:: ‘hérnia de disco’
O ônibus, a cortina roxa e a hérnia de disco

Vania Fagundes
Estávamos na Estrada do Chocolate que liga o município de Uruçuca ao de Ilhéus. Vínhamos ouvindo música, observando as várias árvores caídas ao longo do acostamento e os muitos cabos de energia pendurados.
Comentávamos quantos estragos a chuva da última semana havia feito naquela região de Mata Atlântica e o quanto tinha sido bom não termos decidido viajar na terça passada.
Como tenho mania de contar, comecei a somar em voz alta a quantidade de troncos caídos. Distraída que sou, me perdi nas contas. Acho que já passam de vinte, pontuei.
Eu vinha durante toda a viagem conversando besteiras que nos faziam rir. Por instantes eu me calei, sou de falar pouco(?), foi aí que ele me perguntou: Acabou o repertório? Ele sempre me faz essa pergunta quando acontece de eu me calar um tiquinho. Respondi-lhe que estava conversando com o meu cérebro e que ele começava a escrever uma crônica futura.
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