WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia

livros do thame





Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

abril 2026
D S T Q Q S S
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  




Cobras e vagalumes

“Era uma vez uma cobra que começou a perseguir um vagalume. Ele fugia rápido com medo da feroz predadora..
O vagalume fugiu um dia, mas a cobra não desistia. Dois dias e nada…
No terceiro dia, já sem forças, o vagalume parou e disse à cobra:
– Antes de me devorar, posso fazer três perguntas?
– Bom, não costumo abrir precedentes para ninguém, mas já que vou te comer mesmo, pode perguntar…
– Primeira: pertenço a sua cadeia alimentar?
– Não.
– Segunda: te fiz alguma coisa?
– Não.
– Então, por que você quer me devorar?
– Porque não suporto ver você brilhar!”

0-0-0-0-0-

Historietas como a relatada acima, cairiam melhor nesses manuais de auto-ajuda tão em voga ultimamente. Mas, ela é atualíssima numa região como a nossa que enfrenta uma crise que já dura duas décadas e nem assim consegue se unir para atuar em torno de um projeto comum de desenvolvimento.
Não aprendemos, apesar de todas as lições (e todas as decepções), que o individualismo é uma praga infinitamente mais danosa do que a vassoura-de-bruxa.
Continuamos, em todas as esferas, colocando o interesse individual acima do interesse coletivo. Confundindo política, que é uma prática saudável e indispensável à democracia, com politicagem, onde o que vale é o golpe baixo e a total falta de compromisso com a verdade.
Vibramos mais com o fracasso alheio do que com os nossos próprios êxitos.
Um conhecido empresário itabunense, que já viveu o céu e o inferno da gangorra prosperidade/crise e que conseguiu se recuperar ao trabalhar duro costuma dizer que “no Sul da Bahia, o sujeito gasta dois reais para que o outro não ganhe um real”.
A conta parece absurda, mas é o que acontece com freqüência nessas plagas grapiunas.
Não há jeito de dar a volta por cima enquanto continuarmos nos comportando como cobras, a devorar vagalumes que seu brilho poderiam apontar a luz no fim do túnel e nos conduzir a novos caminhos.

A Via Crucis, segundo dona Adelaide

Dona Adelaide tem 63 anos e mora na periferia de Itabuna. Sofre de artrite nas duas pernas, o que praticamente a impede de andar, e o glaucoma reduziu sua visão a menos de 5%. Precisa de cuidados médicos, que incluem exames periódicos, e atenção permanente.
Num país que respeitasse minimamente pessoas na situação de dona Adelaide, o acesso aos serviços de saúde seria facilitado, possibilitando uma convivência menos dolorosa com a enfermidade.
Mas, dona Adelaide não mora nesse país.
No país, e na cidade, em que dona Adelaide mora a realização de um simples exame de rotina se transforma numa verdadeira via crucis, como se verá nesta seqüência.
3;30 horas da madrugada. Dona Adelaide é acordada pelo filho, que a ajuda a tomar banho e se vestir. O corpo dói. Entrar no carro apertado é um sacrifício que ela enfrenta com resignação.
4;00 horas. Na clínica conveniada, a fila é imensa, para o a distribuição das senhas, que começaria duas horas depois. Teve gente que chegou na noite anterior mas, com um pouco de sorte, dona Adelaide conseguirá uma das sessenta senhas para o exame de Raio X. Conseguiu. Uma espécie de bilhete premiado, nessa autêntica “loteria do desrespeito”.
6:00 horas. Os olhos cansados e doentes de dona Adelaide mal conseguem enxergar os primeiros raios de uma manhã especialmente abafada. O calvário está longe de terminar. Na clinica, o retrato de uma nação que ainda divide seus habitantes entre a casa grande e a senzala. Para quem pode pagar pelos exames, elevador, ar condicionado, cafezinho, água mineral, sistema informatizado de consultas e atendentes com sorriso típico dos comerciais de creme dental que passam na televisão. Para a patuléia atendida pelo SUS, o acesso se dá por uma pequena porta, uma escada com cerca de 30 degraus (verdadeiro tormento para quem mal consegue dar um passo, como dona Adelaide), bancos de madeira, água de bebedouro, consultas anotadas em folhas de papel e atendentes com mau humor de TPM.
11;00 horas. Entre fila para retirar a senha e a espera pela realização do Raio X, já se passaram cinco horas. Se para uma pessoa normal já é um sacrifício, imagine-se para alguém com a saúde debilitada. Dona Adelaide não imagina, sofre na pele.
12:00 horas. Exame realizado, dona Adelaide está em casa. Os joelhos doem, o corpo exige repouso. O filho, que a acompanhou em toda a via crucis, ainda vai preparar o almoço, antes de ir para mais um dia de trabalho. Ou, meio dia de trabalho.
Fim da via crucis.
Fim?
Mês que vem tem mais.
E haverá sempre mais, enquanto a saúde pública continuar sendo tratada com descaso e enquanto os recursos, que não são poucos, continuarem desaparecendo no ralo da corrupção, alimentando os sanguessugas e outros monstros insaciáveis.
Dona Adelaide, em seu calvário, percorre a via crucis em que escárnio, desrespeito, insensibilidade e irresponsabilidade caminham juntos.
Ela e milhões de brasileiros e brasileiras que dependem de um sistema único de saúde que é único porque nivela por baixo adelaides, josefas, marias, joãos, antonios, paulos, etc.
É único na qualidade. Ou melhor, na completa falta de qualidade.
E na falta de respeito ao cidadão!

