionais, tenho acompanhado diversos negócios de nibs, alguns já na casa da centenas de quilos por valores bastante significativos.

Ainda dentro da cadeia, outro seguimento que começa a esquentar são os de derivados de cacau, que não chocolates, pessoas inovadoras e muito criativas tem feitos produtos de excelente qualidade e bela apresentação, amêndoas caramelizadas, rapadura de cacau, geleias e nibs com açúcar, sal e ervas finas, já são produtos consolidados em embalagens elaboradas com boa recepção no mercado.

Por fim temos o chocolate, este produto universal, amado e desejado em todo planeta, conhecido como alimento dos deuses e reconhecidamente saudável, historicamente  importante para a humanidade.

(na terceira parte deste artigo, avançaremos sobre os chocolates…)

Gerson Marques é produtor de Cacau e Chocolate, proprietário da Fazenda Yrerê, onde trabalha com turismo rural, e atual presidente da Associação dos Produtores de Chocolate do Sul da Bahia.