Deu sono, mas é bom votar acordado

O debate entre os candidatos a presidente da república, transmitido na noite de quinta-feira pela Rede Globo, era apontado como decisivo, diante da indefinição do quadro eleitoral, em que a vitória de Dilma no 1º. turno é uma incógnita.
Em sendo assim, era de se esperar que José Serra, o único em condições reais de ir ao 2º. turno, confrontasse Dilma, trazendo à ribalta temas como Erenice Guerra e a quebra de sigilo fiscal de alguns tucanos, que poderia causar algum tipo de embaraço da petista.
Ou que fosse mais incisivo em suas propostas, mesmo aquelas meramente eleitoreiras, como o salário mínimo de 600 reais ou o pagamento do 13º. salário para os beneficiários do Bolsa-Família.
Era o típico debate, faltando dois dias para as eleições, em que Serra teria, utilizando um jargão do boxe, que colocar Dilma nas cordas e se possível levá-la ao nocaute.
Não aconteceu nada.
Serra, com todo o seu preparo, com o know how adquirido nas inúmeras eleições e nos incontáveis debates de que participou, parecia completamente alheio à importância daquele momento, da chance de falar para uma platéia na casa dos milhões de telespectadores/eleitores.
Que Dilma evitasse, abertamente, um confronto com ele, tudo bem. E isso Dilma fez com maestria.
Mas Serra evitar o confronto com Dilma, como ele claramente evitou, beira o inacreditável.
Em alguns momentos do debate (insosso, sonolento e amarrado pelas regras da Rede Globo) parecia que Serra estava ali cumprindo uma obrigação de campanha, rezando para que tudo aquilo acabasse rápido.
Televisão é imagem e no debate que se prenunciava decisivo, Serra foi a imagem de um homem cansado, à espera de que a sorte (que nesse caso atende pelo nome de Marina Silva) lhe jogue no colo um 2º. turno.
Marina, que por sinal, foi a Marina de sempre. A mulher frágil e boazinha, de discurso messiânico e que tem solução para todos os males do mundo. A conciliadora, pregando um 2º. turno, que se houver, não será entre ela e Dilma, mas entre Dilma e Serra.
Cumpriu, bem, o seu papel de opção para quem não quer a petista e o tucano, mas sem o brilho de quem poderia entrar pra valer no jogo nessa reta final.
E. finalmente, Plínio de Arruda Sampaio, que em todos os debates foi um misto de franco atirador e humorista involuntário, dessa vez parece ter se assustado com o tamanho da audiência global. Esteve mais para o bom velhinho do que para metralhadora giratória.
Enfim, todos se comportaram com extrema educação, extremo respeito mútuo, ninguém ganhou, ninguém perdeu.
Se o debate deu sono, como efetivamente deu, domingo é dia de ficar bem acordado.
E votar certo, nos candidatos que você entende serem os melhores para a sua cidade, o seu estado e o seu país.
Viva a democracia!
Você decide
Trata-se de um momento único, especial, decisivo, determinante.
Um momento que pode mudar sua vida e a vida de milhões de pessoas para melhor ou para pior.
Um momento que é ao mesmo tempo solitário e coletivo.
Ali, sozinho, você está decidindo por você e ao mesmo tempo por uma coletividade.
E está chegando esse momento.
Dentro de algumas horas, porque esses dois dias podem ser contados em horas, diante da urna, você estará decidindo o futuro de sua cidade, de seu estado, de seu país.
Após meses de bombardeio de mensagens, de candidatos se apresentando como defensores do povo, salvadores da pátria e mesmo projetos consistentes, é chegado o momento em que cabe a você -e apenas a você- filtrar essas informações.
E optar por aqueles candidatos que, no seu entender, reúnem melhores condições de atender aos anseios de sua comunidade, que efetivamente irão trabalhar e não simplesmente virar as costas, para retornarem na próxima eleição.
Porque, nesse período, o que não falta é gente com projetos mirabolantes, sorriso sedutor ou mesmo propostas mal disfarçadas para que você transforme seu voto, de arma da democracia, em reles mercadoria. É rima, jamais é solução.
Daí que, nesses instantes decisivos, é preciso refletir sobre aquele ato do próximo domingo, que dura menos do que um minuto, mas valerá pelos próximos quatro anos.
Por mais que a política muitas vezes pareça uma atividade não recomendável para pessoas sérias, existe sim muita gente decente, que faz da política um instrumento de melhoria da vida das pessoas.
Na verdade, é até maioria, que acaba sendo ofuscada pela rapinagem que parece generalizada.
E são essas pessoas, independente do partido a que pertençam, que merecem serem eleitas, porque quando se entende que o melhor é o pior, o melhor acaba sendo o pior mesmo.
Não vai aqui se falar em nomes, posto que a escolha é livre e democrática, mas de compromisso.
E compromisso é que uma coisa que se assume com a gente mesmo, para depois assumir com os outros.
Talvez seja essa a palavra certa: na sagrada hora do voto, naquele momento em que ninguém manda em você nem na sua consciência, faça a escolha que você julgar certa.
Pode ser e certamente será a escolha de sua vida.
Não desperdice essa oportunidade.
O tucano surfa na onda verde

