:: ‘“Sonhos”’
Ilhéus e seus desafios. O Sul da Bahia e os sonhos

Vista da Ponte Jorge Amado, construção que faz a ligação do centro à zona sul da cidade de Ilhéus, atravessando a baía do Pontal e ligando a rodovia estadual BA-001, no Sul da Bahia (Joá Souza/ GOVBA).
Efson Lima
O Município de Ilhéus, dia 28/06, completa 491 anos de Capitania e 144 de elevação de cidade. Os dados sociais da Princesa do Sul são assustadores, segundo o Índice de Progresso Social (2025) a cidade ocupa a 186 e 4.124, respectivamente, na Bahia e no Brasil, afastando-a de um lugar de razoável índice de qualidade de vida. Mas, há luz pela frente. Caso confirme a implantação do Porto Sul, a Ferrovia Oeste – Leste e a cidade tenha um novo aeroporto, diga-se de passagem, que atenderá o Litoral Sul e parte do Baixo Sul e Médio Sudoeste, além da ponte Salvador – Itaparica, não só Ilhéus, mas toda a região sofrerá um significativo contexto socioeconômico de mudanças.
A Zona de Processamento de Exportação (ZPE) foi criada em abril de 1989, mas até o presente momento não reuniu as condições para a efetiva operacionalização. É óbvio que sem as condições logísticas as chances são mínimas desse complexo sair do papel. Afinal, precisa de transporte para atender a principal característica que é exportar sobre o fundamento do controle alfandegado. A ZPE vai gerar postos de trabalho e ressignificar o território, certamente, imporá desafios à sociedade, mas permitirá também uma ampliação da gama de serviços e, quiçá, provoque uma melhoria de renda da população.
O famigerado aeroporto precisa deixar de ser sonho. O atual na cidade, mesmo reformado e com condições bem melhores que anteriormente (quase um novo aeroporto) não consegue operacionalizar com chuva em razão de não ter os instrumentos necessários. Mesmo assim, o volume de cargas que se espera desse complexo logístico exigirá um aeroporto maior e com condições de receber e enviar mercadorias para outros lugares, sem falar no quantitativo de pessoas que vão usar o serviço de transporte aéreo. Logo, o aeroporto internacional da região do cacau se mostra como uma demanda urgente.
Teatro Popular de Ilhéus estreia “Sonhos”
O reencontro do Teatro Popular de Ilhéus com o público já tem local e data marcados. “Sonhos – o que restou de nós depois da tempestade” estreia dia 10 de abril (domingo), na cidade de Ipirá, Bahia. O espetáculo vai circular por 8 cidades do sertão baiano até o dia 27 de abril, apresentando-se gratuitamente em praça pública. O circuito ainda inclui os municípios de Pintadas, Conceição do Coité, Serrinha, Capim Grosso, Euclides da Cunha, Canudos e Uauá. A programação completa da turnê será divulgada em breve nas redes sociais e no site oficial do TPI, no link teatropopulardeilheus.com.br.
“Sonhos” é um espetáculo de rua, itinerante, que leva o público num passeio pela história do Teatro Popular de Ilhéus, suas montagens, suas estéticas e seus sonhos. A carroça do espetáculo “Uma certa Mãe Coragem” (2019) conduz o público e atores por três espaços distintos: O museu, o voo e o sonho. No museu estão recortes de uma memória em processo de construção. Cenas, personagens, músicas, figurinos, adereços e falas iniciais de alguns dos mais importantes espetáculos do grupo, desde 1995, na voz dos atores e atrizes que viveram as personagens. O voo é a representação da vivência do grupo na Tenda, seu espaço cultural entre 2013 e 2021, que caiu depois de uma forte tempestade no dia 26 de agosto de 2021. Imagens de espetáculos, público e experiências debaixo da lona são apresentadas, até que o circo voa, deixando em seu terreno o que restou destes mais de 26 anos de reinvenção do Teatro Popular de Ilhéus. De volta à carroça, o grupo voa para o sonho de construção de seu espaço, de seu teatro – ou re-teatro, ou teatro refeito. E os artistas põem mãos à obra para construir um espaço de afetos e sensibilidade, colocando na cena a memória recente da montagem de Sonho de uma noite de verão, interrompida pela pandemia.
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