Cem anos. Sem time!

O que no domingo de Páscoa parecia ser o testemunho de uma ressurreição revelou-se uma espécie de suspiro de moribundo, aquela falsa sensação de recuperação que antecede a morte.
E o Itabuna morreu, ao menos no que tange à 1ª. Divisão do Campeonato Baiano.
Ainda no início de abril, encerra de forma melancólica o ano de 2010, condenado ao pântano da 2ª. Divisão em 2011.
Isso, justamente no ano do primeiro centenário da cidade que empresta o nome ao time.
O ano que poderia ser glorioso será lembrado como o ano vergonhoso do rebaixamento do clube azulino, que tem como símbolo um dragão, mas que há muito tempo não assusta ninguém, tantas foram as vezes nos últimos anosem que flertou com a queda ora consumada.
A esperança da glória centenária se resumiu aos dois primeiros jogos do campeonato, quando o Itabuna venceu o Atlético de Alagoinhas e o Vitória.
Em seguida, o que se viu foi uma sucessão de derrotas, uma penca de goleadas e o passaporte para o Quadrangular da Morte, onde a triste sina continuou, mesmo com vitórias de 4×0 sobre o Colo Colo e 3×0 sobre o Ipitanga.
Mas ai, a salvação já havia entrado para a categoria milagre.
E milagres, como se sabe, não costumam acontecer com tanta freqüência nos últimos dois mil anos, desde que um jovem galileu andou transformando água em vinho, multiplicando pão e vinho, fazendo coxos andarem, cegos enxergarem e até mortos retornarem ao mundo dos vivos.
Resultado: na chuvosa noite de quarta-feira, 7 de abril, no ano do Centenário, entre raios, trovões e relâmpagos (cenário ideal para um filme de terror), o Itabuna mergulhou para o abismo da 2ª. Divisão, aquela categoria futebolística quase mambembe, disputada por times marca bufa.
O torcedor, esse apaixonado que nunca abandona o time, está triste, os jogadores e a comissão técnica envergonhados e a diretoria sem conseguir explicar o inexplicável.
Se serve como consolo, não é o fim do mundo.
Muitos times, inclusive gigantes do futebol, renasceram após quedas para a 2ª. Divisão.
Pode ser o caso do Itabuna, caso aprenda as lições desse fracasso e corrija os muitos erros do acidentado percurso de 2010.
E que se aprenda, de uma vez por todos, que time de futebol não tem dono.
Ou melhor, tem sim: o torcedor.
CARANGUEJADA
Na bacia das almas, com uma derrota com sabor de vitória, o Colo Colo salvou o próprio pescoço e permanece na 1ª. Divisão.
Mas, precisa sofrer tanto?
Rio de Janeiro, águas de abril
“O Rio todinho debaixo d’agua – vergonhoso – onde já se viu uma cidade deste tamanho sumir debaixo d’agua? Está parecendo New Orleans, nos Estados Unidos após a passagem do furacão Katrina. Os pobres nadando e os ricos lá longe nas suas chácaras. Estão falando em 2000 desabrigados. E a multidão que já estava morando na rua? Foi parar onde? Vi crianças descalças sendo enxotadas do metrô para o dilúvio. Aqui em casa a luz vai e vem – vai baixando, baixando até quase apagar, aí vai subindo como se o dia tivesse amanhecendo. As linhas de telefones estão todas congestionadas, fora do ar. Silêncio completo, nem um ruído de trânsito – parece o interior – um cão latindo, o grito de alguém. Bizarro. Um imenso silêncio diante das provas mais contundentes da falta de qualquer investimento na infra-estrutura da cidade”.
O relato acima é de cineasta inglesa Vik Birkbeck, que há 30 anos mora e trabalha no Rio de Janeiro, e reflete a indignação com as seguidas tragédias que se abatem sobre a Cidade Maravilhosa, a mais recente delas o dilúvio de proporções bíblicas que deixou mais de 100 mortos e instalou o caos numa das maiores metrópoles brasileiras.
Um Rio de água, lama, deslizamentos de morros, barracos e casas destruídas, trânsito parado, vôos cancelados, energia interrompida, serviços urbanos suspensos e mortes, muitas mortes.
Um Rio que se orgulha de ser a sede dos principais jogos e da final da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, mas que, paradoxalmente, não consegue evitar, ou ao menos reduzir, os estragos e as mortes causadas por tragédias mais do que previsíveis e que vem se repetindo com espantosa freqüência.
O que ocorreu nas últimas 48 horas no Rio de Janeiro foi uma quase inacreditável conjunção de fenômenos naturais, que resultou no maior temporal sobre a cidade em quatro décadas.
Mas não se pode, nem se deve imputar a culpa à natureza.
A tragédia que atingiu o Rio de Janeiro e seus habitantes é fruto da falta de planejamento urbano e da ausência do compromisso de suas autoridades com obras de infra-estrutura, que raramente resultam em votos, ao contrário das chamadas obras faraônicas, de muito impacto visual e pouco efeito prático.
A explosão demográfica, a escalada irrefreável rumo aos morros, a ocupação desenfreada de áreas de mata, a destruição de florestas e a completa ausência do poder público criam todas as condições para que o impacto dos fenômenos naturais se multiplique, gerando mortes e destruição em larga escala.
O homem, muito por conta dos homens que ele elege, acaba sendo vítima daquilo que ele mesmo provoca, numa reação de causa e efeito.
Não raro, um efeito devastador.
O Rio de Janeiro que afunda e se afoga nas águas de abril, é um pouco do retrato do Brasil, em que planejamento e prevenção parecem palavras perdidas no dicionário das autoridades, que só se mobilizam quando a catástrofe já é um fato consumado.
Diante das próximas chuvas, no Rio de Janeiro e em tantas outras cidades brasileiras, a dúvida é saber quem serão as próximas vítimas.
Lições de imprudência e despreparo

