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GÊNIO CENTENÁRIO

O gênio que “planejou” a realização de obras na avenida do Cinqüentenário em Itabuna merece ganhar o prêmio de urbanista do ano, quiçá do século ou do milênio.
Não é qualquer um que, a pretexto de ter alguma coisa para entregar no centenário da cidade, toca uma obra no período que compreende o Dia das Mães, Dia dos Namorados, São João e de lambuja a Copa do Mundo, promovendo uma barafunda que está jogando as vendas para baixo, quando as vendas deveriam estar é lá em cima.
Por justiça, tal prêmio deve ter a chancela da CDL e Associação Comercial de Itabuna, cujos dirigentes são ferrenhos adeptos do lema ´hay gobierno, soy a favor´.
Os verdadeiros aloprados

O ´esquema´ é sempre o mesmo: a revista Veja fabrica uma denuncia supostamente bombástica a partir de uma bobagem e a Rede Globo repercute em seus telejornais.
Bingo! Está armado mais um escândalo, com vistas a prejudicar o PT. Mesmo que a denuncia seja vazia, que os fatos não se sustentem, a revista publica e a tevê reverbera, dando ares de gravidade a algo que não faça de um factóide.
A tática se repete naquele que já está ficando conhecido como o “escândalo” dos Aloprados 2, referência aos petistas que na campanha de 2006 tentaram comprar de uns picaretas um dossiê com supostas denuncias contra José Serra, então candidato ao Governo de São Paulo.
Na época, o dinheiro utilizado para a compra do dossiê foi fotografado de maneira a parecer uma montanha de reais, apareceu com estardalhaço na mídia e levou a eleição presidencial para o segundo turno. Mas como a mentira, mesmo repetida à exaustão, não se sustenta indefinidamente, Lula ganhou a eleição com uma votação histórica.
Acaba eleição, começa eleição e a mídia não se emenda.
Bastou Dilma Roussef empatar com José Serra nas pesquisas de intenção de voto, com chances concretas de vencer o tucano, para que setores da mídia que o jornalista Paulo Henrique Amorim chama muito apropriadamente de Partido da Imprensa Golpista (PIG) partisse para o ataque, antes mesmo que a campanha comece pra valer.
E de novo, surgiu um dossiê.
De novo engendrado por petistas.
Verdade seja dita: desde que o mundo é mundo e campanha é campanha, que são montados dossiês, com os pontos positivos e negativos dos adversários, sem que o mundo acabe por causa disso. Eleição não é escolha da nova madre superiora de uma ordem de freiras carmelitas e o jogo às vezes é jogado com golpes abaixo da linha da cintura.
O absurdo dessa denuncia fabricada pela Veja e trombeteada pela Rede Globo é que não houve elaboração de dossiê algum, posto que a idéia foi abortada no nascedouro pela comando da campanha de Dilma.
Se não há dossiê, não há notícia nem escândalo, certo…
Errado.
Para os golpistas da mídia, há muito que o compromisso com os fatos, a verdade e a imparcialidade foram chutados para bem longe.
Dilma e o PT tem que ser derrotados de qualquer maneira e dane-se o que ainda resta de credibilidade desses veículos de comunicação que já não tem o poder de influência que imaginam sobre a opinião pública.
Prova disso é que, a despeito do constante bombardeio que sofre, a popularidade de Lula bate nas alturas e sua candidata a presidente, uma neófita em eleições, está aí ombreando com José Serra.
Daí o pânico na tevê.
E também nas revistas, nos jornais…
Não é difícil detectar quem são os verdadeiros aloprados.
REI POSTO

Após mais de duas décadas reinando soberano à frente da Fundação dos Deficientes do Sul da Bahia, Iacilton Prado Queiroz deixou o cargo.
Quem acaba de assumir a presidência é Renan Brandão, aposentado da Ceplac, que tem planos de arejar a entidade que abrange 26 municípios.
“Vamos atuar no sentido de que os direitos dos portadores de necessidades especiais
sejam respeitados”, afirma Renan.
É tarefa pra leão!
SeleDunga

