Centenário macabro

Na próxima semana, Itabuna comemora 100 anos de emancipação. Uma data história, que apesar do anticlímax criado pela falta de obras importantes a serem inauguradas, merece ser comemorada.
Itabuna é uma cidade pujante, de uma gente empreendedora, capaz de driblar e superar todas as crises vividas ao longo desse seu primeiro século.
É, entretanto, um outro número 100 que incomoda e ele nada tem a ver com o centenário da cidade. Ou até tem, visto que é uma relação de causa e evento.
100 é o número de assassinatos cometidos em Itabuna nos primeiros seis meses de 2010, de acordo com dados fornecidos pela 6ª Coordenadoria de Policiamento do Interior, portanto insuspeitos.
100 assassinatos em seis meses, uma média de quase dois assassinatos por dia. Um número alarmante, que dá a exata dimensão do nível a que chegou a violência em Itabuna.
Destas 100 mortes, a maioria envolve pessoas entre 18 e 25 anos. Na jovem centenária cidade nascida às margens nem tão plácidas do caudaloso Rio Cachoeira, muitos de seus cidadãos não vivem para alcançar a idade adulta.
São jovens, às vezes crianças, que abandonaram a escola ou nem chegaram a conhecer uma sala de aula e que acabaram se envolvendo primeiro com o consumo e depois com o tráfico de drogas. O tráfico é, também de acordo com a polícia, responsável direto por 85% dos homicídios verificados em Itabuna.
Soldadinhos descartáveis e facilmente recrutados nas periferias carentes de serviços básicos, que tombaram nessa guerra cotidiana, que a polícia não consegue combater.
Eles são apenas números, estatísticas. 100 assassinatos em seis meses, 16 por mês, 2 por dia. Na incapacidade de enfrentar o tráfico, reduzir a violência, à polícia só resta somar os mortos em série, tombados diariamente, em emboscadas, execuções sumárias e até em chacinas.
A barbárie em estado bruto.
Não é propriamente o presente que a cidade e seus moradores gostariam de receber neste primeiro centenário.
Na verdade, é uma vergonha.
Uma grande vergonha!
CONSERTOS PARA A JUVENTUDE

O Festival Anual da Canção Estudantil é, ao lado do programa Todos pela Alfabetização (o TOPA), um dos grandes projetos do Governo da Bahia na área educacional.
O FACE, que envolve toda a rede pública de ensino na Bahia, é uma daquelas raras oportunidades de integração escola-comunidade e, mais do que isso, um espaço privilegiado para que os jovens possam passar sua mensagem através da música.
A despeito da qualidade musical revelada nas composições, é de mensagem e não de música que vai se tratar aqui.
E a mensagem deixada pelos estudantes é clara.
Tome-se, como exemplo, a etapa regional do FACE, realizada neste meio de semana em Itabuna, com a participação de quinze escolas dos municípios sulbaianos abrangidos pela Direc 7.
Das 15 canções classificadas, escolhidas entre mais de 300 composições nas etapas classificatórias em cada escola, cinco falam de violência/drogas, três de agressões à natureza, três de amor, e as outras quatro falam de corrupção, belezas da Bahia e de louvor a Deus.
Violência/drogas e natureza, além do amor (essa descoberta típica da idade, embalada em sonhos edulcorados e paixões eternas), estão portanto na ordem do dia.
A violência porque faz parte do dia a dia desses jovens, que não raro moram em bairros extremamente carentes e violentos, onde o tráfico de drogas impõe a lei e o terror e que a morte está sempre à espreita.
Para esses jovens, a violência está longe de ser algo abstrato, subjetivo. É uma coisa real, objetiva, com a qual eles convivem inclusive no próprio ambiente escolar. E para a qual eles querem uma solução, que passa por uma educação de qualidade, acesso ao esporte e ao emprego e programas de inclusão social.
A preocupação com a natureza, mostra que eles estão antenados com o pensamento mundial (que infelizmente fica apenas na boa intenção), de que é preciso conter a devastação do meio ambiente para salvar o planeta da destruição.
Uma destruição que também é sentida na rotina dos estudantes, com a redução das áreas verdes, a poluição dos rios, as enchentes provocadas pela falta de planejamento urbano. Não por acaso, a canção que ficou em segundo lugar contém frases como “a seca aumentando/e também a poluição/da água e do ar/desmatamento das florestas/animais e extinção” e o refrão mobilizador “depende de você/depende de mim/vamos preservar/vamos reagir”.
Com muita propriedade, a música vencedora, um libelo contra a expansão avassaladora do crack, fala de “crianças que são vistas/nas esquinas com o cachimbo na mão/enquanto políticos/são flagrados em atitude de corrupção/porém também somos culpados/por admitir essa situação”.
A canção, de Ailton Menezes, um jovem de Ubaitaba que refez sua história de vida através da escola, traça um paralelo entre a mobilização nacional em torno da seleção e a passividade diante de questões relevantes. O refrão brada: “por isso vamos jogar como uma seleção/unidos para fazer valer a nação/marcar um golaço estilo Robinho/salvando as crianças do nosso Brasil”.
Ouvir a juventude e torná-la mais participativa é certamente uma ferramenta eficiente para consertar esse mundo tão maltratado e tão desigual, pra que talvez um dia os nossos jovens e as canções possam viver/falar mais do amor do que de violência.
Justiça sem injustiça

