Treino é treino, jogo é jogo e Messi é a luz
Fluminense x Corinthians foi exaustivamente anunciado como o ´jogo do ano` (alguém já se deu ao trabalho de conferir quantos ´jogos do ano` temos todos os anos?), espécie de decisão antecipada do Campeonato Brasileiro.
Um confronto entre as melhores equipes do campeonato, os melhores ataques, os jogadores mais talentosos, os craques em nível de seleção.
Enfim, uma daquelas partidas de antologia, um show de futebol.
Quanta diferença entre a presunção e a realidade!
Fluminense x Corinthians, o jogo dos líderes de um dos principais campeonatos do planeta, foi uma daquelas partidas em que a emissora responsável pela transmissão tem dificuldades até de selecionar os melhores momentos.
O ´jogo do ano` foi um retrato do estágio atual do futebol brasileiro e sua síndrome de guerreiros. Marcado, disputado palmo a palmo, concentrado no meio-campo, com raríssimos lances de emoção e nenhum lance de genialidade.
O Corinthians se defendeu como pode e atacou quando deu.
O Fluminense se defendeu menos do que pode e atacou menos do que devia.
Resultado: 2×1 para o Corinthians, liderança dividida e, no frigir dos ovos, mais um joguinho insosso, sonolento.
Para quem preferiu virar a tabela de cabeça para baixo e ver o jogo entre Grêmio Prudente e Flamengo, que flertam com o rebaixamento, viu um show de horror, que só valeu para os rubro-negros por conta da virada no final, que afundou o time paulista e fez os cariocas respirarem.
Enquanto isso, lá do outro lado do Atlântico, o futebol surgiu em todo o seu esplendor, no jogo mágico do Barcelona.
O passeio em cima dos gregos no Panatinaikos, atônitos diante do baile em que foram postos para dançar involuntariamente, foi uma daquelas coisas que resgatam a beleza do jogo, que fazem valer a pena assistir e apreciar.
Era jogo, parecia treino, mas na verdade foi uma obra-prima, comandada por Leonel Messi, esse fora de série que com a camisa do Barcelona resgata a melhor tradição de um futebol jogado com talento, arte e genialidade.
Messi é a luz nas trevas do mundo da bola.
ESTRELA CADENTE E SOLITÁRIA
A campanha eleitoral entra nas semanas finais e na Bahia, a se confirmar o que apontam as pesquisas de intenção de voto, Jaques Wagner deverá reeleger-se governador já no 1º. turno.
A cada vez mais provável vitória de Wagner (em eleição, é de bom alvitre esperar a abertura das urnas) confirmará uma situação que parecia impensável até quatro anos atrás: o encolhimento impressionante de um grupo que durante parte da segunda metade do século passado e o início deste século comandou a Bahia com mão de ferro, estendendo seus tentáculos para todas as áreas do estado, da polícia à economia, passando pelo comando quase absoluto das comunicações.
A reeleição de Jaques Wagner não se constituirá numa surpresa, em função dos avanços verificados nestes quatro anos, ainda que haja um imenso caminho a ser percorrido e setores que carecem de maiores investimentos, a exemplo da segurança pública.
A surpresa é a maneira como o candidato que representa o grupo outrora poderoso, denominado de “carlismo” por conta de seu mentor, executor e mandatário, Antonio Carlos Magalhães; vem encolhendo ao longo da campanha.
Paulo Souto, o ungido pelo carlismo para retomar o poder na Bahia, chegou à estar na frente ou empatado com Wagner em pesquisas de intenção de votos realizadas em 2009.
A partir do momento em que Wagner entrou em curva ascendente, Souto fez o caminho inverso e desceu vertiginosamente a ladeira da preferência do eleitorado.
Não se trata aqui de uma queda, mas um verdadeiro tombo. Souto, que já transitou na casa dos 35% das intenções de voto, hoje patina nos 15 pontos percentuais e pode ser ultrapassado por Geddel Vieira Lima, o candidato do PMDB, que parecia ter entrado na campanha apenas para fazer um contraponto entre Wagner e Souto e acomodar-se num honroso terceiro lugar.
Chama ainda mais atenção a adesão em massa de prefeitos antes ligados a ACM (e a quem nem se atreviam a contestar) rumo ao barco seguro de Jaques Wagner, deixando Paulo Souto, governador da Bahia em duas oportunidades, como uma espécie de estrela cadente e cada vez mais solitária.
Poucos são os aliados fiéis, aqueles que vão até o final, mesmo diante da débâcle inevitável.
O ocaso de Paulo Souto e do grupo que ele ora representa é uma lição tão óbvia quanto necessária de ser repetida: todo poder é passageiro, efêmero, por mais que pareça duradouro, eterno até.
Uma lição que vale para todos.
CEM ANOS DE INDIFERENÇA

A Fundação Cultural de Ilhéus, em parceria com instituições públicas e privadas, está se mobilizando para comemorar em 2012 os 100 anos de nascimento de Jorge Amado, um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos.
