:: nov/2009
HABLA, HERMANITO…
Itabuna é mesmo uma cidade “pogressista”, como diria o inesquecível Adoniran Barbosa.
Na avenida do Cinqüentenário, os camelôs não se limitam a vender CDs piratas e bugigangas made in China.
Já estão vendendo até telefone celular, com acesso à tevê digital e outros mimos tecnológicos. Coisa de última geração!
O preço fica em torno de 250 reais, mas tem pechincha.
Com um pouco mais de choro, dá até pra levar de brinde um legítimo uísque escocês, com sotaque paraguaio, per supuesto.
LETÍCIA BRANDÃO
Quando faltam palavras para traduzir a dor que não é apenas de uma família, mas de uma cidade, fica o vazio da tristeza, preenchido pela imensidão de solidariedade.
Força, Junior Brandão, Elaide e todos os que perderam um anjo passageiro aqui na terra e ganharam um anjo eterno no céu.
As duas faces de um mesmo golpe

O programa Fantástico, da Rede Globo, exibiu no último domingo uma reportagem denunciando a venda de cadastros de segurados do INSS a aposentados que têm margem de consignação e podem obter empréstimos que serão parcelados e descontados quando do recebimento do benefício.
Trata-se de um verdadeiro golpe, que tem lesado milhares de segurados, em sua maioria aposentados, pelo Brasil afora. Gente que só descobre que caiu nas mãos de bandidos quando retira o extrato de vencimentos.
Para reverter esse processo, eles são obrigados a recorrer ao tortuoso e lento caminho judicial, já que para efeito legal, toda a operação para o empréstimo consignado foi correto.
É gente que recebe uma aposentadoria minguada e que, com a tunga nos vencimentos, fica impedida de se alimentar ou comprar medicamentos.
O golpe não é coisa de gente amadora, mas de quadrilhas organizadas e fatalmente conta com o apoio de pessoas ligadas ao INSS ou a instituições financeiras.
Não fosse isso, como se explicaria a obtenção do cadastro, com todos os dados do segurado?
E não precisa ser vidente para descobrir como esses golpistas dados que deveriam ficar restritos ao INSS e os bancos.
Uma certa Associação de Consumidores vem ligando para várias residências e oferecendo participação do morador numaa ação coletiva contra a Caixa Econômica Federal, para pagamento da diferença da correção da poupança em determinado período de um dos planos econômicos das décadas de 80 e 90.
O inacreditável é que não se tratam de ligações aleatórias. A pessoa que fala em nome da associação, tem todos os dados da vítima, perdão, da pessoa: nome, endereço, telefone e, pasmem, até o saldo da caderneta de poupança durante a vigência do plano.
Quando perguntada sobre como conseguiu aqueles dados, a pessoa responde candidamente:
-Foi a própria Caixa que nos passou.
Se não foi, a CEF tem que usar os mecanismos de que dispõe para evitar que seu nome seja usado para golpes de todo o tipo.
Se foi, a situação ainda é pior, visto que seus funcionários tem acesso a dados que, vazados, podem cair nas mãos de pessoas inescrupulosas, que não se furtam (ops!) nem de roubar dinheiro dos pobres aposentados.
O que não se pode é permitir que os golpes se alastrem, com cada vez mais gente sendo lesada por espertalhões auxiliados por pessoas que deveriam honrar a profissão, mas que na prática são ladrões a, literalmente, tirar o pão de boca dos nossos velhinhos, como no caso da fraude dos empréstimos consignados.
Wagner pega o elevador: sobe!
Pesquisa encomendada pela presidência da Assembleia Legislativa deixou o Palácio de Ondina com um sorriso largo. Além de apontar um descolamento de Jaques Wagner em relação ao segundo colocado, Paulo Souto, o levantamento mostra que a aprovação ao governo cresceu mais do que significativamente.
Os números da corrida eleitoral, nesta pesquisa de Marcelo Nilo (PDT), revelam Wagner com 40% das intenções de voto. Paulo Souto (DEM) aparece com 30% e Geddel Vieira Lima (PMDB), com 12%. O governo está fechando a sua pesquisa. E os números batem com os revelados neste levantamento do presidente da Assembleia.
