Desta vez não vai acabar em pizza. (Vai acabar em panetone!)

Tornou-se senso comum no Brasil, e com razão, dizer que escândalos envolvendo políticos e/ou grandes empresários costumam terminar numa imensa pizza, com sabor de impunidade para os envolvidos e com gosto de vergonha para a população.
Tem sido assim nos últimos tempos.
Após mega-operações, com direito a foguetório e todo tipo de pirotecnia, os suspeitos são detidos, exibidos nos jornais, na televisão e na internet, e pouco tempo depois ganham a liberdade.
Há sempre um advogado que conhece as brechas da lei e há sempre um juiz zeloso no cumprimento dessas brechas.
Findo o circo, aos envolvidos, basta confiar na conhecida morosidade da justiça brasileira, respondendo a processos que se arrastam por anos e até décadas.
E tome aumento na produção de pizzas, enquanto o dinheiro público continua sendo sugado vorazmente por essa praga chamada corrupção.
O mais recente escândalo, que tem como ator principal o governador de Brasília José Roberto Arruda, do DEM, e quase uma dezena de coadjuvantes, é certamente um dos mais chocantes que já se viu.
Não porque embuta em si alguma novidade, já que se trata da clássica prática de desvio de dinheiro público para pagamento e propinas, mas porque as cenas de corrupção foram filmadas com a nitidez e o profissionalismo de um premiado diretor de cinema.
Diante das câmeras, circulam com desenvoltura políticos, assessores, empresários e grande elenco, recebendo dinheiro sujo (que eles lavam com uma maestria de dar inveja a mais prendada das donas de casa) e escondendo em sacolas, meias, cuecas, etc.
As imagens, além do desfile de corruptos desavergonhados, captaram ainda uma cena de escárnio, com um grupo se abraçando para agradecer a Deus pela existência do operador do esquema, além de pedir proteção divina ao provedor de suas, digamos, necessidades monetárias.
Enfim, são cenas captadas pelas câmeras com uma nitidez que não deixa dúvidas de quem estava lá e o que estava fazendo.
Num país pouquinha coisa mais séria do que o Brasil no quesito combate à corrupção, essa gente flagrada na gatunagem explicita, além de perder os cargos, passaria uma boa temporada na cadeia.
Por aqui, o mais provável é que um ou outro sofra algum tipo de punição, se é que isso vai acontecer, e que tudo fique como está.
A diferença é que dessa vez não vai terminar em pizza, já que Arruda, na falta de uma desculpa para explicar o que inexplicável, tem dito que o dinheiro recebido numa sacola era para comprar panetone para os pobres.
Vai terminar mesmo é um panetone!
Varia o cardápio, variam os chefs de cozinha, variam os comensais, mas a falta de vergonha e a cara de pau não variam nunca.
RECEITA DE PANETONE BRASILIENSE
-Pegue várias notas de 50 e 100 reais, além de dólares e euros
-Junte alguns políticos e empresários corruptos (não todos, senão vira o maior panetone do mundo)
-Misture bem e coloque, por muito tempo, numa cela de segurança máxima
-Não coma, porque vai dar uma tremenda indigestão
Dois pontos

Qual a distância que separa a glória da tragédia, o êxtase do infortúnio, o momento inesquecível do momento a ser esquecido?
Qual a diferença entre o vencedor e o derrotado?
O recém-encerrado Campeonato Brasileiro de Futebol, vencido pelo Flamengo, demonstrou que essa distância, aparentemente estratosférica, pode ser medida num átimo.
Ou tomada como obra do acaso.
Dois pontos separaram o Flamengo campeão do Internacional vice-campeão e do São Paulo segundo colocado.
Meros dois pontos, que podem perfeitamente serem atribuídos a lances fortuitos.
Dois pontos que o São Paulo deixou de ganhar no empate em 2×2 com o rebaixado Coritiba em pleno Morumbi. Ou no empate em 1×1 com o também rebaixado Santo André. Chances de ouro, daquelas que não se desperdiça, mas que o São Paulo desperdiçou e que no final fizeram a diferença entre o título e a terceira colocação.
