:: ‘Carlos Drummond de Andrade’
O dia em que virei Carlos Drummond de Andrade
Dimas Roque
Deixa eu contar uma história que vale um riso ou dois. Lá nos anos 80, em plena ditadura militar, eu era um jovem revolucionário junto com alguns amigos, éramos frequente nas salas de aula (ou quase isso). Junto com meus amigos secundaristas, a gente fazia vaquinha para participar de encontros de estudantes em cidades como Salvador, Fortaleza e Campinas na luta pela reconstrução da entidade e pela redemocratização do Brasil. Nossa tática era simples: ir às salas de aula, pedir contribuições e esperar que as moedinhas caíssem como um milagre. Às vezes, até caía algo maior que moedas (obrigado, estudante generosos).
Mas o tempo passou. Hoje, se um estudante ousar entrar numa sala pedindo ajuda, corre o risco de receber apenas olhares de “vaza daqui”.
Em 1982, estávamos empenhados na reconstrução da UBES – União Brasileira dos Estudantes Secundaristas. E foi aí que me veio uma ideia brilhante (ou nem tanto). Eu gostava de escrever poesias – tão bonitas, modéstia à parte, que até imaginei estampá-las em camisetas brancas e vender para arrecadar um pouco mais. Poeta mercenário? Talvez.
Convenci meu amigo César Alves, um gênio da arte, a pintar a arte para as 20 camisetas. Metade com uma poesia minha e metade com outra (sim, tenho um estoque de inspiração). No dia seguinte, fui armado de esperança para as salas de aula. “Agora vai”, pensei. Mas sabe quantas camisetas eu vendi? Nenhuma. Nem pra pagar uma beira seca na cantina.
Pedra no caminho
Josias Gomes
O poema No Meio do Caminho foi motivo de orgulho e consternação para o mestre da poesia brasileira Carlos Drummond de Andrade.
Primeiro, porque ao ser publicado, em 1928, na Revista de Antropofagia, o poema foi profundamente criticado pela sua simplicidade e repetição.
Depois, este verdadeiro rubi da poesia brasileira ganhou tanta notoriedade que incomodava o poeta mineiro.
Drummond costumava se resignar quando diziam que ele era o maior poeta brasileiro e, com doses de ironia, respondia que somente era lembrado pela
maioria das pessoas pelo bendito poema No Meio do Caminho.
No Brasil de hoje, podemos dizer que no meio do caminho existe Bolsonaro.
Só que entre Bolsonaro e uma pedra existe algo mais duramente concreto.
As pedras nos fazem tropeçar e, metaforicamente, são as dificuldades que todos os humanos enfrentam na vida.
Podemos dizer que Bolsonaro é mais do que uma pedra no meio no caminho dos brasileiros.
Bolsonaro e o seu mundo doidivana é uma montanha rochosa de minas na vida do Brasil.
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