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Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

maio 2026
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Dia de estréia, dia de goleada


Depois de uma convocação contestada, de rixas inúteis de seu treinador com a imprensa, das dúvidas sobre as condições físicas de seu principal astro e até de inacreditáveis treinos secretos nas frias noites sul-africanas, a Seleção Brasileira finalmente faz sua estréia na Copa, diante da igualmente misteriosa Coréia do Norte, time de quinta categoria no mundo do futebol.

Seleção Brasileira em campo é aquela coisa de parar o país, de fazer bater forte o coração do mais indiferente dos torcedores. Poucas vezes o brasileiro se une tanto em torno de um símbolo como numa Copa do Mundo.,

E a Seleção Brasileira, maior vencedora da história das Copas, com cinco títulos, é o símbolo de um país vencedor, que dribla todas as dificuldades e toca a vida pra frente.

Daí que, ao contrário do que imagina o técnico Dunga, bem ou mal convocada, bem ou mal escalada, essa é a seleção pela qual milhões de brasileiros irão torcer na Copa do Mundo. E com a qual vão sonhar com o hexacampeonato, marca impressionante para um torneio disputado a cada quatro anos e que está em sua 19ª. edição.

Não é evidentemente, a Seleção Brasileira ideal, onde haveria espaço para Ganso, Neymar, Ronaldinho Gaúcho e Hernanes, mas é o que teremos para tentar superar Alemanha, Itália, Espanha e Argentina, que dividem com o Brasil as honras de favoritas.

É a Seleção de uma superdefesa, da classe de Kaká (se estiver bem fisicamente), dos lampejos de Robinho e do faro de gol de Luis Fabiano. E de um monte de brucutus espanando o meio de campo.

Nada melhor do que uma Coréia do Sul logo na estréia, para sapecar uma goleada, pegar confiança e embalar. Adversário mais a caráter não poderia haver para começar bem o Mundial e fazer prevalecer a tradição e a camisa amarela.

No mais, faço minhas as palavras (sérias) do humorista Marcelo Madureira, do Casseta & Planeta: “Dunga é um anão problemático, complexado e inseguro”. E eternamente de mau com o mundo.

Mas, apesar dele, vamos ao Hexa!

PIZZA PARAGUAIA


Itália 1×1 Paraguai. A Seleção da Itália, quatro vezes campeã do mundo, mais parecia uísque paraguaio, de tão ruim.

E o Paraguai parecia o Paraguai mesmo, com chutão pra todo lado e seja o que Deus quiser.

Como nem os deuses da bola, mais um joguinho meia boca, de dar sono no torcedor/sofredor.

SUSHI DE CAMARÕES


Japão 1×0 Camarões. Jogo duro. De assistir, bem entendido.

Camarões africanos + culinária japonesa = prato (jogo) indigesto.

Como estão maltratando a pobre da jabulani!

O futebol, por Deus, onde anda o futebol?

SUCO DE LARANJA PARA O GASTO


Holanda 2×0 Dinamarca.

Não foi a oitava maravilha do mundo, mas a Laranja Mecânica mostrou o futebol eficiente (e algumas vezes bonito) de sempre e ganhou com folga dos dinamarqueses.

Tem time pra ganhar a Copa?

Se for essa Copa que vimos até agora, tem.

COTAÇÃO DO CACAU


Alemanha 4×0 Austrália. Tudo bem que os germânicos jogaram contra ninguém, mas até que enfim apareceu algo alguma coisa parecida com futebol nesse Copa.

E, pelo menos no gramado, o Cacau brasileiro está valorizado, contribuindo com o chocolate dos alemães nos cangurus.

UM CANDIDATO À PROCURA DE UM DISCURSO


Não é só um candidato a vice que José Serra está procurando.

A julgar pela convenção do DEM/PSDB que homologou sua candidatura a presidência da República, Serra também está à procura de um discurso.

Uma hora, elogia Lula e os avanços do governo do PT.

Outra hora, detona Lula e o governo do PT, como fez no discurso em Salvador, onde havia mais demos do que tucanos na platéia.

Enquanto José Serra não encontra nem um vice nem um discurso, Dilma Roussef, amparada pela monumental popularidade de Lula, acelera.

A COPA COMEÇOU, MAS FUTEBOL QUE É BOM…


Tirando alguns lampejos de Messi na vitória da Argentina sobre a Nigéria por 1×0, o futebol ainda não deu as caras na Copa da África do Sul.

Tudo bem que de África do Sul x México e Coréia do Sul x Grécia não se esperava nada, mas França x Uruguai foi um show de horror e Inglaterra x Estados Unidos foi só correria, com direito a uma galinácea monumental do inglês Green.

Quanto a Eslovênia x Argélia bastaram 45 minutos para se perceber que mais parece um Colo Colo x Itabuna com camisas diferentes.

Se esses jogos forem um indicativo do que vem por aí teremos uma copinha bem mulambenta.

ALIANÇA PARA O PROGRESSO


Foram 10 mil pessoas, entre políticos, empresários, trabalhadores, sindicalistas, lideranças comunitárias, gente simples do povo.