FOME DE OURO!!!

Um final de semana inesquecível para o surf nacional. O Brasil foi absoluto no Panamericano de Surf, disputado em Ilhéus, sul da Bahia. Ganhou todas as seis medalhas de ouro possíveis, mostrando que a nova geração do surf nacional já nasce com a marca de vencedora. O baiano Rudá Carvalho foi o campeão na categoria open, na mais acirrada disputa da competição. Derrotou o costarriquenho Jason Torres e o venezuelano Rafael Pereira. Na categoria júnior, Gabriel Medina foi ouro, Vicente Romero, prata e Felipe Bráz, bronze. Phil Rajzman – que é atual campeão mundial de longboard – derrotou Vicent Delaplace (Guadalupe) e conquistou o título da categoria. Outro brasileiro, Eduardo Bagé, ficou em terceiro, com a medalha de bronze.
O Mahalo Pan Surf Games & Music durou uma semana e reuniu mais de 200 atletas de nove países das Américas. O evento atraiu para Ilhéus os nomes mais importantes da nova geração de surfistas do continente e foi bastante equilibrado no decorrer da semana. Mas, ao final, terminou prevalecendo a tradição do surf brasileiro. O Mahalo Pan Surf Games & Music foi coordenado pelas empresas Dendê e Axé Mix Produções e contou com o patrocínio máster da Bahia Mineração, do Governo da Bahia e Petrobrás, com apoio da Federação Bahiana de Surf, Bahiatursa, Azul Linhas Aéreas e Prefeitura de Ilhéus.
ITABUNA É AZUL
Para que o Dia Mundial do Diabetes, celebrado neste sábado (14) ganhe destaque, a Federação Internacional do Diabetes e a Organização Mundial de Saúde estão incentivando que prédios e monumentos de todo o planeta sejam iluminados de azul, a cor da campanha.
Em Itabuna, o Hospital de Olhos Beira Rio, que promove o Mutirão do Diabético, em parceria com a Asdita, Prefeitura de Itabuna, Uesc e Unimed; deu o exemplo e iluminou sua fachada com a cor azul. “Esperamos que outras instituições sigam o exemplo, iluminando Itabuna de azul e inserindo a cidade nessa importante campanha”, afirma o Dr. Rafael Andrade, coordenador do Mutirão do Diabético.
EMOÇÃO À PROVA D´ÁGUA
Depois do institucional com dona Enedina, simpática senhora de Ilhéus que aos 100 anos foi alfabetizada pelo TOPA, vem aí mais um material do Governo da Bahia que acerta na veia pela emoção, desta vez abordando o programa Água Para Todos.
Assinada pela Leiaute, é uma peça que estrapola a propaganda. Vale a pena conferir:
ALERTA TOTAL

Enquanto seis times, São Paulo, Palmeiras, Flamengo, Atlético/MG, Internacional e Cruzeiro lutam ponto a ponto, gol a gol pelo título do emocionante Campeonato Brasileiro de Futebol; em Itabuna trava-se uma luta contra um título que nada tem de lisonjeiro.
A cidade quer e precisa evitar o vergonhoso tri-campeonato brasileiro de incidência de dengue, repetindo o que ocorreu em 2008 e 2009, com um saldo de milhares de pessoas doentes e mais de uma dezena de mortos.
Trata-se de um jogo, ou de uma batalha se preferem, contra um adversário pequeno, mas extremamente perigoso principalmente quando, a exemplo do que ocorre em Itabuna, não existe um trabalho eficiente de prevenção: o mosquito aedes aegypt..
Os números são alarmantes. Atualmente o índice de infestação predial do mosquito da dengue é de 10,9%, percentual é quase onze vezes maior que o aceitável pela Organização Mundial de Saúde.
É um sinal inequívoco de que a cidade corre o risco de atravessar o verão com uma nova epidemia de dengue, repetindo o quadro dantesco de hospitais lotados, doentes surgindo aos borbotões e familiares chorando seus mortos.
A própria Prefeitura de Itabuna reconhece que a situação é grave, a ponto de levar o prefeito Capitão Azevedo a decretar Situação de Alerta no município e convocar a Defesa Civil para definir estratégias de combate aos focos do mosquito transmissor da dengue.
