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Nessa semana comemoramos o Centenário da Semana da Arte Moderna. E não poderia deixar de mencionar esse evento que trouxe grande significado à Arte Brasileira. Mas o que foi a semana? Quando ocorreu? Quais as características marcantes dessa semana? Quais artistas encabeçaram? E o que acrescentou à Arte Brasileira? Essas e outras curiosidades  estarei ressaltando na matéria dessa semana, nesse Espaço Luciane Yahweh.

ENTENDENDO O QUE FOI

Em 1922, quando a Independência do país completava cem anos, o Brasil passava por diversas modificações sociais, políticas e econômicas (advento da industrialização, fim da Primeira Guerra Mundial). Dentro desse cenário surge A Semana de Arte Moderna que foi uma manifestação artístico-cultural que ocorreu no Theatro Municipal de São Paulo entre os dias 13 a 18 de fevereiro de 1922. Também foi conhecida como “Semana 22”, com o intuito de mostrar quais eram as grandes tendências artísticas que já faziam parte do cenário europeu artístico. Evento contestado por parte da elite paulistana que não entendeu nada daquilo que estava sendo proposto, mantendo suas influências demarcadas nas origens mais conservadoras  do movimento artístico europeu.

Houve um rompimento com a arte acadêmica, contribuindo para uma mudança estética e para o Movimento Modernista no Brasil.

Nos dias atuais, a Semana da Arte Moderna é reconhecida como um dos principais eventos capazes de trazer os conceitos da arte moderna.

QUEM FORAM OS ARTISTAS ENVOLVIDOS DIRETAMENTE NESSE EVENTO?

A semana foi idealizada pelo pintor brasileiro Di Cavalcanti com auxílio de Rubens Borba de Morais. Além disso, o carioca Ronald de Carvalho também ofereceu grande contribuição na idealização desse momento tão importante para a arte brasileira. Mário de Andrade também foi uma das figuras centrais e principal articulador da Semana de Arte Moderna de 22. Ele esteve ao lado do escritor Oswald de Andrade e do artista plástico Di Cavalcanti.

QUAL O OBJETIVO DO EVENTO?

Renovar a arte, trazendo um novo conceito para ela em âmbito nacional, transformando nosso contexto cultural, urbano e artístico. A principal intenção dos modernistas era apostar em criações, por mais que elas tivessem ainda a influência européia. Uma busca pela liberdade de expressão artística e criação de uma identidade própria criando assim uma maneira de romper com os parâmetros que vigoravam nas artes em geral.

ALGUNS ARTISTAS QUE PARTICIPARAM DA SEMANA DE ARTE MODERNA DE 1922:

  • Mário de Andrade (1893-1945)

  • Oswald de Andrade (1890-1954)

  • Graça Aranha (1868-1931)

  • Victor Brecheret (1894-1955)

  • Plínio Salgado (1895-1975)

  • Anita Malfatti (1889-1964)

  • Menotti Del Picchia (1892-1988)

  • Ronald de Carvalho (1893-1935)

  • Guilherme de Almeida (1890-1969)

  • Sérgio Milliet (1898-1966)

  • Heitor Villa-Lobos (1887-1959)

  • Tácito de Almeida (1889-1940)

  • Di Cavalcanti (1897- 1976)

  • Guiomar Novaes (1894-1979)

  • Zina Aita (1900-1967)

  • Tarsila do Amaral, famosa pintora do movimento modernista brasileiro, estava em Paris na época, mas se juntou ao grupo que liderou a manifestação pouco depois.

QUAIS OS SEGMENTOS ARTÍSTICOS ABRANGEU?

A Semana da Arte Moderna abrangeu muitas formas de manifestações artísticas, música, literatura, escultores, arquitetura, artes plásticas e outros fizeram parte desse movimento. Na literatura, os escritores modernistas que se destacaram foram Manuel Bandeira, Guilherme de Almeida e Oswald de Andrade. Por outro lado, a pintura brasileira ganhou suas primeiras pinceladas próprias com Anita Malfati, que já havia realizado em 1917 a sua primeira exposição no Brasil, com inspiração modernista que possuía como base conceitos de futurismo, expressionismo e cubismo.