Impotência Olímpica

Os brasileiros que se deixaram inebriar com o ufanismo perpetrado pela Rede Globo, Galvão Bueno à frente, durante os Jogos Panamericanos disputados no Rio de Janeiro, e que conseguem varar madrugadas acompanhando os Jogos Olímpicos de Pequim, devem estar se perguntando onde anda aquela potência esportiva de colheu um balaio de medalhas de ouro, prata e bronze nas pistas, quadras, campos, tatamis e piscinas.
No Pan do Rio, o Brasil ficou em terceiro lugar, atrás apenas dos Estados Unidos e de Cuba. Vendeu-se a idéia de que na China, os atletas nacionais iriam brigar pelos primeiros lugares.
Faltou-se dizer, até porque não era conveniente ser dito, que Estados Unidos, Canadá e Argentina mandaram para o Rio suas equipes B, C e D e que Cuba (assim como Fidel Castro) vive seu ocaso, a despeito de ostentar um desempenho esportivo superior a de países mais ricos.
Faltou dizer, também, que no Pan do Rio, a exemplo do que ocorre nos Jogos Olímpicos de Pequim, os veículos de comunicação e os atletas e/ou equipes são patrocinados em sua maioria por estatais como a Caixa Econômica Federal, Correios, Banco do Brasil e Petrobrás.
Sob essa ótica, é mais do que conveniente superdimensionar competições meia-boca como o Pan e criar uma expectativa, que depois se revela falsa, para as Olimpíadas, onde se reúne nata do esporte.
O problema é que quando chega a hora da verdade, percebe-se que nem tudo que reluz no Pan é ouro nas Olimpíadas.
Nem prata, nem bronze…
As medalhas que o Brasil conquistou até agora se devem a feitos heróicos, como a atleta de Brasília que ganhou o bronze no judô depois de encarar todos os tipos de privações a ponto de, no início da carreira, sua mãe ter que optar entre comprar comida ou comprar o quimono. Teve direito até a uma entrevista ao vivo no Jornal Nacional, mas voltará para o anonimato (e as dificuldades) antes mesmo que sua medalha comece a perder a cor.
Países como os EUA. China, Rússia, Canadá, Japão e as nações européias tratam o esporte como política pública. Investem no trabalho de base, que começa na escola e se estende à universidade. Os talentos fora de série são garimpados em meio a uma profusão de esportistas.
Não são obras do acaso ou de alguma generosidade genética. Como não é por acaso que esses países dominem o quadro de medalhas e que seus atletas pulverizem recordes.
Para o Brasil, resta o consolo da frase esportiva mais idiota de todos os tempos, a de que “o importante é competir”, quando a essência da competição é vencer. Ou o acalento bíblico de que “os últimos são os primeiros”.
Passados sete dias do início dos Jogos Olímpicos, o Brasil ostenta a 39ª. posição, com quatro medalhas de bronze (três do judô e uma da natação), atrás de países como Geórgia, Azerbaijão, Zimbaue, Tailândia, Cazaquistão, Guirguistão (uma medalha para quem acertar, de primeira!, onde fica esse tal de Guirguistão), Mongólia, Vietnã, Ruanda e Armênia.
Tudo bem: temos boas chances na ginástica, no vôlei de quadra e de praia, nos esportes náuticos e no futebol masculino e feminino. Com um pouco de sorte dá para chegar entre os vinte primeiros colocados no quadro de medalhas. Longe, bem longe das verdadeiras potencias do esporte.
Na China, estamos mais para impotência olímpica.
E não tem viagra, nem patriotada, que dê jeito.