Dois pontos que o Inter deixou escapar no empate contra o campeão Flamengo em pleno Beira Rio, ou na derrota para o rebaixado Coritiba.
Dois pontos que o Flamengo ganhou nos dois pênaltis que o goleiro Bruno defendeu contra o Santos ou no pênalti que o mesmo Bruno pegou contra o Botafogo.
Tivesse o Santos convertido um dos dois pênaltis perdidos ou o Botafogo aproveitado a penalidade a seu favor e, a essa hora, estaria a torcida rubro negra, hoje em estado de delírio orgasmático, lamentando aqueles pontos preciosos.
E o que dizer o Palmeiras, o time que mais próximo esteve da glória nesse Brasileirão, líder da competição por 19 rodadas e que chegou a abrir uma vantagem aparentemente inalcançável.
Não fosse a inacreditável derrota para o Santo André, não fosse o gol de Obina equivocadamente anulado pelo juiz Carlos Eugenio Simon contra o Fluminense e os gritos de “Porco, Porco” ainda estariam ecoando pela capital paulista, enquanto o Rio de Janeiro continuaria lindo, mas sem as cores rubro-negras a colorir as ruas.
Como se observa, foram os detalhes, a sorte de um, o azar de outro, o apito infeliz de um arbitro desatento, quem decidiram o destino feliz de um time e o desatino de outros que chegaram a sentir o doce sabor da conquista, tão próximo dela estiveram.
Foi o acaso o fator determinante, mais do que a genialidade outonal de Petkovic e os gols letais de Adriano, a força motriz da glória rubro-negra, já eternizada.
E foi o acaso, o fator determinante para a quase-glória do Inter, do São Paulo e do inglório Palmeiras, brevemente esquecida pela História, que reserva louros aos vencedores e limbo aos derrotados.
Glória e fracasso, tão próximos, tão distantes.
Ao alcance da mão e ao mesmo tempo no limite do infinito.
Mais do que uma caixinha de surpresas, o futebol às vezes é retrato e espelho da vida,
O TIME DOS CEM ANOS
O Itabuna apresentou o elenco que vai buscar em 2010 o inédito título de Campeão Baiano, igualando o feito do Colo Colo. O elenco do azulino é composto por três jogadores que atuavam no futebol europeu, entre eles Joilson Rodrigues da Silva – Tot Football Club (Tailândia) e Adriano de Oliveira Santos – Shonan Bellmare (Japão). A base é composta por atletas do Rio de Janeiro e da Região Sul da Bahia. O técnico Célio Costa vai mesclar juventude e experiência para montar um time competitivo.
Um título baiano viria calhar no ano do Centenário de Itabuna.
Depois, é esperar pela Copa do Brasil, a Libertadores e o Mundial de Clubes, que torcer e sonhar (ainda) não paga imposto.
ACARAJÉ X PÃO DE QUEIJO

Durante a inauguração da mina de níquel em Itagiba, o governador Jaques Wagner referiu-se de forma bem humorada ao fato de que boa parte dos cargos de direção e de áreas técnicas era ocupada por funcionários de Minas Gerais:
-Hoje o que mais deve sair aqui é pão de queijo, mas como eu conheço a criatividade e a capacidade de trabalho do povo baiano, daqui a pouco tempo só vai dar acarajé.
E aproveitou para falar sobre a necessidade da capacitação profissional, diante dos novos empreendimentos que estão surgindo na região, como a Ferrovia Oeste Leste, o Porto Sul e o Gasoduto da Petrobrás…
Uai, haja acarajé Oxe!
Acabou e já tem dono

Os que torcem contra, podem preparar os ouvidos e se trancar em casa. Domingo, por volta das 18 horas, Itabuna estará tomada pelas cores e pelo hino rubro negro. Nas praças do Santo Antonio, São Caetano, Califórnia, Conceição, Fátima, Urbis IV, Ferradas e Pontalzinho haverá congestionamentos, festa e cerveja correndo solta.
Embora esteja sendo vendido pela Rede Globo como a mais eletrizante final de campeonato de todos os tempos, com quatro times na disputa pelo título na última rodada, o Brasileirão já acabou na prática e tem um campeão indiscutível: o Flamengo.
