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O governador do Maranhão, Flávio Dino (uma das poucas vozes lúcidas saídas das urnas em 2018), divulgou texto em que alerta o País para o sério risco de enfrentarmos mais uma ditadura militar. Segundo ele, com o que é fácil concordar, “crescem na prática os sinais de um Estado militar e policialesco no Brasil. Tiros, armas, a ideia falsa de que somente militares nos salvarão, violência e ódio para todos os lados, o suposto horror à ´velha política´. Essa receita de conhecidos fascistas, acrescida do “perigo” de que os comunistas invadam a Nação, costuma ser eficaz para “justificar” as ditaduras.

Um dos ingredientes da receita da crise, a economia no chão, o governo já tem: O governo do capitão vem, entre uma trapalhada e outra, acumulando fracassos administrativos que estão jogando para baixo as previsões da economia; as estimativas do mercado financeiro são de que o PIB tende a cair e registrar um desempenho negativo no primeiro trimestre, algo que não acontece desde o último trimestre de 2016, depois do golpe contra Dilma Roussef, quando o recuo foi de 0,6%; as previsões seguem-se às notícias sobre o fraco desempenho do PIB em fevereiro, que recuou 0,73% em fevereiro e, como tempero extra, uma pitada de, no mínimo, 13  milhões de desempregados.

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Outro item importante na criação do bolo chamado ditadura é a reação das ruas (ao golpista de 1964 dizem que o povo “pediu” a derrubada de Goulart, devido à “anarquia” que se instalara no País – e então a turma saiu da caserna e veio impor a ordem: foram mais de duas décadas de atraso, corrupção, perseguição, tortura e assassinato de opositores). Hoje, se “anarquia” é preciso, basta procurá-la nos altos poderes da República: o presidente do STF (aquele que disse não ter havido golpe em 64, mas “movimento”) abriu inquérito para a Polícia investigar ofensas dirigidas à Corte; a Procuradora Geral “mandou” o presidente o inquérito, por ser o mesmo irregular; o presidente bateu o pé e disse “não arquivo, não arquivo, não arquivo!”

No meio dessa versão jurídica do Samba do crioulo doido”, o cidadão comum há de perguntar quem, afinal de contas, manda nesta grande estrebaria em que se transformou o Brasil.  A pergunta deve ser endereçada ao jornalista Daniel Thame, editor deste valente blog, pois eu, confesso, sequer tenho ideia da resposta. O que sei é que “anarquia”, no sentido em que os golpistas usam para justificar ações “moralizadoras”, é o estado de desordem, em que a “autoridade” se enfraquece, todo mundo manda e ninguém tem razão, uma espécie de Casa da Mãe Joana: o retrato do Brasil de hoje, com um presidente desqualificado, resultante de um “milagre eleitoral” que envergonha a democracia.

O Estadão, jornal comunista que ajudou a eleger o capitão Bolsonaro, naquela eleição atípica (hoje estou dado aos eufemismos!), também já jogou a toalha: embora continue a defender a reforma Guedes-Bolsonaro, afirmou há pouco dias que “o governo terá motivo para festejar se a economia crescer pelo menos 2% neste ano”.

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A estagnação da economia, de braço dado com a legião de desempregados e famintos que o governo do capitão está formando, mais a “anarquia” que daí resultará, são como o ovo da serpente sendo chocado. E o presidente que pergunta a Deus o que está fazendo em Brasília (e parece eu nem Deu sabe!), mesmo sendo um entusiasta do autoritarismo, incluindo tortura, não será, necessariamente beneficiado por um ato de força. É que, ensina um velho axioma da caserna, capitão não manda em general.

O governo do capitão vem, entre uma trapalhada e outra, acumulando fracassos administrativos que estão jogando para baixo as previsões da economia; as estimativas do mercado financeiro são de que o PIB tende a cair e registrar um desempenho negativo no primeiro trimestre, algo que não acontece desde o último trimestre de 2016, depois do golpe contra Dilma Roussef, quando o recuo foi de 0,6%; as previsões seguem-se às notícias sobre o fraco desempenho do PIB em fevereiro, que recuou 0,73% em fevereiro e, como tempero extra, uma pitada de, no mínimo, 13  milhões de desempregados.

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(As diatribes do Barão e sua equipe são publicadas às terça e sextas, quer chova, quer faça sol)