Artilheiro do Itabuna, Guga brilhou no Santos e hoje é dono de escuna no Rio de Janeiro
Revelado pelo Itabuna, no Campeonato Baiano de 1987, depois de uma temporada obscura na Venezuela, Guga desandou a fazer gols e ainda no primeiro turno foi vendido para o Atlètico Mineiro, onde se destacou como grande artilheiro. Mas foi no Santos que o centroavante deixou sua marca, tendo como principal vítima o Corinthians.
Em três temporadas no Santos, foram 74 gols, o que vale o posto de 29º maior artilheiro da história do time e sexto após a era Pelé. Maior goleador do Brasileiro de 1993, fez mais de dez tentos em clássicos contra o Corinthians, tanto que ganhou o apelido de “o matador de Gambás”.
Hoje aos 49 anos, Alexandre da Silva, o Guga, vive como guia turístico e dono de uma escuna para passeios no balneário de Ilha Grande (RJ). “Hoje quero trabalhar assim, num lugar bonito, sem trânsito e engarrafamento e vendo mar. Ainda como de graça nos restaurantes. Não preciso de mais nada. Não quero ser rico, só viver a vida”, falou o ex-jogador ao UOL Esporte.
Mas a ida para o trabalho dos sonhos demorou e só foi definida depois de alguns sustos levados no primeiro trabalho onde o ex-artilheiro do Santos tentou se aventurar após encerrar a carreira, em 2001. Ele foi para o Rio de Janeiro e abriu duas lotéricas. Mas só teve dor de cabeça.
Guga sofria com a pressão de um local que, dentro da sua rotina, era comum ter de lidar com dinheiro. Sofreu assaltos. Um, inclusive, a mão armada, em que teve que correr e foi encontrado pelos bandidos após quase ser acertado por um tiro. Teve até síndrome do pânico durante um tempo.
“Um dia a Mega-Sena estava acumulada em quase R$ 100 milhões e tinha um movimento grande na lotérica. Estávamos sem carro forte na lotérica. Quando saí os caras estavam me esperando e vieram me assaltar. Saí correndo e deram até um tiro, que não pegou. Depois chegaram em mim de carro e me pegaram. Tomaram minha bolsa”, lembra Guga.
“Aquilo me deixou nervoso, tive síndrome do pânico e pedia ajuda pra polícia nas idas e vindas pra trabalhar. Aí falei pra minha mulher ´vamos montar outro negócio´. Não dava mais”, continuou.
Foi então que resolveu apostar no negócio em Ilha Grande, onde já tinha uma casa. Conversou com amigos que já trabalhavam na área e comprou em 2005 uma escuna, chamada “Pavarotti”, nome que é mantido até hoje.
“Comprei de um cara que tinha três, e cada uma delas tinha o nome de um dos três tenores musicais. Decidi deixar esse nome mesmo porque é muito fácil de a pessoa memorizar e guardar; todo mundo se lembra do Pavarotti. É um nome que não sai da cabeça”, falou. Pavarotti foi equipada com fotos de Guga ao longo da carreira. “Tem com Pelé, Zico, Romário, time do Santos, tem todo mundo”, conta.
O ex-jogador virou um faz tudo da embarcação. Só não dirige o barco e delega a função para alguns especialistas que contratou. Enquanto isso, regula o som da embarcação, faz a de barman e explica cada ponto que a escuna passa para os turistas. É um guia completo.
“Eu sou como um guia da escuna. Pago uma pessoa pra ficar como mestre da escuna enquanto eu administro o passeio, falo dos locais, sirvo bebida…sou mais um guia e pessoa livre dentro do barco pra poder atender bem os clientes. Também bato papo e conto um pouco sobre algumas histórias dos tempos de jogador.”
Guga diz que em épocas de temporada chega a lucrar cerca de R$ 15 mil por mês com os passeios, que começam por volta das 10h da manhã e vão até às 17h. “Dá pra se ganhar bem. É um trabalho com lazer junto. Me divirto falando com as pessoas, próximo ao mar.”