A decisão da Fundação Nacional do Índio, de reavaliar e se forem comprovadas inconsistências na documentação, anular a demarcação de uma área de 47.300 hectares, destinada à implantação de uma reserva indígena tupinambá é um exemplo de que o bom senso às vezes prevalecer entre as autoridades, neste caso evitando que uma parte do Sul da Bahia mergulhasse num conflito de proporções gigantescas e conseqüências imprevisíveis.
A área em questão, reivindicada por supostos índios tupinambás, compreende parte dos municípios de Ilhéus/Olivença, Una e Uruçuca. Além dos empreendimentos turísticos em OIivença, que serão engolfados pela reserva, existe outro agravante, ainda mais perverso.
Nas terras inicialmente demarcadas, habitam centenas de famílias de pequenos agricultores, que geração após geração, dali tiram o seu sustento. Gente que leva uma vida dura, não muito diferente dos supostos tupinambás e que não poderia simplesmente ser expulsa de suas propriedades.
Não poderia, mas estava sendo expulsa.
Embora sem a força de lei e passível de reavaliação, como de fato está ocorrendo, a demarcação serviu como uma espécie de ´salvo conduto` para que lideranças do movimento, capitaneadas pelo ´cacique´ Babau (uma figura tão folclórica quando temida, a julgar pelos relatos de pessoas que tiveram suas roças invadidas por ele) passassem a ameaçar e expulsar os produtores.
Estava pronto o caldo de violência, ponteado por invasões e/ou agressões e com potencial para se transformar num conflito sangrento. Pelo menos 20 propriedades rurais foram invadidas nos últimos doze meses.
E conflito é tudo o que o Sul da Bahia num momento em que se vê diante da oportunidade de viver um novo e duradouro ciclo de desenvolvimento, a partir de projetos como o Gasoduto da Petrobrás, o Porto Sul, a Ferrovia Oeste-Leste e a Zona de Processamento de Exportações.
A reavaliação se baseia nas fortes evidências de que os estudos antropológicos que defendiam a implantação da Reserva Tupinambá contém falsificações grosseiras, o que aliás vinha sendo denunciado com freqüência pela Associação dos Pequenos Produtores de Ilhéus, Una e Canavieiras, que desde o início cerrou fileiras contra o projeto.
A reparação aos indígenas, sejam eles tupinambás, tupi-guaranis, pataxós, cariris, fulniôs ou de outra etnia, é justa e necessária, eles que foram espoliados de suas terras e massacrados ao longo de décadas.
Mas essa justiça não pode ser feita à custa de uma injustiça contra milhares de pequenos produtores rurais.
Que o diálogo prevaleça sobre o confronto.
Que a paz prevaleça sobre a guerra.
Esse é o caminho.
Destempero ou desespero?

