:: ‘canavieiras’
Sumiço do badalo na confraria d`O Berimbau

Walmir Rosário
Após todas as mudanças possíveis e imaginárias, finalmente O Berimbau estaciona para não mais sair do famoso Beco d’O Berimbau, também apelidado de rua Dr. João Sá Rodrigues. E esse ânimo definitivo passou a influenciar na escolha das bebidas e comidas, nos frequentadores assíduos, bem chegados, tolerados e indesejáveis, com direito a figurar no livro de atas escrevinhadas pelo Secretário Plenipotenciário Tolentino (Tolé).
De uma tacada só foram escolhidos os símbolos para reverenciar a festejar o recém-chegado – desde que bem chegado –, e o sino foi um deles, que é tocado incessantemente até que tomasse assento junto aos amigos. Daí para a criação da Confraria d’O Berimbau foi um pulo, bastando lavrar na ata a fundação, a relação dos confrades e as exigências para que pudesse pertencer aos quadros da entidade.
De acordo com a consistência do balançar do sino é conhecido o nível de prestígio do chegante junto aos confrades. Se o toque alegre duradouro, bom sinal; sem grandes folguedos, o chegante não fede nem cheira; se adentrava ao recinto e o sino continuava em seu canto e mudo, vá procurar outra freguesia. E assim o sino passou a configurar entre os bens e propriedades físicas e imateriais da Confraria d’O Berimbau.
Não custa relembrar que o sino da Confraria d’O Berimbau é uma peça de trabalho e estimação, introduzido pelo fundador da entidade, Neném de Argemiro, para dar um procedimento festivo mais adequado ao anunciar aos presentes a chegada dos confrades. Dentre os símbolos da Confraria d’O Berimbau, estão o sino, o trombone e a caneca de esmalte, na qual Neném de Argemiro sorvia preciosos goles das boas cachaças servidas com generosidade.
A escolha dos homenageados do Troféu Galeota de Ouro

Walmir Rosário
Muitos são chamados, mas poucos escolhidos. Essa pequena passagem da Bíblia (Mateus 22:14) mostra claramente a forma da escolha da seleta lista de homenageados com o Troféu Galeota de Ouro. Ao contrário do que se pensava – e ainda pensam alguns desavisados –, que os distinguidos com a honraria pelos feitos etílicos se dava pela contumácia ou o reles ato de beber e se embriagar diariamente, sem pompas ostentação ou esplendor de dar inveja aos mais acatados abstêmios.
Canavieiras: cooperativa da agricultura familiar se destaca na produção da própolis vermelha

Com resultados comprovados, cientificamente, no que se refere às ações antioxidante, anti-inflamatória, antimicrobiana, antisépticas e cicatrizantes, entre outras, o extrato de própolis é um dos produtos do sistema produtivo da apicultura que vem ganhando espaço no mercado.
Na Bahia, a Cooperativa dos Apicultores de Canavieiras (Cooaper), detentora da marca Natuflora, que já é referência no beneficiamento e comercialização de pólen apícola, vem se destacando também na produção de própolis vermelha, tanto da matéria-prima, ainda em forma resinosa, quanto com o extrato. A produção já é comercializada para vários estados do Brasil e outros países, como Estados Unidos, França e Japão, com a venda realizada por meio de empresas de exportação.
De acordo com o presidente da Cooaper, Anselmo Nascimento, são produzidos mensalmente cerca de 10 quilos da matéria-prima de própolis, o equivalente a 40 litros do extrato, sendo 90% comercializada ainda na matéria-prima e 10% de extrato, em vendas diretas ao consumidor, em frascos de 30 ml. Ele explica que depois da chegada do entreposto, em 2011, a partir de investimentos públicos do Estado, e acompanhamento técnico da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), a cooperativa vem avançando e a vida das famílias envolvidas vem melhorando.

A cooperativa possui 23 apicultores cooperados que produzem também, mensalmente, 350 quilos de pólen, sendo 250 distribuídos em frascos de 10, 240, e 480 gramas, e mais 100 quilos em vendas a granel.
Sesab discute implantação de comitê de emergência nas áreas afetadas por óleo