Maysa Cordeiro Macedo, de 18 anos, estudante, moradora de Ibicui, pequena cidade encravada entre o Sul e Sudoeste da Bahia, é mais uma vítima da violência.
Na madrugada do último sábado, Maysa levou um tiro de escopeta, quando viajava de carona numa moto.
Ao contrário do que é praxe nessa escalada de violência insana e sem limites, a jovem não foi morta durante uma tentativa de assalto, por um desses marginais para quem a vida não tem valor algum.
Maysa foi vítima de um misto de imprudência e despreparo, baleada mortalmente por um policial que, em tese, deveria justamente protege-la e proteger os demais cidadãos de bem.
Imprudência e despreparo, sim, posto que a morte de Maysa pode ser incluída no rol das evitáveis, não fosse a conjugação desses dois fatores.
O motorista da moto em que a jovem estava passou diante de uma blitz realizada pela polícia. Como estava sem habilitação e com os documentos do veículo em situação irregular, em vez de parar, decidiu seguir em frente.
Um dos policiais que atuavam na blitz, optou pela pior maneira de fazer o motoqueiro parar: atirou. Segundo ele, para acertar um dos pneus da moto.
Se acertou o pneu, isso é irrelevante, diante da tragédia que sucedeu.
Estilhaços do tiro de escopeta atingiram a estudante, que ainda foi socorrida com vida, mas faleceu antes de chegar ao Hospital de Base de Itabuna.
O policial agiu no melhor (ou pior) estilo “primeiro atira, depois pergunta”, praxe que há muito deveria ter sido extinta da cartilha de procedimentos, mas que infelizmente não chega a ser uma exceção durante as abordagens.
Óbvio que vai se alegar que ocorreu uma lamentável fatalidade.
Óbvio também que o policial não teve a mais remota intenção de atingir Maysa.
Mas, ao agir com a imprudência com que agiu, amplificou as chances de que isso viesse a ocorrer, como de fato ocorreu.
Um pouco mais de cuidado com a capacitação e com o tipo de policial que se coloca nas ruas certamente irá contribuir para evitar que uma simples blitz se transforme numa tragédia pessoal e familiar.
Para Maysa, que pegou uma carona sem volta, será tarde demais.
SANGUELATE
“Coelhinho da Páscoa, o que trazes pra mim, um ovo, dois ovos, três ovos assim?”.
Esqueçam a ingenuidade das canções de Páscoa.
A Semana Santa em Itabuna teve cinco assassinatos, quatro deles envolvendo jovens entre 18 e 24 anos de idade.
Em vez de chocolate, sangue.
Em vez de ressurreição, morte mesmo.
E o coelhinho da Páscoa que trate de correr, antes que sobre pra ele também.
Um tiro, dois tiros, três tiros assim…
O mundo vai ter que esperar
Acabo de receber das mãos de Agenor Gasparetto e Marcel Santos, da Via Litterarum, o primeiro exemplar do meu livro, Vassoura, uma série de contos que tem como pano de fundo essa tragédia de proporções bíblicas que foi a vassoura-de-bruxa e seu impacto na vida das pessoas.
Obra de ficção, num livro muito legal e –acredito- de leitura agradável, com finais que sempre surpreendem.
O lançamento estava previsto para a próxima semana, mas uma violenta crise de asma deste blogueiro vai fazer com que o mundo tenha que esperar mais um pouco.
Não sendo eu carismático, me tornei um cara asmático.
A piada é boa, mas pra quem passa por isso, não tem graça nenhuma.
HELP, SAMU, HELP!!!
Um homem quase morreu sufocado entre os seios da namorada durante uma relação sexual. Claire Smedley interrompeu o “trabalho” ao perceber que o amado estava muito parado. E estava mesmo: Steven não estava mais respirando!
Claire, de 27 anos, ocupa o segundo lugar no ranking dos maiores seios do Reino Unido – 12 quilos! Ela desabafou ao “News of the World”.
“Ele começou a se descontrolar, mas achei que fosse por estar muito excitado. Então eu continuei. Poucos minutos depois percebi que ele tinha parado de se mexer”, contou Claire.
Desesperada, a inglesa ligou para a emergência médica. Por sorte, Stven, também de 27 anos, voltou a respirar antes da chegada do socorro.
Texto publicado no globo.com
PS- Imagina-se que durante a relação Claire tenha dito: “Amor, to sentindo você meio morto hoje…”
Pra evitar novos riscos, Stven trocou de namorada.
A um passo do milagre

