O jornalista e escritor brasileiro Pepe Escobar deu início, em Udine, à sua turnê pela Itália, onde participa de uma série de conferências organizadas pela Italiani in Formazione. Entre os dias 30 de novembro e 6 de dezembro, Escobar passará por cinco cidades do norte do país discutindo os rumos do multipolarismo global e o reposicionamento estratégico das grandes potências.

A Bahia Press acompanhou o primeiro evento da turnê e conversou com Escobar diretamente de Udine, por meio da nossa correspondente internacional Adalgisa Silveira, que esteve presente na abertura e colheu impressões exclusivas do analista sobre o cenário geopolítico e a postura do governo Donald Trump diante do avanço do Brics e do Sul Global.

O roteiro da turnê inclui:

30 de novembro – Udine, 1º de dezembro – Trieste, 2 de dezembro – Bolonha, 4 de dezembro – Turim, 6 de dezembro – Florença

Multipolarismo como campo de batalha

Durante a entrevista concedida à Bahia Press, Escobar reforçou que o multipolarismo não é mais uma simples projeção teórica, mas “um verdadeiro campo de batalha”, marcado pela disputa entre quem defende a manutenção da ordem pós-Segunda Guerra — historicamente liderada pelos EUA — e aqueles que reivindicam o direito de redefinir a arquitetura global.

Segundo ele, os conflitos geopolíticos atuais expressam o choque entre “o imperativo da centralização” representado por Washington e “o chamado pela autonomia” assumido por diversos países do Sul Global e pelo Brics ampliado.

Trump e a tentativa de restaurar a hegemonia americana

 

Escobar foi enfático ao analisar a nova administração Trump, que, segundo ele, tenta restaurar uma hegemonia americana já desgastada. Em sua avaliação, o presidente republicano retoma estratégias tradicionais de dominação — como sanções, pressão diplomática e acordos assimétricos — para conter a ascensão de potências emergentes.

Para Escobar, a política externa de Trump tem como objetivo impedir o avanço do Brics, visto por Washington como a mais sólida articulação contra a ordem unipolar. Ele argumenta que, enquanto o bloco amplia sua influência econômica e cria alternativas ao sistema financeiro dominado pelos EUA, a reação americana segue um padrão de “guerra híbrida”, que combina ataques econômicos, narrativos e estratégicos.

O protagonismo crescente do Sul Global

Outro ponto destacado pelo escritor na conversa com Adalgisa Silveira foi o avanço do Sul Global. Países da Ásia, África, América Latina e Oriente Médio — cada vez mais interconectados por rotas energéticas e alianças econômicas — desafiam o tradicional papel de dependência em relação aos EUA.

Escobar afirmou que essa reorganização representa o principal foco de tensão para Washington, que vê na cooperação energética, nos acordos independentes e nas moedas alternativas ao dólar um risco direto à sua influência mundial.

Serviço

Turnê “Verso la Battaglia Finale” – Pepe Escobar

Datas: 30 de novembro a 6 de dezembro

Cidades: Udine, Trieste, Bolonha, Turim e Florença

Organização: Italiani in Formazione

Informações: info@italianinformazione.it