O projeto inclui a realização de palestras, oficinas de leitura, seminários, peças de teatro, produção de documentários e a completa revitalização da casa onde Jorge Amado morou na infância e juventude e escreveu seu primeiro romance, “O País do Carnaval”. O local deverá ser transformado num museu multimídia, com acesso digital a fotos e obras do escritor.
A homenagem dos ilheenses faz justiça um escritor que levou Ilhéus e a Região Cacaueira para os quatro cantos do planeta, com uma obra centrada basicamente no cacau.
A cidade onde o Jorge Amado passou parte da infância e da adolescência foi cenário para obras primas como Terras do Sem Fim, Gabriela Cravo e Canela e Tocaia Grande, entre outros, que foram traduzidos para dezenas de idiomas e até hoje atraem as atenções para a Região Cacaueira, especialmente para Ilhéus.
O potencial turístico e cultural que o nome de Jorge Amado representa ainda não foi devidamente explorado, mas ao menos a cidade se esforça para manter viva a memória do escritor e promove a permanente divulgação de sua obra.
Ilhéus e Jorge Amado parecem nomes indissociáveis, tão ligados que estão entre si.
Enquanto isso, na cidade onde Jorge Amado nasceu, a memória do escritor é solenemente ignorada.
Itabuna foi o berço de Jorge Amado, mas isso parece ter pouca ou nenhuma importância. Tentativas esporádicas de resgatar a memória do escritor não têm obtido resultados práticos. Justiça se faça: o problema não é apenas das autoridades: ao contrário dos ilheenses, os itabunenses não estão nem aí para Jorge Amado.
Diz a lenda que Amado sempre se identificou mais com Ilhéus, sempre esnobou Itabuna.
Só no final da vida, quando completou 80 anos é que, numa célebre entrevista à TV Cabrália, ele assumiu, sem tergiversar, que havia nascido em Itabuna. Até então, quando perguntando sobre o assunto, respondia com evasivas do tipo “sou um menino grapiuna”.
Mas, nem isso justifica a omissão, o descaso com que Itabuna trata seu filho mais ilustre.
Jorge Amado é um patrimônio do Sul da Bahia, um ícone da literatura mundial.
Um nome a ser saudado, lembrado, venerado.
Por enquanto, esse é um mérito a ser reconhecido nos ilheenses
DONA ENEDINA É NOSSA!
O companheiro Davidson Samuel, do Pimenta na Muqueca, um dos principais sites da Bahia (e eu aqui com minha meia dúzia de quatro ou cinco leitores!!!)
alerta para o fato de que a ilheense dona Enedina é na verdade itabunense, tão centenária quanto a cidade.
Em sendo assim, se Ilhéus já nos usurpou Jorge Amado e agora se apodera de dona Enedina, ensarilhemos as jacas e enfrentemos os caranguejos, que isso é motivo para a guerra.
Brincadeirinha sem graça: dona Enedina é de todos nós.
Alguém viu alguma propaganda subliminar aí? É pra ver mesmo.
DONA ENEDINA É DESTAQUE, DE NOVO
Depois de ganhar a capa e as páginas centrais do jornal “O Estado de São Paulo”, dona Enedina, a ilheense de 100 anos alfabetizada pelo TOPA, agora é destaque na edição de setembro da revista “Inovar.com”.
A revista é uma publicação da Fundação Mario Covas.
Para quem não sabe, Covas foi um dos maiores nomes do PSDB, um político ético e decente, que governou São Paulo e morreu vítima de um câncer.
A Inovar.com apóia projetos na área de inclusão e, através de dona Enedina, reconheceu a importância do programa de alfabetização de adultos desenvolvido pelo Governo da Bahia.
A BALA DE PRATA E A MIDIA PISTOLEIRA

Está na Wikipedia: no folclore, uma bala de prata é supostamente o único modo tipo de munição capaz de matar lobisomens, bruxas e outros monstros. A expressão bala de prata foi adaptada como uma metáfora para designar uma solução simples para um problema complexo com grande eficiência.
Não está na Wikipédia, mas está na atual campanha presidencial: bala de prata é o acontecimento devastador, capaz de impedir a vitória de Dilma Roussef no 1º. turno e jogar a eleição para o 2º. turno, de preferência contra José Serra, o ungido dos barões da mídia, Rede Globo, Veja, Folha de São Paulo e Estadão à frente.
Pois quem está atrás da “bala de prata” e disposta a puxar o gatinho é justamente essa parcela poderosa da mídia, que arrota imparcialidade mas que age como apêndice, quando não como artífice, da campanha do candidato demo-tucano.
Foi só a candidata petista disparar nas pesquisas e abrir uma vantagem confortável sobre José Serra, deixando claro que a eleição seria resolvida já no 1º. turno, para que começassem a pupular escandâlos visando atingir Dilma, como se eles brotassem do chão ou caissem do céu.
Não brotam do chão nem caem do céu, mas surgem em imagens na televisão, em páginas e mais páginas de revistas e jornais, para depois, óbvio ululante, serem repetidos à exaustão pela campanha tucana.
Uma trama bem urdida, que nada tem de original, posto que já foi usada anteriormente, sem sucesso é verdade, mas não se negue a essa gente a virtude da insistência.
