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Céu estrelado, tucano ressabiado

A pesquisa DataFolha sobre a sucessão presidencial, publicada no final de semana, confirma aquilo que o Vox Populi e o Sensus já indicavam: Dilma Roussef e José Serra vão disputar uma eleição acirradíssima, sem qualquer favoritismo para um ou outro candidato.
De acordo com o DataFolha, Dilma Roussef teve um crescimento de sete pontos porcentuais e empatou com o pré-candidato do PSDB, José Serra, que caiu cinco pontos percentuais. O dois candidatos somam 37% cada. Dilma saiu de 30% para 37% e Serra saiu de 42% caindo para 37%, comparando-se com a ultima pesquisa do mesmo instituto.
Outro dado relevante é que na pesquisa espontânea, em que não são apresentados os nomes dos candidatos, Dilma lidera com 19%. Ela subiu seis pontos em relação a pesquisa anterior, apresentando uma diferença de cinco pontos porcentuais em relação a Serra que tem 14%.
Se nas pesquisas anteriores Dilma subia de forma lenta, mas consistente e Serra permanecia estagnado nos mesmos patamares, desta vez a pré-candidata do PT dá um salto significativo, ao passo que o pré-candidato tucano despenca na mesma proporção, tanto que num eventual segundo turno ambos também aparecem empatados tecnicamente, com Dilma um ponto à frente.
Pesquisa eleitoral é apenas o retrato de um momento e também o indicativo de uma tendência.
E o retrato do momento, a tendência é que Dilma Roussef pode sim passar José Serra e ganhar a eleição.
Estamos aqui falando de tendência e não de fato consumado, porque se assim fosse, bastava definir o vencedor através da pesquisa, dispensando-se a eleição.
Mas o fato inquestionável -e não adianta brigar com números- é que a candidata escolhida por Lula para sucedê-lo, tem todas as condições de se tornar a primeira mulher a assumir a presidência da república no Brasil.
E Lula, do alto dos 76% de aprovação popular, registrados pelo próprio DataFolha, é um “cabo eleitoral” de peso, capaz de definir a eleição em favor de Dilma Roussef, mesmo diante de um candidato com a experiência e a envergadura de José Serra.
A pesquisa DataFolha, que nada tem de definitiva, de qualquer maneira dá um novo impulso à candidatura de Dilma Roussef, especialmente no ânimo da militância petista e na composição das alianças com outros partidos, alguns deles fisiologistas até a alma, esperando para saber de que lado o vento bate para decidir em qual canoa vão embarcar.
E acende uma luz amarela na candidatura de José Serra, sepultando de vez a tese (se é que ela um dia existiu) do passeio eleitoral, para se configurar com uma batalha que só será decidida na reta final da campanha.
A pré-campanha dá uma pausa para a Copa do Mundo, quando as atenções se voltam para o desempenho do Brasil, mas quando a bola parar de rolar nos gramados da África do Sul, o jogo eleitoral vai esquentar de vez.
Com a estrela lutando para voar mais alto e o tucano brigando para não ser abatido em pleno vôo.
Soldadinhos de Chumbo

O estudante José Denisson da Silva Neto, de 17 anos, foi assassinado brutalmente na porta do Colégio Ciso, em Itabuna, na tarde de quinta-feira, dia 20.
Denisson estava na porta da escola, quando dois homens se aproximaram em uma moto, desceram e um deles deflagrou quatro tiros que o atingiram o estudante na perna direita, abdome, braço esquerdo e nas costas. O jovem, que cursava o primeiro ano do ensino médio, morreu na hora.
“Não, José Denisson não era apenas um estudante e sim um jovem envolvido com o tráfico de drogas, que morreu numa guerra pela disputa dos pontos de venda”, bradaram os simplistas, reverberando o noticiário policial, quase que com o alivio de que há um marginal a menos em circulação.
Mas, não é tão simples assim.