“nossos reclames gratuitos”

É tanta gente alardeando que vai fazer
a verdadeira mudança, que é o caso de se perguntar:

Afinal, é eleição pra prefeito de Itabuna ou pra gerente da Transportadora Ramos?

HOMEM SAMAMBAIA

TV Cabrália, início da década de 90. O recém inaugurado Hotel Transamérica, na paradisíaca (que certa feita um repórter da emissora confundiu com afrodisíaca, sabe-se lá porque) Ilha de Comandatuba, recebia famosos e endinheirados de São Paulo, Rio e Brasília.,
A gente tinha um esquema lá que sempre que chegava alguém famoso era avisado. Para uma tevê regional, era uma festa entrevistar personalidades que só apareciam na então monopolista Rede Globo.
Os vips sentiam a nossa empolgação e quase sempre colaboravam, dando entrevistas para a Cabrália como se estivessem falando para o mundo. A gente fazia a gravação e ia almoçar no continente, porque a grana da diária não dava pra encarar um copo de água mineral no hotel, quanto mais um almoço.
Até que certa feita, fomos entrevistar o então governador de São Paulo, Orestes Quércia, que descansava no hotel com a família.
Político não pode ver um microfone, seja ele a BBC, seja ele do serviço de alto falante de Potiraguá.
E deu uma longa entrevista, que a gente poderia usar durante uma semana nos telejornais. Encerrada a gravação, Quércia convidou a equipe para almoçar.
Para quem iria pegar um rango mulambento, aquilo era o que se pode chamar de convite irrecusável.
Não recusamos. O almoço, como se previa, era um banquete. Todo tipo de saladas, pratos frios, pratos quentes, sobremesas. De se lamber os beiços.
Na equipe, havia um auxiliar de cinegrafista (função que hoje nem existe mais) chamado Bolinho. Meio caipirão, ele ficou observando como as pessoas se serviam, pra não passar vergonha.
O excesso de cuidados não evitou que ele, na hora de colocar a salada no prato, pegasse um vistoso pedaço de samambaia, que obviamente foi colocada na mesa como decoração. A gente percebeu, mas ninguém teve coragem de falar nada. Foi um milagre conter o riso.
O almoço estava uma delícia e todo mundo se fartou. Quércia foi muito simpático e fez questão de convidar a gente pra voltar outro dia, o que era apenas gentileza, não era pra valer.
Quando a equipe entrou na balsa pra pegar o carro e voltar pra Itabuna, Bolinho, exibindo o ar de felicidade de quem acabara de ser apresentado ao paraíso, saiu-se com essa:
-Almoço bom da porra! Só não gostei daquela salada. Rico tem cada gosto estranho.
Quase vinte anos depois, tem gente que dá um braço para comer uma tal de Mulher Samambaia.