Não poderia haver dia mais apropriado do que o Domingo de Páscoa para a ressurreição do Colo Colo e do Itabuna no Quadrangular da Morte que define os dois times que são rebaixados para a 2ª. Divisão do Campeonato Baiano.
Porque ressurreição é o termo se aplica aos dois times que estavam praticamente mortos e cujas lápides se encontravam em processo de execução.
Eis que, num desses feitos que transcendem qualquer lógica, o Colo Colo se tornou líder do grupo e o Itabuna, que viu o abismo ainda mais de perto do que o time ilheense, agora depende apenas da suas próprias forças para se salvar.
Itabuna que nos últimos dois jogos, como que iluminado pelos deuses da bola, tirou a cabeça da guilhotina, sapecou 4×0 no Colo Colo e enfiou 3×0 no Ipitanga.
De pior entre os piores, saltou para a vice-liderança. É “apenas” o segundo pior entre os quatro piores.
Uma vitória sobre o Madre de Deus, nesta quarta feira, fora de casa, consuma o milagre. Que pode vir até com um empate, caso o Colo Colo também fique na igualdade com o Ipitanga.
Ou seja, por uma dessas ironias, os ilheenses jogam pela própria salvação e por tabela podem dar uma força monumental ao rival, que nessa hora não é rival coisa nenhuma, já que a permanência da 1ª. Divisão é salutar para ambos.
Colo Colo e Itabuna, que mergulharam juntos nas águas tormentosas do Quadrangular da Morte, estão a um passo do milagre que os manterá vivos.
Nada que signifique o céu da bola.
Mas, pelo menos significa não descer ao inferno.
O que, na atual circunstância, não é pouca coisa.
É muita coisa mesmo.
DUAS BOLAS
No Rio de Janeiro, a lógica de sempre: Flamengo, Vasco, Botafogo e Fluminense disputam mais um título.
Em São Paulo, o Santos, com seus meninos malabaristas, está classificado para as semifinais. O Palmeiras está fora e São Paulo e Corinthians terão que suar sangue na última rodada de classificatória para não dançarem também.
Mas, por onde se olhe, o futebol brasileiro está uma pasmaceira de dar sono.
A nivelação é por baixo mesmo.
Tão por baixo que até Ronaldo, que de tão redondo às vezes se confunde com a bola, anda metendo seus golzinhos.
Junto e Misturado