José Denisson era apenas um estudante, jovem da periferia paupérrima de Ilhéus que se mudou com a família para a periferia paupérrima de Itabuna.
O consumo de drogas foi o caminho natural de uma existência em meio a grandes dificuldades e nenhuma perspectiva de futuro.
Um perfil que se encaixa perfeitamente no padrão de crianças e adolescentes que são recrutados pelos traficantes.
De consumidor, ele passou a vendedor de drogas.
Um desses inúmeros soldadinhos do tráfico, que comercializam pequenas quantidades em portas de escolas e bares, ganhando um dinheirinho que mal dá pra sustentar o próprio vício.
E que de tão abundantes no, digamos, mercado, acabam se tornando absolutamente descartáveis, visto que não faltam peças de reposição.
José Denisson foi apenas mais peça descartada nessa engrenagem macabra, em que o tráfico encurta a vida de milhares de jovens e adolescentes.
No momento em que José Denisson deixou de ser apenas estudante para se tornar estudante e soldadinho do tráfico, selou o próprio destino.
Morreu como morrem tantos e tantos soldadinhos, tombados numa guerra que quase sempre só atinge a parte de baixo do submundo das drogas.
É lícito supor que se existissem políticas públicas de inclusão de jovens e adolescentes, José José Denisson não estaria na porta do colégio, onde encontrou a morte, mas na sala de aula, onde poderia encontrar um futuro melhor.
Inúteis perorações, verborragia pura, diante de um corpo estendido no chão, diante dos colegas de escola, testemunhas de uma lição de violência cotidiana que assusta, mas que não se faz absolutamente nada para evitar.
Não foram apenas quatro tiros que mataram José José Denisson.
Foi também uma arma letal que atende pelo nome de omissão.
Quando o interesse do patrão está acima do interesse popular



Na noite de quarta-feira, a Rede Globo exibiu mais uma reportagem contrária à implantação do Porto Sul em Ilhéus, desta vez repercutindo a entrega de um documento em que ambientalistas pediram à ministra do meio ambiente que a obra não seja realizada.
A exemplo do que ocorreu na cobertura de um abraço à Lagoa Encantada, convescote entre empresários hoteleiros, milionários, artistas e ambientalistas, que rendeu reportagens no Fantástico e no Bom Dia Brasil; a matéria sobre o encontro com a ministra usou a Lagoa como uma espécie de “isca”, já que o local não sofrerá qualquer impacto com a implantação do empreendimento.
Mas, entre mostrar a Ponta da Tulha, um vilarejo cheio de problemas e com elevado índice de desemprego, onde a base operacional do Porto Sul será implantada, e a paradisíaca Lagoa Encantada, optou-se pelo engodo, o que aliás tem sido praxe nessa questão do Porto Sul. Imagina-se o efeito que hipotética destruição daquela maravilha na natureza tem sobre as pessoas que assistem aos telejornais globais.
As reportagens veiculadas pela Rede Globo são o que, no jargão jornalístico, chama-se de IP, sigla para Interesse do Patrão.
Explica-se: por trás da aparente preocupação ambiental demonstrada pela Rede Globo, em matérias questionando a Ferrovia Oeste-Leste e Porto Sul, em Ilhéus, no Sul da Bahia, está o interesse particular de um dos proprietários das Organizações Globo, o empresário Roberto Irineu Marinho, que possui móveis na região. No caso de Roberto Irineu Marinho e de outro mega-empresários (alguns deles também mega-anunciantes na Rede Globo), que vez por outra desfrutam as belezas naturais do Sul da Bahia, mas desconhecem a realidade local, o único impacto será a visão dos navios que farão o transporte de minérios, no cais off shore, localizado a quatro quilômetros da praia.
Quando aos ambientalistas, existe sim muita gente bem intencionada, algumas delas com certa dose de ingenuidade, fácil de ser manipulada. Gente que está sim, preocupada com a conservação da natureza e que vê o porto como ameaça.