O secretário municipal de Saúde, Geraldo Magela, participou de uma reunião de orientação para implantação do Comitê Operacional de Emergência em Saúde (COE) em Ilhéus. Em virtude da chegada das manchas de óleo que atingem o litoral sul do estado, o Núcleo Regional de Saúde Sul (NRS-Sul), orgão da Secretaria de Saúde da Bahia, convocou o encontro no intuito de articular ações para cuidados com a população exposta ao desastre.
Geraldo Magela destacou que o comitê confere uma atuação articulada entre órgãos das cidades que compõe a base regional. “O Comitê tem autonomia e efetiva ações para tomada de decisões acertadas, além de dispor de uma estrutura integrada que atribui responsabilidades a cada setor”.
O encontro contou com a participação do técnico do Departamento Estadual de Vigilância Ambiental, Antônio Luiz da Silva; Jeovana Catarino, chefe do Setor de Vigilância Sanitária e Fernanda Jovita, chefe do Setor de Vigilância em Saúde do Trabalhador da Sesau, além de representantes dos municípios de Canavieiras, Una, Itacaré e Uruçuca.
O Comitê Operacional de Emergência em Saúde é constituído por representantes de vigilância, vacinação, atendimento hospitalar, atenção básica e assistência farmacêutica dos municípios da macrorregião que compõe o Núcleo Sul.
Embasa descarta contaminação da água que abastece Canavieiras
A Embasa informa que não há qualquer indício de contaminação da água captada para abastecimento de Canavieiras, no sul do estado, pelo óleo que tem chegado às praias da região e à foz do Rio Pardo. A captação de água é feita no Rio Cipó, tributário do Rio Pardo, num ponto localizado a cerca de 20,5 quilômetros do estuário.
Preventivamente, porém, a equipe técnica da Unidade Regional de Itabuna (USI), que responde por Canavieiras, instalou nesta quarta-feira (30 de outubro) barreiras de contenção numa área de 50 metros quadrados em torno das bombas de captação de água. As barreiras atingem a profundidade de dois metros.
Além disso, os laboratórios da Embasa na região estão fazendo, a cada sete dias, análises da água para verificar a presença de óleos ou graxas, entre outros elementos que compõem o óleo derramado no litoral do norte e nordeste do país.
Evento destaca o fomento aos pequenos negócios nos municípios sulbaianos

As boas práticas nos municípios do Sul da Bahia e o envolvimento de atores no desenvolvimento das políticas públicas para o fomento aos micro e pequenos empreendedores é o foco do Encontro Empreender Regional, que começou nesta segunda-feira, 12 e encerra nesta terça-feira, 13, em Canavieiras. O evento que conta com a participação de secretários e técnicos municipais da região Sul da Bahia é uma realização da Prefeitura Municipal de Canavieiras e do Sebrae.
O seminário destacou o apoio a mobilização e o fortalecimento da rede de atores de desenvolvimento, entre eles, os gestoras públicos municipais, que de acordo com o secretário executivo da Amurc, Luciano Veiga, têm o papel fundamental no cumprimento da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas para o desenvolvimento dos pequenos negócios, “e consequente desenvolvimento dos municípios da região através da formação das salas do Empreendedor e a contração dos Agentes de Desenvolvimento”.
O prefeito de Canavieiras, Clóvis Almeida ressaltou a importância do evento à nível regional, sediado pela primeira vez na cidade, em parceria com o Sebrae e o apoio da Amurc. Ele ainda destacou que todos os gestores devem priorizar as compras públicas dentro dos seus municípios. “Existe um estudo que cada real pago no município, esse dinheiro circula vinte vezes antes de sair da localidade”.
Seagri avalia cultivo de camarão em fazendas de Canavieiras

Um comitiva da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura do Estado da Bahia (Seagri) esteve em Canavieiras, no sul do Estado, um dos principais municípios produtores de camarões marinhos da Bahia, debatendo como contribuir para o aumento da produção e produtividade da carcinicultura, de forma sustentável e eficiente.
O secretário estadual de Agricultura, Lucas Costa se reuniu com o prefeito, Dr. Almeida, e sua equipe da secretaria de Agricultura, Meio Ambiente e Pesca do município, além de carcinicultores (criadores de camarão) e o presidente da Associação dos Criadores de Camarão da Bahia, Wanderlei Pinheiro. Ele estava acompanhado do superintendente de Desenvolvimento Agropecuário da Seagri, Adriano Bouzas, do diretor Eduardo Rômulo, e do presidente da Bahia Pesca, empresa vinculada à Seagri, Marcelo Oliveira.
Eles discutiram os motivos que fizeram a atividade ter diminuído nos últimos anos. O objetivo da Seagri é possibilitar o aumento e a melhoria da produção da carcinicultura na Bahia de forma sustentável, eficiente e rentável para os produtores. Ao longo do dia, eles conheceram três viveiros de produção (fazendas de criação de camarão) de Canavieiras: Puximar, Bahia Sul e Marway.
:: LEIA MAIS »
Cabeça de Robalo, o manjar dos deuses
Por Walmir Rosário
Os deuses gostam de dendê, tanto isso é verdade que um dos pratos mais desejados da riquíssima gastronomia canavieirense é a “cabeça de robalo”. Disto não se tem qualquer dúvida. A incerteza de quem ainda não foi apresentado a esse manjar dos deuses é apenas em relação à matéria-prima, pois os pobres mortais que ainda não tiveram o prazer de degustá-lo não concebem, à primeira vista – ou audição – de como os deuses poderiam apreciar uma parte do peixe cheia de ossos e espinhas.
À primeira vista da iguaria, desfaz-se a incerteza com a imagem, saliva-se a boca, aguça-se o paladar, despertando o primeiro dos sete pecados capitais: a gula. Pessoas de gosto refinado e alto conhecimento gastronômico contam que é impossível de controlar os instintos. Chegam ao ponto de afirmar o ato de comer cabeça de robalo, está longe ser ser um pecado capital, e é, sim, uma virtude, pondo por terra a teoria desenvolvida pelo Papa Gregório Magno no século VI.

