:: ‘direiros’
Assédio não é cantada
Ellen Prince
Imaginem um cenário: Uma mulher vai a uma festa se divertir, e em seguida um homem a aborda, diz que a achou muito bonita e que gostaria de uma oportunidade para uma possível aproximação, e ela diz não. Minutos depois, ele se aproxima novamente, tenta tocar em seu rosto enquanto fala de forma insistente a mesma coisa que havia dito antes. A mulher está claramente incomodada com a situação. Na primeira abordagem, a mulher em questão recebeu uma cantada, um elogio. Mas na segunda, houve claramente um caso de assédio. Não, é não.
Assédio, segundo a cartilha da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, é a manifestação sensual ou sexual sem o consentimento da pessoa a quem se dirige. Esse tipo de abordagem é acompanhado de grosserias, constrangimentos, e propostas inadequadas que humilham e amedrontam. Já a cantada ou paquera, como citei no exemplo, é uma tentativa de criar um vínculo, sem impor nenhum tipo de medo ou angústia. Pra definir se uma abordagem se encaixa em assédio ou cantada, varia do sentimento da pessoa que foi o alvo, no contexto. De como ela se sentiu com tal tentativa de aproximação. Mas muitas vezes é difícil classificar sob essa ótica, pois nem sempre a própria vítima sabe a real diferença entre as situações.
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