Uma cidade inteira, ali representada, deixando bem claro o que deseja: desenvolvimento, emprego, oportunidades.

Gente que tem conhecimento de que está diante de uma chance histórica, daquelas que não podem nem devem ser desperdiçadas.

A manifestação dos ilheenses em favor do Complexo Intermodal, que inclui o Porto Sul, a Ferrovia Oeste-Leste, o Aeroporto Internacional e a Zona de Processamento de Exportações, foi uma demonstração inequívoca de que a cidade deseja esses empreendimentos.

Foi uma dessas raras oportunidades em que políticos de diferentes posições, sindicatos de ideologias distintas e lideranças que disputam espaços se uniram em torno de um único objetivo, deixando de lado projetos pessoais em nome do interesse coletivo.

Era preciso que esse tipo de manifestação ocorresse, para que não paire qualquer dúvida do rumo que Ilhéus deseja tomar.

E o rumo de Ilhéus, o rumo do Sul da Bahia, é a retomada do desenvolvimento, após décadas de estagnação provocada pela vassoura-de-bruxa.

Um desenvolvimento que passa, sim, pela conservação ambiental, mas passa também pelo Complexo Intermodal, com suas múltiplas possibilidades de negócios e ganhos para o comércio, a industria, a prestação de serviços, o lazer/entretenimento.

Um desenvolvimento que não será apenas de Ilhéus, mas de todo o Sul da Bahia, capaz de experimentar um salto idêntico gerado pela Refinaria Landulfo Alves, o Pólo Petroquímico e o Distrito Industrial de Aratu, que impulsionar a Região Metropolitana de Salvador e fizeram da então acanhada capital baiana a 5ª. maior do país.

O que está em jogo é bem mais do que eventuais danos ao meio-ambiente, plenamente compensáveis com ações de reparação.

É o processo de recuperação de uma região sempre relegada ao abando e que agora se vê diante oportunidade real de receber obras como o Porto Sul, a Ferrovia Oeste-Leste, e o Aeroporto Internacional, como recentemente recebeu uma base de distribuição de gás natural, através do Gasene.

Esse é o caminho que a caminhada pelo progresso mostrou que os ilheenses e todos os sulbaianos querem seguir.

CONVOCA A ÁRVORE, DUNGA!!!


A Prefeitura de Itororó parece ter captado o espírito da coisa.

Em ano de Copa do Mundo, a Seleção Brasileira é tema da decoração do FestSol 2010, uma das melhores festas de São João da Bahia.

E já que o time de Dunga está repleto de pernas de pau, decorar as árvores com a camisa da Seleção tem tudo a ver.

Não é nada, não é nada e tem árvore aí que joga mais do que o Felipe Mello, o Kleberson e o Josué.

Luandson Passos Reis, 10 anos


-Filho, vai ali no mercadinho comprar um pacote de sal…
-Tô indo, mãe…

A frase é banal, repetida incontáveis vezes em lares Brasil afora, mundo afora.

O menino que atende ao pedido da mãe, vai ao mercadinho e se sobrar troco ainda compra uma bala, um doce, um chiclete.

E volta para casa, para quem sabe ganhar um ´obrigado filho´, um beijo carinhoso ou um ´agora pode ir brincar com seus amigos´.

Banalidades.

Não para Luandson, nem para sua mãe.

Banalidade no mundo em que Luandson vivia (sim, “vivia”) é a violência desenfreada, as pessoas de bem reféns dos bandidos, a morte transformada em rotina macabra.

O mundo de Luandson atende pelo nome de Pedro Jerônimo, bairro carente da abandonada periferia de Itabuna.

E Luandson, um menino de 10 anos, estudante do 4º ano do ensino fundamental numa escola pública em Itabuna, pode cumprir apenas metade do pedido da mãe.

O sal ficou pelo meio do caminho.

Pior, sua vida ficou pelo meio do caminho.

E no meio do caminho entre o mercadinho e a casa de Luandson havia não uma pedra, como no poema de Drummond, mas um tiro de escopeta. Dois tiros de escopeta, para ser mais exato.

Luandson foi executado por marginais a bordo de um carro que, na tentativa de atingir Alisson Santos de Oliveira, de 22 anos, que nem morador do bairro era, atiraram sem se importar em que acertariam.

Os tiros, que eram para Alisson, que foi ferido sem gravidade, acabaram tirando a vida de Luandson, o menino que saiu para comprar sal e não voltou para casa.

Melhor dizendo, não voltou para casa como o menino cheio de vida, com um imenso futuro pela frente, que acabara de atender ao pedido da mãe.

Voltou como um corpo inerte e sem vida.

Sem o sal, que agora, metaforicamente, arde em sua mãe como uma ferida que jamais irá cicatrizar, tamanha é a dor de perder um filho de maneira tão brutal.

E arde em todos aqueles que, indefesos, já não sabem a quem recorrer diante de uma violência que não poupa ninguém, que abate meninos no meio do caminho entra e casa e o mercadinho.

Arde em todos nós!

Chega!

Definitivamente, chega!





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