“A ESTUDANTE” – Anita Malfati

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Nas esculturas modernas, por sua vez, o destaque foi dado para o brasileiro Victor Brecheret, além da grande contribuição de Wilhelm Haarberd e Hildegardo Leão Velloso.

“MONUMENTOS AS BANDEIRAS” – Victor Brecheret

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Além desses nomes, a semana trouxe também o destaque para outros brasileiros. No desenho e na expressão da pintura, além de Anita Malfatti e do criador do movimento, Di Cavalcanti, o destaque vai também para Oswaldo Goeldi, Yan de Almeida Prato e John Graz. Na expressão arquitetônica, que pela primeira vez era essencialmente brasileira, o destaque foi para Georg Przyrembel e Antonio Garcia Moya. Artistas já consagrados no país  representavam a nossa música, como Ernani Braga, Villa-Lobos e Frutuoso Viana.

GRANDE ATUAÇÃO DA CRÍTICA

 A Semana da Arte Moderna foi altamente criticada, tendo como principal argumento, a própria falta de compreensão do que se tratava o movimento.Na abertura da semana, um poema de Manuel Bandeira foi recitado por Ronald de Carvalho. O público presente o desaprovou completamente, fazendo um coro contra o poema, seguido de muitos gritos e vaias.

Muitos anos depois, seu valor cultural e também histórico foi finalmente reconhecido, significando que as suas ideias continuaram sendo propagadas com o passar dos anos, porém em um ritmo mais lento do que o esperado. Dessa forma, o movimento artístico e modernista deu continuidade por meio de divulgações realizadas em duas grandes revistas: a Revista Klaxon e a Antropofágica.

O evento chocou parte da população e trouxe à tona uma nova visão sobre os processos artísticos, bem como a apresentação de uma arte “mais brasileira”.

Características da Semana de Arte Moderna

Uma vez que o intuito desses artistas era chocar o público e trazer à tona outras maneiras de sentir, ver e fruir a arte, as características desse momento foram:

  • Ausência de formalismo;

  • Ruptura com academicismo e tradicionalismo;

  • Crítica ao modelo parnasiano;

  • Influência das vanguardas artísticas europeias (futurismo, cubismo, dadaísmo, surrealismo, expressionismo);

  • Valorização da identidade e cultura brasileira;

  • Fusão de influências externas aos elementos brasileiros;

  • Experimentações estéticas;

  • Liberdade de expressão;

  • Aproximação da linguagem oral, com utilização da linguagem coloquial e vulgar;

  • Temáticas nacionalistas e cotidianas.

REPERCUSSÃO DA SEMANA DA ARTE MODERNA/1922

A crítica ao movimento foi severa, as pessoas ficaram desconfortáveis com tais apresentações e não conseguiram compreender a nova proposta de arte. Os artistas envolvidos chegaram a ser comparados aos doentes mentais e loucos.

Com isso, ficou claro que faltava uma preparação da população para a recepção de tais modelos artísticos.

Monteiro Lobato foi um dos escritores que atacou com veemência as ações da Semana de 22.

Anteriormente, ele já havia publicado um artigo criticando as obras de Anita Malfatti, em uma exposição da pintora realizada em 1917.

Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que vêem normalmente as coisas (..) A outra espécie é formada pelos que vêem anormalmente a natureza e interpretam-na à luz de teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica de escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da cultura excessiva. (…) Embora eles se dêem como novos, precursores de uma arte a vir, nada é mais velho do que a arte anormal ou teratológica: nasceu com a paranóia e com a mistificação(…) Essas considerações são provocadas pela exposição da senhora Malfatti onde se notam acentuadíssimas tendências para uma atitude estética forçada no sentido das extravagâncias de Picasso e companhia.