E têm razão os nobres defensores desta tese. Pra início de conversa, a cabeça de robalo é um prato exclusivo da gastronomia de Canavieiras, onde os manguezais são considerados os maiores e mais ricos do Brasil, dada a sua diversidade. Não é por acaso que o caranguejo – Ucides cordato – de Canavieiras é tido e havido como o mais gostoso crustáceo de toda a costa brasileira.
Canavieiras recebe intercâmbio de gastronomia social
A Reserva Extrativista (Resex) de Canavieiras, no Sul da Bahia, vai receber iniciativas de gastronomia social nos dias 11 e 12 de setembro. A iniciativa do projeto Pesca+Sustentável, da ONG Conservação Internacional, pretende aproximar pescadores e marisqueiras dos chefs de cozinha para uma troca de saberes e práticas, tendo por objetivo a valorização do pescado artesanal e a oferta de produtos sustentáveis nos restaurantes e barracas de praia da Bahia.
O primeiro encontro será em Campinhos, uma comunidade ribeirinha dentro da Resex, onde mora Dona Marlene, marisqueira que criou a família pescando e hoje abre as portas da sua casa para gastronomia familiar: ela oferece receitas com seus próprios pescados. O Pesca+Sustentável vai levar até Dona Marlene, no dia 11 de setembro, os cabaneiros de praias de Canavieiras para que se inspirem em suas receitas e também o chef de cozinha Charly Damian, parceiro do projeto no Rio de Janeiro, que irá falar da sua experiência e produzir receitas a partir do robalo e do caranguejo que estão sendo rastreados. “A troca entre gastronomia e os saberes sociais é importantíssima para a construção de uma nova forma de ver a comida. Os pescadores tradicionais fazem um trabalho grandioso”, diz Charly, que incluiu no cardápio do seu restaurante pescados sustentáveis da Região dos Lagos, no Rio.
Tarzan vence Galinho e acaba com uma carreira nem tão promissora
De início, um aviso aos navegantes: Dessa história, eu somente conhecia uma pequena parte, que assisti e presenciei com atenção. O restante me foi passado pelo memorialista Raimundo Antônio Tedesco, que conhece, de cor e salteado, fatos pretéritos e atuais passados e acontecidos tanto em Buerarema (desde que ainda atendia pelo nome Macuco) como em Canavieiras, já devidamente corrigidos e melhorados.
Estando eu em Eunápolis lá pelo começo década de 1970, num dia desses de folga, fui convidado por um amigo a assistir a uma contenda que prometia ser a do século, pelo alto grau e patente dos lutadores. De um lado, Tarzan, o sanguinário dos ringues, um itabunense que também atendia como Dal Broa, consagrado goleiro do Botafogo do bairro Conceição, que abandonou o gol e assumiu a luta livre.
Do outro lado do córner, um atleta, se é que poderia assim ser chamado, baixinho, magro, porém esbelto e com músculos aparente, apresentado como uma das revelações para a renovação do boxe sulbaiano. Embora amador, e sem um histórico de lutas (cartel) que metesse medo nos adversários, diziam que fora formado nas academias de boxe de Canavieiras, e que prometia galgar a carreira rivalizando com o galinho Éder Jofre.
À época, Eunápolis não se parecia nada com a metrópole de hoje, embora já fosse um próspero centro comercial e de serviços, sem contar com o grande número de indústrias madeireiras. Corria muito dinheiro, mas era pobre na área de diversões, o que fazia com que uma contenda de luta livre se tornasse, realmente, o evento do século para diante do escasso calendário de diversões.
Era só o que se falava em toda a cidade, com discussões e apostas, sempre com uma margem favorável a Tarzan, o sanguinário dos ringues, que reinava sozinho no próspero povoado, o maior do mundo, como se orgulhavam. Tarzan, todos conheciam, e seus feitos já ultrapassavam “as fronteiras”, principalmente após derrotar, nos primeiros rounds, dois lutadores de Itamaraju, vencedores nos estados do Espírito Santo e Minas Gerais.
Do outro lado, os que torciam contra Tarzan queriam vê-lo derrotado, justamente por um atleta iniciante, boxista, peso-leve, como o ídolo Éder Jofre, que poderia se mover de forma incessante no ringue, até cansar o adversário. Nas constantes discussões, o lutador canavieirense era ressaltado pela sua jovialidade, e que desbancaria um lutador gordo, fora de forma e ultrapassado. Seria questão de minutos, diziam.