A tal “ultima rodada emocionante e decisiva” será mera formalidade, 90 minutos que separam o rubro negro da celebração de sua quinta/sexta conquista (de novo a polêmica da Copa União), um hiato para a festa que já está mais do que pronta.
Matematicamente, Internacional, Palmeiras e São Paulo ainda têm chances de ganhar o título.
Dane-se a matemática.
O Inter precisa ganhar do Santo André e contar com um tropeço do Flamengo.
O Palmeiras precisa ganhar do Botafogo e contar com tropeços do Flamengo e do Inter.
O São Paulo precisa ganhar do Sport e contar com tropeços do Flamengo, Inter e Palmeiras.
O Inter deve ganhar do Santo André, mas sabem quando o Grêmio vai se esforçar para ganhar do Mengo e dar o título de mão beijada para o seu principal rival?
Talvez no dia em que nossos políticos pararem com essa mania de saquear os cofres públicos para, digamos, ‘comprar panetones e cestas de Natal para os pobres´.
Em ambos os casos, lá pelo Dia de São Nunca.
Palmeiras e São Paulo, então, dependem de uma combinação mais improvável do que ganhar na loteria sem jogar.
Está se vendendo, exaustivamente, uma emoção que não existe. E que na tarde/noite de domingo só vai existir para a imensa legião de torcedores do Flamengo.
O Palmeiras teve o título mais ganho de sua vida e deixou escapar. O São Paulo cresceu na hora certa e caiu na hora errada. O Inter alternou altos e baixos.
E o Flamengo, na dele, foi subindo e virou líder na hora mais do que certa, contando com um redivivo Petkovic e esse inacreditável Adriano.
Já é Campeão Brasileiro de 2009.
Domingo, a noite será rubro-negra.
E, pelo fanatismo dos torcedores, a segunda, a terça, a quarta, a quinta, a sexta, o sábado…
Dona Enedina almoça com Wagner

Dona Maria Enedina, que ficou conhecida em toda a Bahia quando, aos 100 anos de idade, resolveu aprender a ler e escrever através do Programa Todos pela Alfabetização, esteve em Salvador para participar da formatura do TOPA. Antes da solenidade, ela foi recebida no Palácio de Ondina, onde participou de um almoço com o governador Jaques Wagner, a primeira dama Fátima Mendonça e o ministro de Desenvolvimento Social e Combate a Fome, Patrus Ananias. 
“Eu procurei estudar quando era moderna, mas nunca tive chance. Com esse programa pude ir pra escola. Estou muito feliz e precisava vir aqui agradecer pessoalmente”, disse dona Enedina. O Topa alfabetizou 460 mil pessoas em todo o estado e já é considerado o maior programa de alfabetização em execução no Brasil.
“Sinto uma emoção muito grande. É um exemplo uma pessoa de 100 anos, do interior do estado, que não teve chance de estudar e agora aprendeu a ler e escrever”, afirmou o governador Jaques Wagner. Segundo ele, o programa também é um exemplo para o Brasil. “A educação é fundamental e começa pela alfabetização. O Topa é um orgulho para a Bahia, o maior programa de alfabetização do país e esperamos que sirva de referência para outros estados”.
PS- Durante o almoço, dona Enedina não recusou a cachacinha honesta que lhe foi oferecida. Fartou-se. Ninguém vive 100 anos com esse astral por acaso…
E dona Maria Antonia virou sem-terra…
Nos últimos dez anos, dona Maria Antonia Conceição, o marido José Antonio Felipe Santos e os oito filhos do casal levaram uma vida sofrida, mas digna, de agricultores na região da Sapucaieira, em Olivença, no Sul da Bahia.
A família cultivava cacau, mandioca, feijão, melancia, cana de açúcar e piaçava numa propriedade de 40 hectares.
Há vinte dias, dona Maria Antonia e sua família foram transformadas, técnica e literalmente, em sem-terras.
Para não ficar na rua, estão morando na casa de parentes.