Apostando cada vez mais na possibilidade de um segundo turno na eleição presidencial, a mídia mudou o foco: mantém a artilharia contra Dilma Roussef, mas vez mais espaço e incensa de forma nada sutil a candidata do Partido Verde, Marina Silva.
A aposta da mídia era de que com a pancadaria, Dilma cairia, como vem caindo, e os seus votos iriam para José Serra, levando o pleito ao 2º. turno.
Atiraram, literalmente, no que viram e acertaram no que não viram.
Serra estancou ou cresce dentro da chamada margem de erro nas pesquisas. Votos que antes eclosão do caso Erenice Guerra e de seu superdimensionamento pela mídia estavam destinados a Dilma migraram, quase em sua totalidade, para Marina Silva, até então mera coadjuvante no processo eleitoral.
Como Serra não sai do lugar, a esperança de levar a eleição para um imponderável 2º. turno atende pelo nome de Marina Silva, ainda que não seja ela e sim o tucano a ir para um eventual embate com a petista.
A tal “onda verde”, tábua de salvação da mídia engajada de corpo e alma na campanha demo-tucana vai servir justamente para que José Serra possa chegar ao 2º. turno, porque a menos que aconteça uma hecatombe faltando três dias para a eleição, Marina tem remotíssimas chances de terminar em segundo.
A soma do caso Erenice Guerra com a opção por Marina do eleitorado que se desencantou com Dilma gerou a situação inusitada em que o maior beneficiado é justamente aquele que, até quinze dias atrás, tinha a eleição praticamente perdida.
Marina Silva, obviamente, nada tem a ver com isso.
Entrou na eleição para marcar posição, com um discurso quase que exclusivamente ambientalista e agora pode não apenas levar a eleição para o 2º. turno como ser uma espécie de “fiel da balança”, a depender para que lado vai pender.
O fato é que, neste momento, Serra nem mais se preocupa em aumentar suas intenções de voto.
Basta que Dilma perca mais alguns pontos e Marina suba de forma tímida.
É, apenas como expressão bem humorada e sem conotação machista, a tal briga entre mulher e mulher em que o homem nem precisa meter a colher.
Nesse quadro, o debate desta quinta-feira, transmitido pela Rede Globo, torna-se uma decisão de Campeonato Brasileiro para Dilma, um palco especial para Marina um camarote privilegiado para Serra, que pode ganhar de presente um passaporte para o 2º. turno.
Nessa onda verde, o surfista pode ser um tucano.
Em tempo: como o DataFolha parece ter feito uma “correção de rumo” em sua ultima pesquisa, as chances do 2º. turno diminuíram. Mas, é de bom alvitre ficam alerta às manchetes nesse pouco tempo que resta para o pleito de domingo.
A DOR SILENCIOSA
O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente em Itabuna vai coordenar, em parceria com a Prefeitura de Itabuna, Vara da Infância e Juventude e outras instituições, visando combater um problema que afeta crianças e adolescentes de todas as classes sociais: a violência sexual.
Trata-se de um crime cuja intensidade nem sempre é possível mensurar, já que na maioria dos casos as vítimas não têm coragem de denunciar e muitas vezes a própria família faz vista grossa aos abusos.
Os dados estatísticos disponíveis apontam que em muitos casos, a violência sexual contra crianças e adolescentes acontecem dentro dos próprios lares e tem como autores pais, padrastos e outros parentes. Há situações que beiram a barbárie, com crianças de dois, três anos sendo abusadas dentro de casa.
O medo e a vergonha fazem com que os abusos sejam ocultados da polícia. Não é raro que esposas denunciem seus companheiros quando descobrem os abusos e logo depois retirem a queixa, impedindo que se faça justiça.
Além da violência sexual doméstica, existe ainda outra questão que é a da prostituição infanto-juvenil, em que por necessidade ou por pressão, crianças e jovens sejam empurradas para o mercado do sexo pago.
Uma passada por bares durante as madrugadas ou em pontos às margens do trecho da rodovia BR 101 que corta Itabuna é suficiente para observar meninas de 12, 13 anos se prostituindo.
As ações do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente se baseiam em eixos como Análise da Situação, Mobilização e Articulação, Defesa e Responsabilidade, Atendimento e Proteção e Protagonismo Juvenil.
No campo das boas intenções, maravilha.
A questão, e é isso o que esperamos ver acontecer, é passar da teoria à prática, transformando em ação a boa intenção e contribuindo para combater a violência sexual contra crianças e adolescentes.
Um processo que, diga-se, deve envolver toda a sociedade organizada.
Essa é uma dor silenciosa, uma ferida que mesmo ao cicatrizar deixa marcas para a vida toda.
RESPOSTA DEFINITIVA

Início da década de 80. Debate na TV entre os candidatos ao governo de São Paulo.
Paulo Maluf, que já era Maluf, vira-se para Mario Covas, um poço transbordando de ética e dignidade, e faz uma pergunta sobre honestidade.
Covas, com seu vozeirão de locutor de rádio do interior, foi definitivo:
-Ô Maluf, eu não vou discutir honestidade com você.
Assunto encerrado.
MEUS ANJOS DE LUZ
Filhos são um presente de Deus, uma dádiva que dá sentido à vida.
Nesse quesito, Deus foi extremamente generoso com esse blogueiro, concedendo-me duas filhas maravilhosas, Sarah e Hannah.
Sarah está no penúltimo semestre de Gastronomia na Faculdade Jorge Amado em Salvador e entrou na etapa de produzir os mais variados cardápios, com aquele talento especial para a culinária.
Hannah conclui em 2011 o curso de Medicina Veterinária da Uesc e já está visitando frigoríficos, abatedouros e hospitais. Vai longe com esse misto de obstinação, sensibilidade e doçura.
Admirar essas mocinhas que pra gente nunca deixam de ser crianças, me faz sentir meio bobalhão, de tão feliz.
Sarah e Hannah, minhas duas filhas, meus dois anjos de luz a iluminar o caminho que escolhi trilhar, o mais difícil e tortuoso, mas indiscutivelmente o mais compensador.




