Eleição municipal de 2000 em Itabuna. Questionado por um repórter de televisão durante um comício no bairro Santo Antonio sobre o como ficariam as relações entre o município e o estado no caso de uma até ali improvável vitória do candidato do PT, Geraldo Simões, o então governador César Borges perpetrou uma frase de antologia:
-Água e óleo não se misturam.
Num tom mais acima (ou mais abaixo), o senador ACM, no esplendor do poder, bradava aos quatro ventos o que poderia ser traduzido de forma objetiva como:
– Se o PT ganhar a eleição, a cidade vai passar a pão e água, sem nenhuma gotinha de azeite que fosse.
Aquele tipo de pressão explícita acabou produzindo o efeito inverso. Como que tomada por um impulso coletivo, a população decidiu que poderia até passar a pão e água, mas não iria se subjugar.
O slogan “No meu voto mando eu” espalhou-se como um rastilho de pólvora pela cidade e, em menos de duas semanas, o candidato do governo, Fernando Gomes, viu ruir uma vantagem em torno de vinte pontos percentuais apontada pelas pesquisas.
Geraldo ganhou de Fernando por cerca de dois mil votos de diferença e, efetivamente, Itabuna entrou num regime de obras e ações do governo do estado, situação que só se reverteu a partir da vitória de Lula na eleição presencial.
Isso, agora, é história.
Dez anos depois, por uma dessas ironias que a política costuma produzir, o hoje senador César Borges, candidato a reeleição, está a um passo de compor a chapa de Jaques Wagner, governador da Bahia e petista de carteirinha, gerado no movimento sindical.
Qual o problema dessa mudança de posição de César Borges?
A resposta, a despeito de alguns muxoxos de integrantes do PT, é: nenhum problema!
A adesão de Borges, através de um acordo político, significa a possibilidade real de que Wagner vença a eleição já no primeiro turno, evitando um eventual segundo turno em que as chances do PMDB de Geddel Vieira Lima apoiar Paulo Souto, do DEM, não devem ser desprezadas.
Política, como bem ensinou o imortal Leonel Brizola, não é apenas a arte de engolir sapos, mesmo os sapos barbudos, como às vezes ter que digerir o brejo inteiro.
E, ao contrário do que ensinou outro imortal, o Barão de Cobertain, nem no esporte o importante é competir, mas vencer.
Na política então, essa coisa de entrar na disputa para marcar posição remete à pré-história do PT.
Água e óleo, enfim, não apenas se misturam como podem, levados ao forno/urna na medida certa, resultar num apetitoso e generoso prato de votos.
UM CLICK NO MUNDO DO TRÁFICO

Eis um retrato de como a bandidagem deita e rola em Itabuna:
Um fotógrafo profissional teve sua casa arrombada num bairro da periferia da cidade, enquanto estava viajando.
O ladrão roubou o objeto de valor que encontrou, uma máquina digital, avaliada em dois mil reais.
O fotógrafo não precisou ser detetive para descobrir que a máquina fora trocada por cinco pedras de crack.
Procurou o traficante, pediu a máquina de volta e esta em princípio relutou. Sob a ameaça do fotografo, de que chamaria a polícia, foi oferecida uma solução, digamos, negociada.
O fotógrafo pagou os 50 reais referentes ao valor das pedras de crack, recebeu seu instrumento de trabalho de volta e vida que segue.
Contra ou a favor

Sempre que converso com meus companheiros de profissão sobre liberdade de opinião ou jornalista escrever o que bem entende no veículo de comunicação em que trabalha, me vem à memória uma historinha ocorrida nos tempos em que jornal era feito na linotipo e revisor, a exemplo de juizes de futebol, tinha duas mães, visto que quando achavam um erro, era preciso compor a linha inteira da página no chumbão.
Pois bem, a tarde seguia modorrenta naquele diário da cidadezinha do interior, quando, o jornalista, sem assunto para escrever o editorial do dia seguinte, perguntou ao dono do jornal se ele tinha alguma idéia.
Mais preocupado com o parto da bezerra, o que é até pertinente em se tratando de um jornal de cidade interiorana, o sujeito respondeu:
-Escreve aí sobre Jesus Cristo…
E o jornalista, sem titubear:
-Contra ou a favor, chefe?
PRA LÁ DE MARRAKESH

Realizando um cruzeiro marítimo que inclui paradas em ilhas paradisíacas do Mar Mediterrâneo e escalas em países do Norte da África e da Europa, a professora Miralva Moitinho curte inolvidáveis férias, ao lado de seu companheiro e meu amigo Kiko.
Na foto, Miralva aparece numa rua de Casablanca, no Marrocos, ao lado de uma figuraça local.
O retorno do casal está previsto para a semana que vem, via Roma, a Cidade Eterna.
Como diria o imortal Ibrahim Sued, sorry periferia, que cavalo não sobe escada, mas degusta um jabazinho maneiro, regado ao velho Jack e a uns puros habanos…kkkkkkkkkkkkkk