Durante uma entrevista coletiva à imprensa, o técnico Dunga, ao falar sobre a escalação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo, disse que “essa é a minha Seleção, porque não é a da maioria de vocês”.
Por ´vocês` entenda-se os jornalistas brasileiros que estão na África do Sul para a cobertura da Copa.
Foi mais uma demonstração de mau-humor do treinador, cujo ressentimento parece não ter limites, como se todo mundo estivesse contra ele e, na copa, é ele contra todo mundo.
Dunga não perde a chance de atingir a imprensa com seus petardos, como se os jornalistas fossem obrigados a encarnar esse espírito patriótico que beira a imbecilidade, mas que o treinador tem como mantra sagrado.
Quase quarenta anos após o período mais sangrento da ditadura militar no Brasil, Dunga parece rever o slogan “ame-a ou deixe-a”, como se a seleção fosse a encarnação da Pátria Amada Brasil daquela época que não deixou saudades.
Não é por aí.
Por mais que a Seleção Brasileira não empolgue, ela não é apenas de Dunga.
Ela é também de milhões de brasileiros que, na Copa do Mundo, elevam às alturas a paixão pelo futebol, se vestem de verde e amarelo e torcem pela conquista de mais um título mundial.
Gente que, mesmo tendo que engolir um time apenas guerreiro (epa, olha o merchandising da Brahma, que prefiro receber em Bohemias!), ainda assim vive esse clima tão característico de Copa do Mundo, quando o pais para diante da televisão.
O que não quer dizer -e isso não entra na cabeça de Dunga- que jornalistas e torcedores não possam questionar a convocação (agora irreversível) e a escalação do time.
Em seu estilo militar, Dunga pode até transformar a concentração da seleção brasileira num quartel, mas não pode exigir unaminidade, nem uma imprensa que só elogia.
E não dá mesmo para haver unaminidade para um treinador que abriu mão de Paulo Henrique Ganso, Neymar, Ernanes e Ronaldinho Gaúcho para ficar com Josué, Felipe Melo, Kleberson e Grafite.
Repito o que tenho dito: o Brasil pode até ganhar a Copa e tenho a impressão de que vai ganhar.
Mas será na base da força física, da correria, da tradição e de alguns lampejos. Nada que encante o torcedor ou que, daqui a duas ou três décadas, seja lembra com saudade.
Enfim, está aí a SeleDunga!
Bom dia? “Sé se for para sua mãe”, diria o anão-treinador.
MULHER BOLA

O volante-brucutu da Seleção Brasileira, Felipe Mello, condenou a bola a ser usada na Copa do Mundo, a Jabulani, a uma patricinha, que não gosta de ser chutada. E que prefere bola tipo “mulher de malandro”, que gosta de apanhar.
A comparação é estapafúrdia, mas é bem a cara do time de Dunga.
A pobre da bola vai apanhar mais do que a mulher de malandro. E se bobear, até o malandro em questão entre na porrada.
Viajando com o perigo

No imaginário da juventude, o automóvel sempre esteve associado à liberdade e também a uma certa dose de rebeldia.
Ao completar 18 anos, quase todo jovem sonha em tirar a carteira de habilitação e passar a dirigir. O carro é quase como um rito de passagem da adolescência para uma nova etapa de vida.
Pena que, além da pretensa liberdade, o carro acabe associado a uma tragédia que não é exclusiva do Brasil, mas que aqui ganha proporções assustadoras: os acidentes de trânsito, com uma legião de mortos e feridos.
O Brasil tem cerca de 400 mil vítimas de acidentes de trânsito por ano, com quase 40 mil mortes. Nem países em permanente estado de guerra, como o Iraque e o Afeganistão, produzem números semelhantes.
Na Bahia, foram cerca de cinco mil acidentes nos últimos doze meses com um mais de 400 mortos. Esses números referem-se apenas às rodovias federais, não inclui as estradas estaduais e as vias urbanas, onde a situação não é diferente.
Onde é que o jovem entra nessa história de terror?
Entra como protagonista, ator principal.
Na Bahia, jovens entre 18 e 29 anos representam 25% do total das carteiras de habilitação, mas respondem 45% dos mortos e feridos em acidentes. É o maior percentual entre todas as faixas etárias.
O motorista brasileiro é um imprudente por excelência. Não respeita as leis de trânsito, abusa da velocidade e ainda não percebeu que bebida e direção, definitivamente, não combinam. Esses fatores são responsáveis por 95% dos acidentes nas estradas brasileiras. O péssimo estado de conservação das rodovias, apontado como vilão, responde por meros 5% das ocorrências.
A esses defeitos, o jovem acrescenta mais um: o excesso de confiança, típico da idade, em que o vigor físico atinge o auge e transgredir faz parte do estilo de vida. Uma regra que, na virada dos anos 60/70 do século passado, Caetano Veloso sintetizou no “É Proibido Proibir”. Como se tudo fosse possível e permitido.
É o excesso de confiança que leva às ultrapassagens que beiram a insanidade, ao “pé embaixo” no acelerador. O carro, que deveria ser um acessório importante de locomoção e, até mesmo, um símbolo de liberdade, acaba se transformando numa arma muitas vezes letal.
Todos os anos, milhares de jovens tem suas vidas ceifadas ou irremediavelmente comprometidas pelos acidentes. Pais, familiares e amigos choram a dor de perdas prematuras e inesperadas.
Apesar de números tão assustadores, o festival de imprudência continua e o número de mortos e feridos não para de aumentar, numa estatística macabra que desafia o bom senso.
A vida é bela demais para, em nome de uma rebeldia tola e inconseqüente, terminar na próxima curva, no próximo semáforo vermelho, na próxima ultrapassagem arriscada, no próximo “pega”…
Quem arrisca a vida dessa maneira só não é um completo otário porque é mais do que isso: um irresponsável completo que ainda expõe a vida de pessoas inocentes.
SÃO JOÃOMO TOTAL
Cada vez que me deparo com outdoors anunciando festas juninas promovidas pela prefeituras com atrações de primeiro time do forró (e preços estratosféricos) e depois vejo as lamentações de prefeitos alegando que não tem recursos para pagar funcionários e fornecedores e manter serviços essenciais, dá vontade de rir.
Só não é o caso de gargalhar porque algumas dessas festas deveriam ser patrocinados pelo Omo Total, aquele que lava o dinheiro, perdão, a roupa, mais branco.
Guerreiros Africanos