Mas existe também gente que faz da causa ambientalista um negócio altamente rentável, que se alia aos hoteleiros e donos de mansões em nome dos próprios interesses, pouco se importando com os impactos positivos que o Porto Sul terá numa economia combalida pela vassoura-de-bruxa.
Na mesma tarde em que a Rede Globo cobria o encontro de um empresário milionário e de um ambientalista com a ministra, centenas de representações empresarias, sindicais e de associações de moradores de Ilhéus se reuniam para se posicionar favoravelmente ao Porto Sul.
Nem um mísero repórter da emissora apareceu por lá.
Entre o interesse do patrão e o interesse popular, a Rede Globo nem titubeia em suas escolhas.
OBRIGADO, OBRIGADO, OBRIGADO…
Faltam palavras a este blogueiro, tão acostumado a lidar com elas, para exprimir a gratidão pela presença de tantos amigos no lançamento de meu livro “Vassoura”, modesta obra literária, mas que se torna gigantesca pelas pessoas que reuni no Centro Cultural Adonias Filho, em Itabuna.
Por ora, apenas meu muito obrigado a todos.
PRAÇA DE GUERRA

Poucos logradouros públicos têm um nome tão desenxabido como a Praça do Trabalho, no bairro Pontalzinho, em Itabuna.
Trabalho?
Com quase uma dezena de bares em seu entorno e nas ruas próximas, ponto de encontro de milhares de pessoas nos feriados e finais de semana, o nome que mais lhe convém é Praça do Lazer.
Versão grapiuna da famosa Passarela do Álcool em Porto Seguro, a Praça do Lazer, ou vá lá que seja, do Trabalho, faz jus à fama boêmia de uma cidade de vida noturna intensa e agitada, de gente empreendedora, mas que não abre mão de diversão.
Mas, nos últimos anos, o que deveria ser a celebração da alegria, se transformou num caldeirão de violência, alimentado por um mal disfarçado consumo de drogas, que muitas vezes é feito abertamente, com direito até a uma espécie de “delivery”.
O usuário faz o pedido por telefone e a droga é entregue de moto, como se fosse uma pizza ou um hambúrguer.
Uma minoria, em meio a multidão que está apenas se divertindo em torno de uma cervejinha gelada, mas que acaba expondo todos ao risco de sofrer algum tipo de violência.
E a Praça do Trabalho, que deveria se chamar praça do Lazer, está mesmo a merecer o nome de Praça de Guerra.
Ou não é uma Praça de Guerra um local em que cinco pessoas são baleadas num único final de semana e em que já houve até execução sumária, diante de centenas de testemunhas?
Praça de Guerra cai melhor num lugar onde as pessoas deveriam se divertir, mas se colocam em meio ao faroeste dos tiros disparados a esmo.
Nos casos dos cinco baleados no final de semana, em dois deles, os bandidos chegaram de moto, atirando, como se estivessem, perdão, se divertindo numa brincadeira de tiro ao alvo.
A professora de educação física Jaqueline Oliveira Santos, atingida de raspão, e o marido dela, José Odimar Pamponet da Silva, que levou dois tiros na região do abdome, estavam num dos bares quando foram surpreendidos pelos marginais.
De acordo com a professora, os bandidos chegaram de moto, atirando, criando um clima de pânico no local.
É como se os marginais estivessem, perdão, se divertindo numa brincadeira de tiro ao alvo, apesar pelo prazer de exercer a violência.
Praça do Trabalho.
Praça do Lazer.
Praça de Guerra.
E a praça, que um dia foi do povo como o céu um dia foi do condor e hoje é do avião, vai sendo tomada pela bandidagem, matando o sacrossanto direito que todo o cidadão tem de se divertir.
Até se deliciar com uma cervejinha estupidamente gelada e tornou uma aventura de altíssimo risco.
Será que, perdão pelo trocadilho que desce quadrado, dá tanto trabalho assim para a polícia intensificar o patrulhamento na praça, para que ela volte e ser um local de lazer e não de guerra?