CURIOSIDADES

  • A Semana de Arte Moderna foi composta por artistas, escritores, músicos e pintores que buscavam inovações. A maioria dos artistas era descendente das oligarquias cafeeiras de São Paulo, que junto aos fazendeiros de Minas, formavam uma política que ficou conhecida como “Café com Leite”.

  •  A maioria dos artistas  que tinha possibilidades financeiras para viajar e estudar na Europa trouxe para o país diversas tendências artísticas. Assim foi se formando o movimento modernista no Brasil. Com isso, São Paulo demonstrava (em confronto com o Rio de Janeiro) novos horizontes e uma figura de protagonismo na cena cultural brasileira.

  • No segundo dia do evento, houve apresentação musical, palestra do escritor e artista plástico Menotti del Picchia, e a leitura do poema “Os Sapos” de Manuel Bandeira. Ronald de Carvalho fez a leitura, pois Bandeira encontrava-se em uma crise de tuberculose. Nesse poema, a crítica à poesia parnasiana era severa, o que causou indignação do público, muitas vaias, sons de latidos e relinchos.

  • Por fim, no terceiro dia, o teatro estava mais vazio. Houve uma apresentação musical com mistura de instrumentos, exibida pelo carioca Villa Lobos. Nesse dia, o músico subiu ao palco vestindo casaca e calçando em um pé sapato e no outro um chinelo. O público vaiou pensando que se tratava de uma atitude afrontosa, mas depois foi explicado que o artista estava com um calo no pé.

  • Deixada de lado toda aquela “perfeição” de caráter estético, que era adorada durante o século XIX, a Semana de Arte Moderna começa por meio da explosão de ideias, fazendo com que durante sete dias a cidade de São Paulo se transformasse em um verdadeiro palco inspirado por experiências artísticas brasileiras, assim como rompimento de padrões, linguagens diferenciadas e muita liberdade na criação de novas expressões artísticas.

  • Após a Semana de Arte Moderna, considerada um dos marcos mais importantes na história cultural do Brasil, foram criadas inúmeras revistas, movimentos e manifestos.

  • O pintor Di Cavalcante, um dos artistas que expôs sua obra na polêmica Semana de Arte Moderna, assim a descreveu: “Seria uma semana de escândalos literários e artísticos, de meter os estribos na barriga da burguesiazinha paulista” A proposta dos artistas desde o início se mostrou clara: a afronta, o escândalo e o rompimento com os padrões estéticos vigentes.

O evento, que chocou grande parte da platéia presente, buscou implementar novos processos na confecção das artes e dar-lhe uma feição mais brasileira. Um dos principais objetivos era o rompimento com a estética da arte acadêmica, especialmente do parnasianismo. A informalidade e o improviso, a liberdade de produção, tudo isso tornou-se regra da arte moderna, de modo a romper o formalismo das artes até então vigentes. Apesar do fracasso dos três dias de evento da Semana de Arte Moderna, ela se tornou um marco cultural para a arte brasileira.Suas ideias tornaram-se regras na academia brasileira, principalmente por  influência das revistas, movimentos e manifestos que após a Semana de 1922 surgiram.

Veja algumas das obras mais conhecidas do modernismo do Brasil:

“Abaporu” – Tarsila do Amaral

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“ Pierrete” – Di Cavalcanti

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“ “O Artesão” – Vicente do Rego Monteiro

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“  Paisagem da Espanha” – John Graz

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Espero que tenham gostado desse pequeno resumo sobre a SEMANA DA ARTE MODERNA, percebemos que esse evento libertou a Arte outrora engessada pelos padrões proposto por alguns. Muitos criticaram o evento na época, hoje aplaudimos de pé tamanha iniciativa que pôde deixar um verdadeiro legado, passado por gerações de artísticas.

fonte: https://www.resumoescolar.com.br/disciplinas/artes/

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