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livros do thame





Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

maio 2026
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PRATO DA COPA


Holanda 2×1 Camarões. Sushi pro Japão, espetinho pra Dinamarca e bobó pra Holanda. Camarões foi o prato mais delicioso e inofensivo da Copa.

Três jogos, três derrotas e adeus.

A Holanda, com três vitórias, foi mais eficiência do que arte, mas entra no grupo dos favoritos ao lado de Brasil, Argentina, talvez a Espanha e mais ninguém.

IL SOLE MIO


Eslováquia 3×2 Itália. A zebra africana passeou de gôndola e Itália está fora da Copa, fazendo companhia à França.

O jogo foi emocionante, mas a Itália, mal na defesa e inoperante no ataque, não mereceu vencer.

A Eslováquia nem sentiu saudades da Tcheca (ops!) e se virou sozinha. Está nas oitavas de final.

OS HERÓIS DA OCEANIA


Paraguai 0x0 Nova Zelândia. A Nova Zelândia entrou na Copa pra perder de todo e não perdeu de ninguém. Empatou seus três jogos e ainda terminou na frente da Itália.

Os jogadores voltam para a Oceania como heróis. Os paraguaios, classificados, jogaram com o regulamento na mão.

0x0 horroroso, mas vá dizer isso para os paraguaios e neozelandeses.

ESCONDE-ESCONDE


A pesquisa Ibope mostra que Dilma passou Serra e abriu uma vantagem de cinco pontos para o tucano: 40% a 35% nas intenções de voto.

Num eventual segundo turno, Dilma vence por 46% a 38%.

É a primeira vez que Dilma aparece na frente de Serra no Ibope, apesar da superexposição do candidato no PSDB.

Mas, entre nos sites do OUL, da Folha, da Globo e da Veja e procure a informação, relevante apesar do clima de Copa do Mundo…

Recomenda-se utilizar uma lupa, porque a notícia está bem escondidinha.

Deve ser isso que a grande mídia chama de jornalismo independente e imparcial.

OLHA OS ROBÔS AÍ, GENTE…


Alemanha 1×0 Gana. Após aqueles 4×0 na Austrália e o 0x1 da Sérvia, os alemães decidiram voltar ao velho e eficiente futebol-robô de sempre.

Ganharam de Gana sem muito esforço. E os africanos, apesar da derrotada, ganharam a vaga de presente.

Jogo ruim, mas bom para os dois.

O PULO DO CANGURU


Austrália 2×1 Sérvia. A Sérvia botou a Austrália na roda, a Austrália botou bolas na rede. No final, ambos morreram abraçadas, mas o jogo até que foi emocionante, apesar da surra na pobre de “jabú”.

A Sérvia, que tinha a vaga na mão após vencer a Alemanhã, comeu chucrute e se engasgou com canguru.

A VIDA NUM MINUTO


EUA 1×0 Argélia. Parece até roteiro de Hollywood. Os Estados Unidos empatavam com a Argélia e e davam adeus à Copa.

Até que, no último minuto, Donavan aproveitou um rebote do goleiro argelino e fez o gol salvador.

E mais: os EUA com seu futebol a la Rock Balboa (apanha, mas sempre se salva) acabaram em primeiro no grupo.

O SONHO (AINDA) NÃO ACABOU


Inglaterra 1×0 Eslovênia. A Inglaterra jogou para se classificar fez 1×0 e rezou para o tempo passar. Rooney, mais uma vez, passou em branco.

O time inglês é bem ruinzinho, mas como o grupo era fraco, levou susto, mas avançou. E em segundo!

O jeito é ressuscitar os Beatles, que podiam não bater um bolão, mas cantavam pra caramba.

SÃO JOÃO NA BOA


É São João.

Hora de pegar a estrada e curtir a festa mais tradicional do Nordeste em Ibicui, Itororó, Itapetinga, Itagiba, Uruçuca, etc.

E hora de ter juízo nas estradas, evitando as irresponsabilidades que tantas vítimas tem ceifado.

Enfim, vamos e voltemos, na paz de Deus e na festança de São João, com tudo o que temos direito.

Vender a mãe e não entregar


Na Copa do Mundo de 1974, a então Alemanha Ocidental entregou o jogo para a sua irmã Alemanha Oriental, que a Guerra Fria separou por um muro. Perdeu de 1×0, numa marmelada monumental.

O objetivo era fugir do confronto com o Brasil e a Holanda na fase seguinte, e encarar adversários mais fáceis para chegar a final.

Chegou e no embalo acabou derrotando a própria Holanda por 2×1, conquistando o bicampeonato.

Na Copa de 1990, a mesma Alemanha fez um jogo de compadres contra a Áustria, a partida terminou empatada, os alemães “fugiram” da dona da casa, a Itália, e de novo chegaram a final, desta vez contra uma remendada Argentina.

Alemanha tricampeã do mundo.

Entregar uma partida ou fazer jogo de compadres para escolher adversários teoricamente mais fáceis na fase seguinte não é bem o espírito do futebol e dá botinadas no fair-play, mas não condena ninguém ao desterro ou ao fogo do inferno, quando a meta é achar um caminho mais fácil para chegar ao maior dos objetivos, a conquista do título.

A estratégia alemã vem a propósito diante da situação do Brasil na Copa.

Prevalecesse a lógica e o Brasil, primeiro do grupo G, enfrentaria o Chile ou a Suíça, que brigariam pela segunda vaga do grupo H, que tinha a Espanha como favorita.

No grupo G, a lógica prevaleceu e o Brasil, mesmo sem jogar um grande futebol, passou pela Coréia do Norte e pela Costa do Marfim.

Ocorre que a Espanha não seguiu a lógica, perdeu da Suíça, ganhou na bacia das almas de Honduras e vai lutar pelo segundo lugar do grupo H, neste caso, para enfrentar o Brasil.

Óbvio que, mesmo com a Espanha cambaleando, em tese é muito melhor pegar o Chile, nosso velho freguês, e avançar para as quartas de final.

O problema é que não temos o pragmatismo alemão, já que para o brasileiro o futebol é essencialmente paixão (embora o time atual seja racional até demais) e fica difícil imaginar Dunga pedindo para os jogadores entregarem a partida para os portugueses.

Não faz parte da nossa cultura esse tipo de atitude. Ou de falta de atitude.

Resumo da ópera: o Brasil joga para vencer os portugueses e confirmar o primeiro lugar do grupo. Depois, que venha Chile, Suíça ou Espanha.

Porque esse Brasil pragmático, sem graça e com um técnico que é o supra-sumo do mau humor e da grosseria, está com uma cara de hexacampeão…





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