AGORA SÓ FALTA PLANTAR UMA ÁRVORE…
No próximo dia 18 de maio, este jornalista e blogueiro estará lançando em Itabuna, o livro “Vassoura”, uma série de contos e crônicas que tem como tema a vassoura-de-bruxa, doença que destroçou a economia da Região Cacaueira da Bahia, a partir de sua disseminação no início da década de 90 do século passado. Trata-se de uma obra de ficção, em que a abordagem foca as tragédias pessoais provocadas pelo fungo, cujo poder de destruição se mostrou letal, e em poucos anos fez cair em quase 90% a produção de cacau e reduziu fortunas a pó.
A despeito do impacto negativo que provocou na vida de milhares de pessoas, enquanto literatura o tema é fascinante e foi isso que o procurei fazer neste livro.
“Vassoura”, editado pela Via Litterarum, possui 23 textos em que o autor conta episódios focando dramas pontuais da transição de uma região que perdeu sua referência econômica, fazendo uma analogia com fatos, personagens e/ou cenários bíblicos.
O livro “Vassoura” será vendido por 15 reais e pode ser adquirido através do site www.vialiterarum.com.br ou dos telefones (73) 3212-6034 ou (73) 9981-7482. Em Itabuna, também estará disponível na banca de jornais ao lado a FTC.
“Dias depois, estavam morando juntos, dividindo a mesma cama sob um teto cheio de buracos que, nas lindas noites de verão, podiam contemplar estrelas, distraídos.
A bruxa, que tantas vidas havia tragado, tantas tragédias pessoais e coletivas havia causado, abençoara aquele encontro mais do que improvável.
Virava, ainda que por linhas tortas, uma fada.
E eles que nunca tiveram nada, juntaram o pouco que agora tinham e foram felizes para sempre!”
Trecho de “Irmão Sol, Irmã Lua”
“A Rua do Coronel era séria candidata a virar Bairro do Coronel, não fosse a bruxa tirar do fazendeiro primeiro a riqueza e, por fim, o desejo.
Em pouco tempo, com as terras arruinadas pela doença devastadora, já não podia abastecer as mulheres de cama, nem os seus filhos de conforto.
E em mais um pouquinho de tempo, a Rua do Coronel, pela necessidade de suas mulheres e pela fome de seus meninos, acabou virando apenas a Rua das Putas.”
Trecho de “Crescei-vos e Multiplicai-vos”
O pão que o diabo amassou

18 de Maio é o Dia Nacional de Combate ao Abuso Sexual de Crianças e Adolescentes.
Em todo o Brasil, instituições públicas e setores da sociedade civil organizada estarão mobilizados para chamar a atenção para este crime que é o abuso contra pessoas indefesas, que são covardemente exploradas e muitas vezes ficam com marcas e traumas que carregam por toda a vida.
A campanha inclui a distribuição de folhetos com orientação e telefones para denuncias de abusos e adesivos para automóveis, além de palestras em escolas, entidades e clubes de serviço.
Um verdadeiro grito contra a exploração sexual de menores, que tomou proporções alarmantes e não raro acontecem no aconchego do lar?
Aconchego?
Se a idade permitisse, tentem traduzir essa palavra para uma menina de apenas três meses, moradora de um bairro da periferia de Itabuna, num dos inúmeros casos em que o suposto protetor é na verdade um monstro devorador.
Aproveitando-se da ingenuidade da criança, José Carlos Lima, o Guardinha, de 55 anos, passou a abusar sexualmente dela, atraindo a menina para sua residência em troca de um pedaço de pão.
O relato é da própria vítima:
-Ele me deu o pão, depois falou que tinha que namorar com ele, enfiou a mão em mim, tirou o pinto e depois tentou colocar aqui…
Por “aqui”, a criança quis dizer (e apontou com as mãos) o próprio órgão genital.
