:: ‘Celina Santos’
Entre príncipes e sapos, uma escalada de conflitos

Celina Santos
Chegamos à reta final do primeiro quarto do século 21 com um cenário de conflito entre os gêneros.
Ainda vemos discussões que evocam termos dos antigos contos de fadas. Bem fofo, hein?
Chovem trocas de acusações de que candidatos, pretendentes e afins vestem a capa do “príncipe”.
Nesta era da velocidade, porém, não se tem paciência pra sustentar tal face. Então, a pele de “sapo” logo ganha forma.
A queda-de-braço vem em tentativas de dominação, ciúme/posse e só cresce o número de conflitos que terminam em feminicídios.
Até este início de dezembro de 2025, já foram registradas 1.075 mulheres assassinadas. O número de tentativas ultrapassa dois mil.
A maioria desses crimes retrata uma trágica realidade: o ex, simplesmente, não aceita ser ex-cluído.
É como se o homem da atualidade não aceitasse a mulher no cenário pós-moderno.
Como assim? Ela quer olhar o espelho e escolher com qual roupa quer sair de casa???
Quer bancar a independente e pagar as próprias contas? Escolher a balada do final de semana?
“Na-nani-na-não!”, esbravejam os parceiros. Aliás, os candidatos a maridos que matam para não reconhecer na mulher o direito de ir, vir e só permanecer enquanto estiver feliz.
Direto dos Estados Unidos, itabunense prepara filme sobre surf
Aos 27 anos, o itabunense Giovanni Costa Massa vive novas experiências de criação no universo da “sétima arte”. Desde o bacharelado em Cinema na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Brasil, ele formou-se em Filme e Televisão pela Orange Coast College, em Hollywood, e passou um período no New York Film Academy, ambas nos Estados Unidos.
Um dos trabalhos em preparação, produzido, escrito e dirigido por ele naquele país, é o curta-metragem sobre surf “The Day of the Shred”. Filmado em Newport Beach, na Califórnia, o roteiro de 21 minutos traz os personagens Aaron e Mateo. Eles tentam surfar para quebrar a maldição de uma onda possuída por espíritos zumbis.
Animado, Giovanni lembra que se trata do primeiro filme de ficção brasileiro com a temática do surf –vem exatamente num tempo em que esse esporte chega às Olimpíadas. “É um dos primeiros curta-metragens de ficção sobre surf no mundo. Mistura comédia, aventura, ação esportiva e terror, numa história que aborda temas importantes como a diversidade e o respeito de forma leve e descontraída”, descreve.
O cineasta itabunense lembra que esse filme que chega em um momento de alta para o surf no planeta, especialmente para o surf brasileiro. E também compartilha a alegria de termos o primeiro vencedor no surf sendo o nordestino Ítalo Ferreira. Ele, inclusive, filmou o atleta surfar em 2018, durante o campeonato de surf US Open de Huntington Beach, um dos mais importantes da Califórnia.
A corrente solidária por dona Maurina

Celina Santos
Uma mulher firme e, ao mesmo tempo, doce, que chega na próxima quarta-feira (10) aos 89 anos de vida. Para os moradores do Banco Raso, em Itabuna, dona Maurina dos Anjos Oliveira está no imaginário como aquela que costurou e lavou roupas para muitas famílias.
Mais recentemente, teve a imagem tornada pública, porque foi alvo de uma ação de despejo que lhe tirou a casa onde viveu por cerca de 60 anos e onde criou nove filhos. Aquele imóvel fora doado de forma verbal, como uma espécie de indenização trabalhista, ao marido dela, o saudoso seu Casé.
Esta jornalista que vos escreve traz a trajetória de dona Maurina neste Dia da Mulher, que transcorre em 08 de março. Dois dias antes do aniversário de 89 anos dela, hein? Em ligeiras palavras, é a história de uma figura feminina tão querida por onde passa.
Além disso, considero mais do que legítimo reiterar e – por que não dizer? – gritar a todos os ouvidos possíveis que essa personagem real foi injustiçada em plena pandemia. Um tempo que tanto motiva as mais diversas faces da vulnerabilidade de todos nós.
Odilon Pinto supera 70 anos, em defesa da democracia e da cultura popular
por Celina Santos, no Diário Bahia
Um doutor das letras nos laços da cultura popular; um defensor da democracia, que literalmente sentiu na pele as marcas de não aceitar o que lhe era imposto. Eis as primeiras palavras que podem descrever o radialista, professor e pesquisador Odilon Pinto Mesquita Filho. Com 70 anos e 9 meses intensamente percorridos, ele nasceu em Teresina (PI), mas chegou a Itabuna ainda na juventude, trazido pela organização política Ação Popular.
O grupo arregimentava pessoas movidas pelo ideal de liberdade e contra a Ditadura Militar, cujos efeitos foram vividos no Brasil de 31 de março de 1964 até 1985. “Eu lutei muito! Eu e muita gente lutamos, arriscando a vida até. Eu estou vivo por sorte (risos contidos)”, recorda ele, que ficou anos preso.
Detido em Ibicaraí e levado para a Penitenciária Lemos de Brito, em Salvador, Odilon Pinto experimentou o já tão relatado tratamento dispensado àqueles que não concordavam com aquele regime. Diante de nossa pergunta (um tanto óbvia, mas necessária) se ele foi torturado, o hoje grapiúna detalhadamente – embora sereno – contou:
“Fui! Todo mundo na época era. Eles queriam saber o nome dos outros. Prendiam você e, logo nos primeiros dias, ia torturar pra você entregar quem eram os outros. Choque, pancada, surra… E quando eles achavam que era perigoso, eles matavam mesmo. No meu caso, não. Porque quando me prenderam, eles já sabiam tudo. Em Panelinha, perto de Camacan, eu morava com um casal de companheiros e, quando eles prenderam o casal, eu fugi. Mas quando me prenderam depois, já sabiam tudo quem eu era, o que eu fazia, já tinham levantado tudo, investigado tudo”.
Aí perguntamos: e quem o senhor era? Ao que ele, mais uma vez serenamente, respondeu: “Eles chamavam de terrorista, mas eu acho que aquilo era só pra botar uma imagem negativa. Eu era militante comunista, militante revolucionário e ponto. Lutava pela democracia, eleição, essas coisas. Que as pessoas pudessem escolher quem governava, era isso que a gente fazia”.
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