Nesse faroeste eleitoral, a mídia pistoleira achou ter encontrado a tal bala de prata na quebra de sigilos que envolvem até a filha de Serra. Um crime, sim, mas daí a imputá-lo a Dilma vai uma distância do tamanho da vantagem da petista sobre o tucano nas pesquisas de intenção de voto.
Quando percebeu-se que a bala não tinha tons prateados e nem faria o efeito desejado, surgiu outro projétil candidato a tiro letal em Dilma, travestido de uma denuncia de tráfico de influência e corrupção na Casa Civil, a seara da candidata petista.
O mesmo modus operandi de sempre: a Veja dá com destaque na capa, os jornalões reverberam e o Jornal Nacional trombeteiam. Os supostos envolvidos negam, a coisa tem cheiro de jogada eleitoral, mas o que importa é testar o poder de fogo, encontrar a bala de prata infalível. Dane-se qualquer compromisso com a verdade, a ética, o respeito e a imparcialidade.
O risco é que a pretensa bala de prata, num efeito perverso para a mídia pistoleira e gospista, se converta num tiro no próprio pé.
Que é de barro.
Ou melhor, de lama.
"SEU" GENTIL

Conheci “seu” Gentil lá pelos idos do começo dos anos 80 do século passado.
Era o período da mobilização pelas Diretas Já e eu passava férias em Potiraguá, cidade nos limites da Região Cacaueira da Bahia.
Na época “seu” Gentil era presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, o que não era pouca coisa em tempos semi-coronelistas.
É não é que cismamos de fazer ali em Potiraguá um comício pelas Diretas Já. Cismamos e fomos à luta.
Arrumamos um carro de som e saímos convocando o povo de Potiraguá e da vizinha Itarantim. A idéia ganhou corpo, atraiu outras pessoas e fizemos um grande comício, que contou com as presenças de lideranças da época, como Raul Ferraz e Pedral Sampaio, então um ícone de esquerda, que depois se bandeou para os braços de ACM e sumiu melancolicamente da vida pública.
Durante o comício, aconteceu algo inusitado: o prefeito mandou cortar a energia da praça, que estava lotada.
Não tive dúvidas: pedi que o pessoal acendesse os isqueiros e dessa maneira levamos o comício até o fim, num clima emocionante. O espírito da democracia que a gente ia respirando após tantos anos de ditadura contagiou a praça.
Logo depois, “Seu” Gentil fundou o PT de Potiraguá e até hoje continua na luta, desafiando a idade com aquela gana dos que acham que é possível fazer um mundo melhor, que o sonho é, sim, possível.
No último domingo, durante a visita de Jaques Wagner a Potiraguá, reencontrei e abracei “seu” Gentil, agora presidente de honra do PT local, mas acima de tudo um militante do partido que se confunde com sua própria vida.
Foi como um passeio no tempo, pra reforçar a convicção de que é compensador seguir o caminho que as vezes é mais longo e mais cheio de obstáculos, mas é o caminho que faz a gente acreditar que vale, valeu e valerá a pena caminhar.
INDEPENDÊNCIA E MORTES

O feriadão da Independência do Brasil terminou de forma trágica para quatro pessoas, vítimas dessas máquinas de matar em que se transformaram as estradas brasileiras.
Quatro mortos e quase duas dezenas de feridos.
Entre os mortos, uma mulher grávida.
Esse foi o saldo dos trinta acidentes nas rodovias federais e estaduais que cortam o Sul da Bahia.
Na maioria dos acidentes, a inconfundível marca da imprudência, do desrespeito às leis do trânsito.
Excesso de velocidade, ultrapassagens em locais de risco e consumo de álcool compõe o cardápio que resulta num saldo alarmante mortes, que ceifa vidas que ainda nem viram a luz do mundo, como no caso do bebê ainda em gestação.
A cada final de semana, a cada feriado prolongado, as cenas se repetem nas rodovias brasileiras: carros e corpos destroçados, choro, dor e lamentação.
Vidas perdidas para sempre.
Parece que de nada adiantam as campanhas educativas, porque mesmo conscientes dos riscos a que se expõem e expõem outras pessoas, motoristas continuam cometendo as maiores barbaridades ao volante.
Um dos casos emblemáticos é o trecho nas proximidades de Arataca e Camacan, na BR 101 no Sul da Bahia. Até as pedras e as árvores que margeiam a rodovia sabem que aquele trecho é altamente perigoso, o que exige cuidados redobrados dos motoristas.
Ainda assim, dos 30 acidentes registrados pelas policias rodoviárias estadual e federal, oito deles aconteceram justamente naquele trecho.
Como apenas orientar e educar não basta (e isso está comprovado pelas estatísticas) é necessário que se aja com rigor, se for o caso cassando definitivamente a carteira de habilitação dos maus motoristas, daqueles que usam o carro como uma arma mortífera.
É preciso que esses criminosos (não há outra expressão para defini-los) sejam banidos das rodovias, para que as pessoas que respeitam as leis de trânsito não fiquem expostas aos riscos que hoje transformam qualquer viagem numa aventura de alto risco.
Chega de tanto sangue nas estradas brasileiras.




