Enojante!
O pior de tudo é que existem milhares de ´guardinhas` à solta, abusando e explorando sexualmente de crianças e adolescentes, não raro protegidos pelo misto de vergonha e medo que as vítimas tem de denunciar.
Pessoas aparentemente normais, sociáveis, mas que escondem um monstro dentro de si, prontas a devorar o corpo, a alma e a vida de gente inocente.
Como a menina de três anos, vítima não apenas da brutalidade, mas da fome, posto que foi atraída por sua presa por um mísero pedaço de pão.
Mobilizar a sociedade e chamar a atenção para esse grave problema é uma ótima iniciativa.
A outra é punir com rigor essas bestas-feras, tratando-as como animais da pior espécie que são.
No mais, a omissão é quase consentimento.
Portanto, as pessoas que presenciarem e/ou tiverem informações sobre abusos sexuais contra crianças e adolescentes podem ligar para o número 100, que é o do Disque Denuncia Nacional.
Ou, então, acionar a polícia através do número 190.
TORTURADORES NUNCA MAIS
NOS DIAS 20 E 21 DE MAIO A OEA REALIZARÁ AUDIÊNCIA PARA JULGAR O CASO DOS DESAPARECIDOS DA GUERRILHA DO ARAGUAIA E IRÁ SE POSICIONAR TAMBÉM SOBRE A IMPUNIDADE DOS AGENTES PÚBLICOS QUE SEQUESTRARAM, TORTURARAM, ESTUPRARAM, ASSASSINARAM E DESAPARECERAM COM OS OPOSITORES DO REGIME MILITAR, HOJE BENEFICIADOS PELA LEI DE AUTO-ANISTIA. O STF DEIXOU IMPUNES OS TORTURADORES DA DITADURA MILITAR 1964-1985.
PATEO DO COLÉGIO
DIA 18/05/2010 ÀS 14:30 HORAS
PRÓXIMO À ESTAÇÃO SÉ DO METRO
MANIFESTE-SE CONTRA A IMPUNIDADE DE ONTEM E DE HOJE
PELA APURAÇÃO DAS TORTURAS E ASSASSINATOS DO PERÍODO DA DITADURA MILITAR.
PELO CUMPRIMENTO DOS TRATADOS INTERNACIONAIS SOBRE DIREITOS HUMANOS.
PELA ABERTURA DOS ARQUIVOS DOS CENTROS DE INTELIGÊNCIA MILITARES.
PELO DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE COM JUSTIÇA.
PELA MUDANÇA DE CONDUTA DAS FORÇAS DE SEGURANÇA PÚBLICA DE HOJE E O FIM DA VIOLÊNCIA, PERSEGUIÇÃO E TORTURA CONTRA A POPULAÇÃO POBRE BRASILEIRA.
PELA DESCRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS.
C O M P A R E Ç A
TRAGA SUA VELA PELOS MORTOS E DESAPARECIDOS
Ame-a ou deixe-a

A camiseta amarela, vestida calculadamente pelo técnico Dunga sob a camisa verde, não deixava margens para qualquer dúvida: o patriotismo -ou pior, a patriotada- entrou em campo junto com a Seleção Brasileira que vai disputar a Copa do Mundo da África.
Comprometimento, espírito de Seleção, amor pela pátria e torcida apaixonada, sem falar na inevitável busca da vitória a qualquer custo, foram palavras usadas à exaustão por Dunga.
Só faltou dizer, e faltou pouco para dizer, que quem não gostasse da Seleção Brasileira, que fosse torcer pela Argentina, a Espanha, a Holanda, a Nova Zelândia.
Bem no estilo “ame-a ou deixe-a”, jargão utilizado pela Ditadura Militar no auge do ufanismo Brasil Grande.
Estupidez a parte, já que esse tipo de discurso não tem nenhum sentido, Dunga tem lá suas razões.