Suprema Impunidade

Em dois dias seguidos, o Supremo Tribunal Federal, a principal instituição do judiciário brasileiro, tomou decisões que, mesmo sob o pretexto de garantir o direito de defesa e evitar constrangimentos, deixam no ar a velha e conhecida sensação de impunidade.
Primeiro, decidiu que políticos que respondem a processos, incluindo-se aí a improbidade administrativa, popularmente conhecida como “meter a mão no dinheiro público”, poderão ser candidatos nas eleições deste ano. A exceção fica por conta dos julgamentos em que não cabe recurso.
Como sempre há uma brecha jurídica e os processos se arrastam por décadas, na prática isso significa que sujeito pode se candidatar indefinidamente e, se essa for a sua vocação, roubar indefinidamente, porque a lei, mesmo de forma enviesada estará ao seu lado.
Políticos envolvidos em roubalheiras, algumas delas fartamente documentadas, estão aí de novo na disputa eleitoral, boa parte deles com chances concretas de vitória.
A decisão do STF vai de encontro aos anseios da sociedade, farta de tantos escândalos, de tanta rapinagem. O impedimento para que esses maus políticos (para usar uma expressão leve) se candidatassem, poderia servir como uma espécie de freio.
Ocorreu justamente o contrário. A sinalização é de estímulo à corrupção, mesmo que evidentemente não tenha sido essa a intenção do Supremo.
Enquanto isso, o cidadão comum que é aprovado num concurso público e que por uma circunstância qualquer foi parar no Serviço de Proteção ao Crédito, como não pagar uma prestação de loja ou a conta de telefone, fica impedido de assumir o cargo até quitar o débito.
Ninguém está aqui incentivando o calote, mas não deixa de ser uma ironia que a lei seja uma para o sujeito que deixou de pagar 80 reais de prestação e vai parar no SPC e outra para o político que rouba milhões de reais e pode se candidatar, sob as bênçãos dos STF.
Em outra decisão igualmente polêmica, Supremo Tribunal Federal decidiu que algemas só podem ser usadas em casos excepcionais ou de evidente perigo de fuga. Na verdade, o STF estava julgando um caso isolado, de um condenado que apelou da sentença por se sentir constrangido a usar algemas diante dos jurados.
O Supremo não só anulou o tal julgamento como, aproveitando a deixa, estendeu o benefício para todo mundo.
Todo mundo?
Um Daniel Dantas, um Paulo Maluf, um Zuleido Veras, um empresário ou político de peso sempre terão um advogado ou assessor para lembrar à polícia que eles não podem ser constrangidos com o uso das algemas. Mais um pouco e os policiais terão que usar a polidez, tipo: “por favor, se não for incômodo, queira fazer a gentileza de nos acompanhar”.
Camburão, nem pensar, que isso também constrange. Que tal dispor de uma frota de limusines?
Será que o pobre coitado que roubou um quilo de feijão no supermercado ou mesmo o bandido que surrupiou um aparelho de DVD, terão tratamento idêntico?
Ou continuarão sendo algemados e caindo na porrada, como acontece nas melhorias famílias, perdão, nas melhores delegacias?
Num país em que perante a lei todos são iguais, mas que na prática uns são mais iguais que os outros, a impunidade pode até ser suprema.
Mas é para poucos.

“nossos reclames gratuitos”

É Velox, mas pode
chamar de Lentox

Nestor, a seu dispor!

