:: ‘Crônica de domingo: Milagres que vivi 7’
Crônica de domingo: Milagres que vivi 7– Xukuru Kariri
Paloma Amado
Foi em fevereiro de 2015. Era um gatinho pequeno, rajado, magrelo e orelhudo que miava na portaria de meu sobrinho, aquele que leva o nome de meu pai. Juju, minha sobrinha-neta, filha da irmã de Jorge, moradora na mesma rua do tio, ia à sua casa. Ao chegar, viu o gatinho sendo escorraçado pelo porteiro, reclamou, isso não se faz. Se faz quando esse bicho não para de azucrinar aqui na portaria miando sem parar. Já mandei jogar no Parque da Cidade, com duas avenidas para atravessar, e ele volta. Tem parte com o capeta.
Voltando da casa do tio, o gatinho continuava ali, ela fez festinha na sua cabeça e ele a acompanhou ladeira acima até sua casa. Depois de negociar com a mãe – ele só fica uma semana… já temos três gatos … depois volta para a rua… – ela o levou para o apartamento, deu comidinha, o fotografou e colocou nas redes sociais para ver se alguém queria adotar. Enquanto isso, de barriguinha cheia, ele se encostava para dormir. Pensavam que era uma fêmea, o chamaram de Gipsy.
Foi minha Cecília a primeira a ver a oferta do gatinho, respondeu imediatamente: Queremos. Seu filho, ainda pequeno, queria um bichinho e este gato vinha a calhar. Fomos buscá-lo, ele brincava de perseguir um drone com o Tom. Se aninhou no colo de meu neto, bem confortável. Veio para casa feliz. Vimos logo que era um menino. Que nome vamos dar a ele? Que tal Xukuru Kariri?
Vários indígenas dessa tribo foram hoje na minha escola, eles são tão legais, comprei até esse cocar! Você não acha um nome complicado? É lindo e vai ser esse, disse o dono do felino – como se felino pudesse ter dono! Virou Xuxu para sempre, mas atende pelo nome completo também.
Nesta mesma ocasião, alegríssima com o Xuxu na vizinhança, adotei um gatinho siamês encontrado numa poça de lama no meio de uma tempestade em Praia do Forte. Chamei de Moustaki, nome de meu amigo querido que morrera dois anos antes me deixando inconsolável. Xuxu e Mumu passaram a viver sempre juntos, quer na minha casa, quer na de minha filha. O ir e vir acabou quando um cachorrinho foi adotado por ela. Mãe, você fica com ele, mas ele é meu, vamos ter guarda compartilhada.
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