Para agravar o que já é um drama, a previsão dos institutos de meteorologia é de um verão chuvoso, o que favorece a reprodução do mosquito.
Diante disso, além da necessária ação conjunta Prefeitura de Itabuna/Governo do Estado/Governo Federal, é preciso que a população faça sua parte, evitando o acumulo de lixo e de água em recipientes abertos como caixas dágua, garrafas, lajes ou pneus velhos.
Essa é uma batalha que só será vencida se cada um fizer a sua parte e todos se conscientizarem que, no caso da dengue, o melhor antídoto é a prevenção.
Não é bom para a cidade voltar a ser destaque nacional de maneira negativa, através de uma “conquista” que na verdade é uma derrota.
E não é bom para a população, porque diante de uma epidemia, todos nós somos, potencialmente, vítimas de uma doença que, nunca é demais lembrar, em sua forma mais agressiva pode até matar.
Alerta total, pois, contra a dengue.
E guerra total e sem tréguas ao mosquito!
Falta derrubar o intransponível Muro da Desigualdade
Celebram-se nesta semana os vinte anos da derrubada do Muro de Berlim, um dos atos de maior simbolismo na história do século XX, marcado por duas guerras mundiais e a divisão do planeta pelas duas superpotências: os Estados Unidos, ícone do capitalismo, e a União Soviética, farol do comunismo.
Dito de maneira simplista, pode parecer que a derrubada do Muro de Berlim e, numa espécie de efeito dominó, a derrocada dos regimes comunistas no Leste Europeu, significaram a vitória da liberdade sobre a opressão.
Ou, o triunfo inquestionável do capitalismo sobre o comunismo.
Mas, as coisas não podem nem devem ser analisadas por uma ótica tão simplista assim, num tema de tamanha complexidade e com implicações sobre a vida de bilhões de pessoas.
É fato que, a despeito dos inegáveis avanços na universalização do acesso à saúde e à educação, os regimes comunistas desvirtuaram os ideais de Karl Marx, transformando-se em países regidos pela extrema burocracia e pela supressão quase total das liberdades individuais.
Impuseram-se pelo medo e pelo controle da vida das pessoas, quando deveriam se impor através de um processo onde imperassem a igualdade, a solidariedade e a justiça social.
Mas, daí a dizer que o capitalismo triunfou pelos próprios méritos vai uma distância muito grande.
Afinal, se o ´deus mercado´ produziu riquezas e avanços tecnológicos, também gerou um mundo de terríveis desigualdades sociais e ampliou ainda mais o imenso fosso que separa os pouquíssimos muito ricos dos bilhões de muito pobres.
Transformou a exclusão social numa catástrofe de dimensões bíblicas, limitando o bem-estar social a umas poucas nações e gerando países, como o Brasil, com ilhotas de desenvolvimento em meio a bolsões de miséria.
É mais correto, portanto, dizer que foi o comunismo, pela maneira como implantado, quem perdeu, do que afirmar de forma peremptória que foi o capitalismo quem venceu.
Não faz sentido comemorar derrota de um sistema que suprimiu a liberdade e implantou estados-policiais para outro que concede liberdade (está aí uma questão bastante subjetiva), mas não oferece oportunidades iguais para todos e impõe barreiras comerciais e cerca fronteiras que impedem o acesso de produtos e populações dos países pobres e/ou em desenvolvimento às nações ricas e desenvolvidas.
Barreiras invisíveis ou mesmo verdadeiras, como as que os Estados Unidos colocaram na fronteira com o México, para impedir a presença dos hermanos e irmãos que habitam o lado de baixo do continente americano.
Mais do que celebrar a queda do Muro de Berlim ou a suposta vitória do capitalismo sobre o comunismo, é preciso derrubar o intransponível Muro da Desigualdade e construir um novo mundo, sem a exploração do homem pelo homem, sem opressão e sem exclusão.
Pode parecer utopia, mas o que seria de nós se não fosse essa nossa capacidade de sonhar.
E a nossa força, não raro subestimada, para transformar sonho em realidade.
Sim, é possível!



