De fato é preciso amar muito a Seleção Brasileira para torcer por uma equipe cujo treinador abriu mão do talento para priorizar a força, o suor, o tal comprometimento.
É preciso ser torcedor apaixonado para amar um time de guerreiros (claro que a referência explicita à cerveja que patrocina a CBF e colocou o treinador como estrela de um de seus comerciais é mera coincidência).
Ou será que algum torcedor enche o peito de orgulho e grita, a plenos pulmões, nomes como Felipe Mello, Josué, Gilberto Silva, Kleberson, Elano, Julio Batista, Lucio, Gilberto e quetais?
Porque, tirando o talento de um Kaká craque indiscutível, mas meio baleado, os lampejos de Robinho e o faro de goleador de Luis Fabiano, o resto é tudo “guerreiro mesmo”, um monte de dungas obstinados, tratando a bola não como um objeto de arte, mas como algo a ser domado.
Nem que seja apenas na força física, na transpiração.
Temos, enfim, uma versão atual da Seleção que, aos trancos e barrancos, conquistou a Copa de 94 na decisão por pênaltis contra a Itália, após o 0x0 nos 90 minutos e na prorrogação.
Na época, Dunga era o capitão.
Agora, é o general, perdão, o treinador.
E lá vamos nós, para a guerra na África, sem nem ao menos um Ganso para por um pouco de alegria nesse batalhão…
BOLA DE CRISTAL
Mesmo com esse time meia boca, o Brasil ganha a Copa do Mundo.
A fórceps, matando o torcedor do coração, mas como diria Dunga, quem quer espetáculo, que vá ao ballet.
Alguém sabe de um bom espetáculo em cartaz?
Um presente da polícia para o Dia das Mães

“Eu vi meu filho ser espancado até a morte na minha frente e não pude nem chamar a policia pra socorrer ele. Porque era a polícia quem estava matando meu filho”.
Pouquíssimas vezes a frase proferida por uma mãe, e ainda por cima proferida na véspera do Dia das Mães, soou tão marcante, tão dolorosa.
Num mundo onde a brutalidade impera, onde nada mais parece chocar diante da insanidade da violência, ainda existem situações em que a barbárie consegue descer a níveis inimagináveis.
A mãe que não pode chamar a polícia para salvar seu filho porque era polícia quem estava matando seu filho mora em São Paulo, o estado mais rico e desenvolvido do Brasil e sua história é daquelas coisas que desafiam o bom senso, a civilidade e o menor resquício de decência que possa existir num ser humano (humano?).
O filho dessa mãe que não pode chamar a polícia porque era a polícia quem o estava matando era um rapaz trabalhador, um motoboy, que ao chegar em casa se deparou com uma blitz da polícia.
Com a moto sem placas, embora em situação regular, o rapaz ignorou a blitz e se dirigiu ao portão de casa, chamando pela mãe, para que ela confirmasse que ele morava ali e que o veículo era mesmo dele.
E aí, a polícia que bate e depois pergunta, bateu e nem chegou a perguntar. Continuou batendo, enquanto o rapaz gritava de dor e gritava pela mãe.
A mãe atendeu ao clamor do filho e foi ao portão de casa. Tentou conter a pancadaria, mas foi ameaçada com uma arma na cabeça e uma saraivada de ofensas.
Os policiais só pararam de bater quando o rapaz estava desacordado.
Minutos depois, ele estava morto pela polícia que deveria protegê-lo. Por marginais que a farda e a posse de uma arma às vezes tornam mais perigosos que o mais perigoso dos marginais.
À mãe, só restou o Dia das Mães mais triste de sua vida.
E depois, a frase lapidar, que grita mais alto do que os gritos de dor do filho, nos seus lancinantes últimos momentos de vida.
“Eu vi meu filho ser espancado até a morte na minha frente e não pude nem chamar a policia pra socorrer ele. Porque era a polícia quem estava matando meu filho”.

























