Eleições 2022 e seus desafios para quem tem lado dentro do processo e na luta
Nego Elder
A esquerda tem um desafio enorme em 2022, ganhar as eleições compreendendo que somente o campo progressista não é capaz de vencer pelo próprio campo no Brasil, tampouco na Bahia.
O processo eleitoral brasileiro exigirá das forças políticas de esquerda e de centro amplo diálogo e flexões táticas para combater o retrocesso instalado no Brasil, hoje tão significativo quanto a promover mudanças, por conta do caus instalado no Brasil. Pecados cometidos pelas alas moderadas e flexíveis do campo da esquerda agora passam a ser virtudes, é tapar o nariz e seguir costurando.
Na Bahia, a aliança pouco firme , mas que que promoveu mudanças significativas tende a “trincar”, visto que essa aliança fora fincada em moldes do pragmatismo eleitoral, daquela onda do “dar ou desce” de ambas as partes.
Desde 2007 o ex governador, ex ministro, ex deputado líder do PT na Bahia hoje Senador Jaques Wagner conseguiu formar um bloco onde alcançou 4 eleições para Governador, frente ampla para deputados (as) e, se elegeu Senador e tornou factível a eleição de 2 Senadores do PSD, partido aliado e que tem se mostrado leal a coalizão, fidedigno por assim dizer.
Os movimentos sociais que teve protagonismo relevante com Lula e com Wagner não conseguiu o mesmo feito com Dilma e Rui considerados mais pragmaticos. Se por um lado alguns dizem que há problemas com a falta de unidade na pauta social, defendo que a falta de leitura histórica tornou possível parte do isolamento, aliado a isso o crescimento da direita no mundo inteiro e o devaneio fascista fez com que alguns se constrangessem em ter posicionamentos firmes e de esquerda.
Eleições se avizinham, na Bahia e a coalizão corre sérios riscos, tomar as ruas é imprescindível, núcleos de base devem ser montados, campanhas nas redes? Sim. Mas é na rua que iremos fazer a diferença, tomar as organizações sociais, militar nos sindicatos, formar a turma jovem, estudar, se debruçar como nunca na história e entender que o que passamos não é novo e não será a última vez.
O PT, o PSB, o PC do B, PSOL, PCB, PV e a parte progressista do MDB, PSDB, e demais agremiações precisam compreender que, manter unidade que chamo de “construtiva” ( que não tire autonomia e não ameace o crescimento ou o tamanho dos que comporão essa unidade) precisam entender que há enorme perigo no aprofundamento do fascismo, racismo e misoginia representado pela extrema direita brasileira se nossa falta de unidade deixar avançar o Bolsonarismo que é a nossa maior ameaça.
É hora de garantir espaço para aqueles que topam avançar nas flexões sem perder de vista a garantia de espaço para os movimentos sociais de forma ampla, que atuem no campo progressista sem flerte com a direita, até o centro deve ser o limite da nossa aliança sem romantismo e sem ilusão, uma nova revolução faz-se necessária.
A esquerda brasileira precisa ter clareza do seu papel, terá que ter disposição para fazer sacrifícios, sangrar para não ser abatida por completo, se escolheu o parlamento, eleições, terá que se atentar as regras do jogo, e entender de uma vez que ainda não é revolução é eleição.
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Nego Elder (PT) é vereador em Pau Brasil