Jailton do Raio X, Caburé, Rosildo do Banco de Sangue, Zé Zoiudo, Aquiles da Parabólica, Ganso do Posto, Quina, Vavá dos 8 Baixos, Papagaio, Marechal o Popular Deputado, Lula Bar, Eliseu do Pastel, Juarez da Honda, Néu do Bar, Chico Bateria e Pedro da Funerária Santa Fé.
Tantos apelidos, que dão para compor um time com seus respectivos reservas, podem nos remeter aos tempos em que os times eram recheados de craques cujos nomes de batismo a torcida praticamente desconhecia e que se jogava aquilo que a gente conhecia por futebol, no sentido de genialidade e talento.
Como o Santos de Pelé, Zito e Pepe. O Botafogo de Didi e Garrincha. O São Paulo de Zizinho e Canhoteiro. Ou o Flamengo de Zico e Tita. Times de antologia, em que os nomes dos jogadores não eram pomposos como os de hoje, recheados de nomes compostos como Marcelo Augusto, André Dias, Fernando Diniz, Alan Delon, Fernando Henrique e quetais.
Mas o jogo era mais vistoso.
Os nomes que abrem esse texto bem que poderiam ser de um time de futebol, mas não são. Eles lutam, e lutam muito, para conseguir um lugar ao sol em outro campo: a política.
Todos eles, a bordo de seus apelidos devidamente registrados na Justiça Eleitoral, são candidatos a vereador em Itabuna. Disputam, no sentido literal da palavra, uma cobiçada vaga na Câmara de Vereadores.
Os apelidos sugerem disposição para ajudar.
Está difícil conseguir um exame nesse período de saúde pública caótica? Nada que Jailton do Raio X ou Rosildo do Banco de Sangue não possam resolver.
Sua televisão está com a imagem pior do que a de certos deputados envolvidos em seguidos escândalos? Chama o Aquiles da Parabólica.
Acabou a gasolina no meio da rua? Ganso do Posto a seu dispor. Se o problema for a bateria, chama o Chico, rapaz!
Ruim de grana? Que tal uma fezinha na Quina? Precisa animar a festa? Lá vem o Vavá dos 8 Baixos…
Bateu aquela vontade de tomar uma cervejinha gelada? Lula Bar e Neu do Bar fazem até fiado.
Se depois cerveja, der fome, liga pro Juarez do Pastel.
Cansou de esperar horas e horas pelo transporte coletivo? O Juarez avisa que a Honda tem uma promoção incrível pra você sair de moto zerinha.
E se as coisas andam pela hora da morte, é só contar com os préstimos do Pedro da Funerária Santa Fé.
E tem até o Marechal, que ainda nem se elegeu vereador e já se apresenta como o Popular Deputado. Otimismo assim nem nos melhores livros de auto-ajuda.
É por demais injusto limitar a participação desses candidatos na campanha eleitoral ao exotismo, como se eles entrassem na disputa apenas para dar um toque de graça num processo onde a conquista de votos muitas vezes impõe golpes abaixo da linha da cintura.
Apesar dos apelidos curiosos, todos eles são sujeitos honrados, batalhadores, que tem o legítimo direito de postular uma vaga na Câmara de Vereadores e, a depender da vontade do eleitor, se eleger, exercer um mandato decente e lutar pelos interesses da população.
Assim como qualquer torcedor prefere um Pelé a um Alfredo Orlando, é preferível um vereador com apelido curioso, do que um político de nome lustroso e conduta lamacenta.
Boa sorte, portanto, ao time dos apelidos.
E,isso vale para todos os demais candidatos, que se jogue o jogo limpo.
A torcida -ou neste caso, o eleitor- penhoradamente agradece.

ELEIÇÃO É FORD !!!!!

Banho de Coca Cola

A inauguração da TV Cabrália, em dezembro de 1987, não apenas levantou a auto-estima de Itabuna (afinal, tratava-se da primeira emissora de televisão numa cidade do interior do Norte/Nordeste, o que não era nem é pouca coisa), como produziu situações que hoje parecem lenda, mas que à época eram rotineiras.
Ainda não havia a global TV Santa Cruz, que só seria inaugurada um ano depois, e a Cabrália reinava soberana. E eu, que nem sabia como funcionava uma emissora de televisão, fui guindado à condição de gerente de jornalismo, pela extrema generosidade de Nestor Amazonas. Não sei quem foi mais maluco: ele, por me nomear, ou eu, por aceitar o cargo.
Segue o bonde…
Para se ter uma idéia do que a televisão representava, até eventos importantes eram marcados de acordo com a disponibilidade da equipe de jornalismo fazer a cobertura, para a devida veiculação nos telejornais.
É claro que não faltavam pedidos inusitados, que a gente não sabia se achava graça ou se mandava o sujeito pra puta que pariu.
E não é que um pai cismou que a equipe da Cabrália teria que cobrir a festa de aniversário da filha? Era o presente que ele havia prometido à pimpolha e ligava todo dia pra perguntar se a gente iria mesmo.
Não adiantava explicar que aquilo era impossível, alegar que se cobríssemos a festa da filha dele teríamos que cobrir outros tantos aniversários e por extensão, batizados, primeira comunhão, casamentos, velórios e quetais.
Resolvi apelar e pra me livrar do sujeito disse que se ele enchesse uma banheira com Coca Cola e colocasse a filha dentro, a gente iria fazer a cobertura do aniversário.
Pronto, dessa mala estamos livres.
Livres? No dia seguinte, véspera do tal aniversário, o cara me liga e diz que havia comprado Coca Cola suficiente para encher uma banheira e dar um banho de refrigernte na filhota.
Não sei se além de chato, o cara era um gozador e resolveu sacanear comigo. Ou se era só chato mesmo e realmente ia dar um banho de Coca Cola na filha, só pelo prazer de vê-la na telinha da Cabrália.
Na dúvida, preferi ficar na dúvida mesmo.
O aniversário, com ou sem banho de Coca Cola, permaneceu para sempre no anonimato.





WebtivaHOSTING // webtiva.com.br . Webdesign da Bahia