Depois de uma semana concentrados na Vila Militar, perdão, no campo de treinamento do Atlético Paranaense em Curitiba, e de uma rápida passagem por Brasília, onde fizeram cena e posaram para fotos ao lado do presidente Lula, os soldados do capitão Dunga desembarcaram na África do Sul, onde daqui a alguns dias começa a Copa do Mundo, maior evento esportivo do planeta.
A Seleção Brasileira, que não é necessariamente a seleção dos sonhos dos brasileiros, tentará nos gramados africanos o seu sexto título mundial, distanciando-se da Itália, detentora de quatro copas e da Alemanha, com três conquistas.
Uma seleção que não tem nada de sonho.
Foi construída a partir da visão da realidade e de futebol de Dunga, exatamente à imagem e semelhança do treinador.
Esqueçam o futebol arte. Isso é coisa de figurinha amarelada pelo tempo e imagens de televisão em preto e branco ou das transmissões de rádio.
Agora, é comprometimento, dedicação, suor, amor à pátria (isso num time de milionários da bola, a esmagadora maioria jogando no exterior), espírito guerreiro.
É assim que a seleção vai em busca do hexa.
Uma defesa forte, com um goleiro em grande fase, dois bons alas e três zagueiros arrasa-quarteirão.
No meio de campo, mais dois brutamontes para auxiliar a defesa e apenas um jogador extra-classe, Kaká, e ainda assim envolvido com uma série de contusões.
No ataque, o centroavante Luis Fabiano, sem a técnica do Ronaldo dos bons tempos, mas com faro de gol, tendo como companheiro solitário Robinho, que fracassou na Europa, recuperou parte de seu futebol no Santos e que fará um bem danado à seleção se atuar como atua nos comerciais de marcas de carro, aparelho de televisão, telefone celular e até de salsinha.
Se Dunga precisar do banco de reservas, que o deus dos estádios nos ilumine e proteja: Josué, Kléberson, Gilberto, Julio Baptista e Grafite são algumas das opções do treinador.
Mesmo com uma seleção meia boca, sem nenhum gênio indiscutível da bola, dá para ganhar a Copa?
Por incrível que pareça, a resposta é sim.
Não há, no futebol atual, nenhuma grande seleção, daquelas que se aposta sem risco de errar.
A Argentina tem Messi e uma penca de craques, a Holanda joga bonito e a Espanha finalmente montou um time competitivo, mas parecem tremer mesmo quando encaram um Brasil mambembão.
No mais, é preparo físico, velocidade e a tática do “defende como pode, ataca quando dá”.
É esperar a bola rodar para ver no que dá…
Chacina!!!

Hugo Soares da Silva, 45 anos; Lucas Santos Oliveira, 19 anos; Mateus Santos de Jesus, 18 anos; e Afonso Santos Pereira, de 16 anos.
Um barraco no paupérrimo bairro do Gogó da Ema, periferia de Itabuna, madrugada de domingo, 23 de março.
O silêncio da noite é interrompido por uma série interminável de tiros. Os vizinhos, acostumados à explosão de violência, não se atrevem a deixar suas casas para ver o que está acontecendo. Preferem proteger as próprias vidas.
E, providencialmente, não ver nada.
Quando o dia amanhece, Hugo, Lucas, Mateus e Afonso estão mortos.
Vítima de uma chacina comum no Rio de Janeiro, São Paulo e até mesmo Salvador, mas que quando chegam a uma cidade de porte médio como Itabuna sinalizam a que ponto chegou o nível de violência, com os assassinatos contados às centenas e os roubos, assaltos e agressões contados aos milhares.
O crime teria sido executado por sete homens, vestidos de preto e armados com pistolas e escopetas. A ação foi rápida e os assassinos não deram qualquer chance de defesa às vítimas.
Brutalidade em estado puro.
A polícia, que ainda não tem pistas dos autores da chacina, apurou que Hugo, Lucas, Mateus e Afonso tinham envolvimento com o tráfico e/ou consumo de drogas e que o barraco onde foram fuzilados era um conhecido ponto de venda de entorpecentes.
(Conhecido dos consumidores, bem entendido, porque para parte da polícia esses locais parecem ter o dom da invisibilidade).
O fato dos quatro estarem envolvidos com o submundo da marginalidade, entretanto, não muda o ponto principal da questão: a absurda explosão de violência que assola Itabuna.
Esse é o xis do problema (e que problema!): as chacinas são o ponto máximo, o clímax da violência. Quando ele começa a ocorrer, é sinal de que todos os limites já foram superados e a situação se tornou intolerável, insustentável.
Dizer que é preciso fazer alguma coisa é atirar a esmo, perdão, chover no molhado, de tanto que se tem dito, pedido, implorado, chamado a atenção para uma situação que não dá para ignorar nem postergada.
Definitivamente, chega!














