:: ‘Manoel Leal’
Marcel Leal anuncia fim da edição impressa de A Região

Na capa à direita, a manchete silenciosa do assassinato de Manoel Leal. O jornal sobreviveu mais duas décadas
Em sua “Carta ao Leitor” desta semana, o diretor e editor de A Região, Marcel Leal, anunciou o fim da edição impressa do jornal a partir de outubro, após 29 anos de circulação semanal no Sul da Bahia.
Marcel justifica o fim da edição impressa afirmando que “embora seja o jornal mais lido, é ignorado pelos anunciantes. A venda nas bancas continua boa, mas não cobre nem 10% do custo de fazer um jornal de qualidade”. “ Não temos mais como bancar uma edição impressa que não se paga e é responsável por 80% dos custos. Só faremos edição impressa em ocasiões especiais, como o Natal”, afirma Marcel.
Fundando por Manoel Leal, pai de Marcel, A Região se consolidou como um dos mais combativos órgãos de imprensa do Estado e em sua primeira década, leitores chegavam a esperar nas bancas pelo jornal, famoso por reportagens exclusivas e pelas ´Malhas Finas` e `Malhas Grossas`, que traziam a marca da irreverência de Leal.
Manoel Leal foi assassinado num crime de mando em 1988 e até hoje os mandantes não foram identificados ou punidos. Marcel Leal assumiu o jornal e manteve a publicação, que com o fim da edição impressa, terá apenas a edição online.
18 anos sem Manoel Leal. Saudades do velho capo

14 de janeiro. Há exatos 18 anos, assassinaram covardemente o jornalista Manoel Leal, num crime brutal em que até hoje os mandantes permanecem impunes.
Muito já se escreveu sobre esse crime, que teve repercussão internacional e marcou uma década sangrenta e vergonhosa para a Bahia, onde tiros calaram vozes que se levantaram contra os poderosos.
De Manoel Leal, meu velho e inesquecível capo, só se pode dizer o que igualmente tanto já foi dito: permanece um imenso vazio, uma incontornável saudade de alguém que com suas virtudes e defeitos fez do jornal A Região, um símbolo da imprensa grapiuna.
Leal vive, enquanto A Região sobrevive. Bravamente, heroicamente, um parto difícil a cada edição.
Eterno Manuel Leal.
Manoel Leal
*Marco Wense
Lembro do saudoso Manoel Leal quando alguém vai direto ao assunto, sem evasivas e subterfúgios.
O fundador do semanário A Região, hoje sob a batuta do filho, o não menos polêmico e destemido Marcel Leal, não tergiversava frente a uma decisão, por mais complicada que fosse.
Essa semana, por exemplo, lembrei de Manoel Leal quando Silvio Santos deu um “não” a Rachel Sheperazade, jornalista, apresentadora e âncora do jornal SBT Brasil.
Rachel queria o aval do patrão para criticar a presidente Dilma Rousseff. Silvio Santos, sem titubear, disse: “Olhe, Raquel, se o Aécio tivesse vencido, tudo bem. Mas como a Dilma ganhou, é melhor você continuar calada”.
A paixão de Leal pelo jornalismo era indescritível. Dia de domingo não era dia de descanso, e sim de muito trabalho. Manoel Leal, muito feliz da vida, distribuía pessoalmente o jornal.
A sinceridade de Manoel Leal assustava. Escrevia o queria escrever, dizia o que queria dizer. “Manoel Leal nos ofereceu ensinamentos, nos ofereceu lições de coragem”, dizia o saudoso Eduardo Anunciação.
Anunciação, meu querido primo e amigo, parceiro no blog Política, Gente e Poder, tinha uma verdadeira admiração por Leal: “Foi o vinagre, fel para os poderosos, como foi o açúcar, vinho, o mel para os amigos”.
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Aécio, o oposto de Tancredo
Aécio Neves, derrotado por Dilma Rousseff na sucessão da própria Dilma, é neto do já falecido Tancredo Neves, eleito presidente do Brasil pelo famigerado Colégio Eleitoral (1985).
O tucano, que aparentava ser seguidor das regras democráticas, um conciliador como o avô, não consegue esconder sua torcida por um “terceiro turno”.
O ex-governador de Minas cospe na biografia do avô. O jornalista Sérgio Saraiva tem razão quando diz que “Aécio Neves, na encruzilhada da vida, entre Tancredo e FHC, fez a escolha errada”.
A linha golpista é a lacerdista: Se ganhar, não toma posse. Se tomar posse, não governa.
Aécio não tem nada do avô Tancredo, mas tudo do emplumado Fernando Henrique Cardoso, o mais exótico e narcisista do tucanato.













