:: ‘Companheiro de viagem’
Companheiro de viagem

Vania Fernandes
Minha amiga costuma viajar de carro. Dirige muito bem, adora um volante. Mas daquela vez decidiu que faria a viagem de ônibus. Voltava de Salvador quando deu-se o fato.
Vinha sentada na primeira fileira logo atrás do motorista. Ao seu lado, ninguém. E ela queria que fosse assim a viagem toda. Estava confortável ocupando as duas poltronas com as pernas bem espichadas. Mas, infelizmente, não foi o que aconteceu. Quando o carro parou em Feira de Santana, entrou um sujeito que, pedindo licença, sentou-se ao lado dela.
Aí a viagem tranquila até então, começou a desregular. Alegando um pouco de frio, aumentou a temperatura do ar condicionado, e ajeitou o cobertor. Queria dormir. O sujeito ao seu lado, espichou o braço, fechou a sua própria saída de ar e foi para fechar a dela também.
Não prestou. Ela não gostou da intromissão. Bateu no braço dele impedindo-lhe que fizesse qualquer mudança.
– Ué, disse ele, não entendi. A senhora não falou que estava com frio?
– Mas eu não lhe pedi para mexer no meu ar.
– Mas eu tenho rinite alérgica.
– Então desligue o seu.
– A senhora vire para lá.
– Eu viro para onde eu quiser virar. A poltrona é minha. Vire o senhor para onde quiser.
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