A família de dona Maria Antonia é um dos muitos exemplos produzidos pelo absurdo perpetrado pelos burocratas da Fundação Nacional do Índio, que sob a justificativa de reparar erros históricos criou um monstrengo jurídico que colocou indígenas e agricultores familiares sob um barril de pólvora que pode explodir a qualquer momento, tamanho o nível de tensão reinante na área em disputa.
A região da Sapucaieira está no olho do furacão de um conflito que se acentuou depois que a FUNAI reconheceu uma área de 47.376 hectares como reserva indígena pertencente aos tupinambás.
Embora seja apenas um estudo que precise ser referendado e ainda passar pelo crivo da Presidência da República, o documento acabou funcionando como um estímulo para que os indígenas começassem a invadir fazendas que julgam deles desde todo o sempre.
No caso de dona Maria Antonia e de tantos outros agricultores, eles não tiveram nem o direito de retirar seus pertences. Alguns denunciam que tiveram os produtos agrícolas saqueados e as casas queimadas.
Mandados de reintegração de posse, conferidos pela Justiça, estariam sendo ignorados pela FUNAI, sob a alegação de não possuir estrutura para isso.
No caso da reserva, que envolve áreas de Ilhéus/Olivença, Una e Buerarema, o que está em jogo não é apenas uma eventual reparação aos tupinambás, mas a sobrevivência de 18 mil pessoas que vivem legalmente em suas fazendas e dali tiram o seu sustento. E que não podem ser riscadas do mapa como simplesmente não existissem.
É legítimo que os indígenas, explorados durante séculos, busquem seus direitos e tenham acesso a uma terra que pertenceu a seus ancestrais.
Mas é legítimo também que milhares de famílias tenham seus direitos garantidos, sob pena de serem confundidas com grileiros ou usurpadores que, efetivamente, não são.
Trata-se de uma situação delicada, em que devem imperar o bom senso e o diálogo, de forma que ninguém saia prejudicado, visto que índios e agricultores familiares compõem a imensa legião de brasileiros que necessitam romper a barreira da exclusão social e levar uma vida digna.
Bom senso que, por sinal, faltou à FUNAI e que agora deve prevalecer entre o Governo Federal, o Governo Estadual, os agricultores e os indígenas.
Porque, tudo o que o Sul da Bahia não precisa neste momento é que alguém acenda o pavio e detone essa bomba, criando um novo e indesejado Pau Brasil, não a madeira que dá o nome ao País, mas a cidade engessada há a décadas por uma disputa sangrenta e ferrenha envolvendo fazendeiros e índios pataxós.
Éramos seis

Paulo Sérgio da Silva, o Sergio Gordo, 35 anos.
Erick Silva Santos, o Cabo Erick, 19 anos.
Jadson Correia dos Santos, o Escolta, 22 anos.
Josevaldo Ribeiro Santos, o Tiqueta, 25 anos.
Henrique Santos Moreno, 15 anos.
João Paulo Santos, 26 anos.
Itabuna, bairros Urbis IV, Jaçanã, Fonseca, Califórnia, São Lourenço.
Paulo Sérgio, vendedor de DVDs, assassinado porque negou um real a um viciado em crack.
Erick e Jadson assassinados em função de rixas com grupos rivais.
Josevaldo assassinado possivelmente por engano, confundido que foi com um traficante conhecido como Nem Veio.
Henrique e João Paulo, sem envolvimento com drogas ou com o mundo do crime, assassinados sabe-se lá porque.
Seis assassinatos em Itabuna num intervalo inferior a 48 horas.
Uma carnificina iniciada no sábado e encerrada no domingo, como que para “coroar” a Semana da Vergonha, em que Itabuna foi apontada como a cidade brasileira em que os jovens estão mais expostos a violência e à exclusão social.
Das seis vítimas fatais, apenas uma tinha mais do que 26 anos.
Jovens, com uma vida inteira pela frente, tragados por uma brutalidade sem limites, vítimas de uma guerra urbana de contornos cada vez dramáticos e violentos.
Mata-se por um real, mata-se por uma discussão banal, mata-se por engano.
Na rua, no bar, dentro de casa.
Sangue inocente e sangue de gente que descambou para a marginalidade por falta de opção.
Bairros carentes transformados num barril de pólvora, que explode em assassinatos seriais, em agressões, assaltos, arrombamentos, tráfico de drogas.
Uma violência onipresente, prevalecendo sobre um poder público omisso e/ou ineficaz, um sistema de segurança pública que não garante a segurança de ninguém.
Vivemos numa cidade que conta e chora as suas vítimas aos montes, que está perplexa diante de tanta violência, mas que precisa reagir, cobrar providências das autoridades competentes (sic) e exigir que se dê um basta a tanta violência, que se trate bandido com rigor e preserve a vida e a integridade dos cidadãos de bem.
Uma cidade que não pode ficar de joelhos, como se estivesse diante de uma situação irreversível ou subjugada por um castigo divino, um golpe do destino.
Itabuna, que já deu tantas demonstrações de altivez, precisa, mais uma vez, promover uma ampla mobilização, capaz de chamar a atenção e gerar as necessárias e imediatas providências que dêem um basta a esse banho de sangue.
Paulo, Erick, Jadson, Josevaldo, Henrique e João.
Quem será o próximo?
Quem serão os próximos?
Papai Noel e políticos honestos existem?

Quando a gente pensa que já viu tudo na política, sempre aparece mais alguma coisa para ser vista,
Quando se acha que chegamos ao limite do lamaçal, aparece ainda mais lama.
As cenas do governador de Brasília, José Roberto Arruada, do DEM, recebendo dinheiro desviado dos cofres públicos são uma daquelas coisas que causam asco.
Nas imagens, Arruda recebe um pacote de notas que somam cerca de 100 mil reais. Gato escaldado, diz ao homem que lhe entregara o dinheiro que era melhor que o pacote fosse entregue em outro local.
Sabe como é, alguém poderia estranhar vê-lo saindo com aquele embrulho e…
Depois, escaldado, mas faminto, pede que o assessor arrume uma sacola de compras para colocar o dinheiro.
Gatuno, chega a se afundar no sofá, enquanto espera a sacola providencial, que segundos depois a imagem flagra sendo discretamente levada por outro assessor.
Pronto, ninguém vai estranhar mais nada, afinal trata-se de um assessor anônimo saindo com uma inocente sacola.
O “filme” em questão é apenas a ponta do iceberg do mais recente -e com certeza não o último- escândalo da política brasileira.
O esquema envolve desvio de dinheiro para campanhas eleitorais, pagamento de propina em troca de apoio político e enriquecimento ilícito. Além de, no caso de Brasília, chantagem com as gravações feitas sem que os envolvidos soubessem que estavam sendo filmados.
Embora muitos deles sorriam, com a cara de pau peculiar dos salteadores dos cofres público.
Já tivemos o mensalão do PT, o mensalão do PSDB e agora temos o mensalão do DEM, sinal de que a corrupção que parece entranhada no sistema político não respeita matiz partidária.
É um mal crônico e incurável, que gera como subproduto perverso milhões de pessoas sem acesso aos serviços básicos e projetos de inclusão, porque o dinheiro escorre farto pelo ralo insaciável do propinoduto.
Um mal agravado por outro subproduto, que atende pelo nome de impunidade. Passado o estupor geral, surgido outro escândalo, cessados os holofotes, tudo termina sem que ninguém seja punido.
E a vida segue no país do dinheiro na cueca, do dinheiro nas meias, do dinheiro na caixa de sapatos, do dinheiro na sacola de compras, do dinheiro invisível a engordar contas secretas para gerar mansões, carrões e vidas luxuosas; enquanto o povaréu se equilibra no salário curto e suado para pagar as contas.
Tem mais: na impossibilidade de brigar com as imagens, impera a mais deslavada sem-vergonhice para explicar o inexplicável.
Não é que José Roberto Arruda saiu-se com a explicação de que o dinheiro colocado na sacola seria destinado para a compra de panetones e cestas de Natal para famílias carentes!
Enfim, o sujeito querendo bancar o Papai Noel dos pobres e essa gente maldosa achando que ele é um corrupto.
Que ignomínia!
Blague à parte há de se convir: é mais fácil acreditar em Papai Noel do que em político honesto.