De um zéninguem como esse Índio da Costa dá até pra esperar baboseiras tipo as supostas ligações do PT com as Farcs e o narcotráfico.
Coisa de debilóide, leitor padrão da Veja.
Mas quando um cara sério, equilibrado e com uma trajetória de vida com José Serra, que goste-se ou não dele é um político competente, vai pelo mesmo caminho é sinal de que alguma coisa não vai lá muito bem na campanha demo-tucana.
Como se vê, aloprado não é um privilégio petista…
Ocaso Bruno

Há duas semanas, desde que os holandeses encerraram o sonho do hexa, o Brasil acompanha mesmerizado uma história que se fosse novela exigiria uma exagerada dose de imaginação de seu autor.
O provável assassinado, com requintes de perversidade, da jovem Elisa Samudio, colocou no olho do furacão o goleiro do time mais popular do Brasil, campeão brasileiro e candidato a uma milionária transferência para o Exterior e a um lugar na Seleção Brasileira que vai disputar a Copa do Mundo de 2014.
O destino, feito uma jabulani tresloucada, fez uma curva imponderável e Bruno saltou da glória à tragédia, do pódio iluminado a uma cela obscura.
A julgar pelo que a polícia apurou, mesmo que não tenha sido diretamente responsável, ele teve participação ativa na trama que resultou num crime que chocou o país.
Mãe de um filho de Bruno, fruto de uma aventura típica entre moçoilas disponíveis e jogadores famosos, Elisa estava exigindo o reconhecimento da paternidade e, obviamente, uma pensão generosa por conta dos gordos vencimentos do goleiro.
O restante da história, que parece longe do final, visto que o corpo não foi encontrado e os depoimentos pouco contribuem para definir o papel de cada peça nesse jogo macabro, todos já conhecem.
O que chama a atenção no “ocaso” Bruno é a repetição da clássica história do menino pobre que abre as portas da fortuna graças a seu talento para o futebol e não tem estrutura para conviver com a fama e o dinheiro.
Felizmente raras são as histórias com um final tão trágico, mas não são raros os casos de atletas que mantém laços com a criminalidade e menos ainda os casos em que, encerrada a carreira, torrado o dinheiro em farras, carrões e outros luxos, voltam para a miséria e o limbo.
Verdadeiros fantasmas arrastando as correntes de seu infortúnio.
Os clubes de futebol encaram os jogadores como mera mercadoria (o que, na prática eles não deixam de ser), sem se preocupar em prepará-los para essa transposição, às vezes rápida demais, entre a miséria absoluta e a opulência.
É humanamente impossível que um garoto sem escolaridade, que em pouco tempo troca a favela por um condomínio de luxo, o dinheiro contado por cifras siderais e a solidão por mulheres de sonho, não vá ter a cabeça virada. Sem contar os incontáveis “amigos” que gravitam em torno de sua fama e seu dinheiro.
Feito Macarrão, que parece ter enrolado de vez a vida de Bruno, ao livrar o amigo de um “problema indesejável”.
As desventuras de Bruno, irremediavelmente morto para o futebol, devem servir de alerta a milhões de meninos que, embalados pela magia de bola, dormem e acordam sonhando em ser jogador de futebol.
A fama, ainda que momentânea, cega.
E quando isso acontece…
Previsões previsíveis do polvo Paul

Durante a campanha eleitoral, a revista Veja vai publicar uma “reportagem” de capa envolvendo petistas em “atos ilícitos”, com base em informações de fontes que não podem ser reveladas. As “denuncias” serão repercutidas com estardalhaço no Jornal Nacional.
Na reta final da campanha, caso Dilma Roussef esteja na frente de José Serra, Veja vai trazer uma “reportagem-bomba”, que igualmente será repercutida de forma bombástica pelo Jornal Nacional.
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Uma modelo (termo genérico que hoje abrange de moças que participam de desfiles e editoriais de moda a moçoilas dadivosas) vai aparecer na mídia dizendo que teve um filho com um jogador famoso e rico, mas que não quer o dinheiro dele, apenas que o bebezinho conheça o pai.
A “modelo” vai pensar duas vezes antes de procurar a mídia se o tal jogador for goleiro. E pensar duas mil vezes se, além de goleiro, jogar no Flamengo.
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Agências de notícias vão revelar que Fidel Castro está às portas da morte e que a queda do regime é iminente.
Logo depois, Fidel aparecerá na televisão, fazendo um breve discurso de cinco horas e meia e lamentando a morte da tartaruga que ele criava desde pequena. “A gente se apega ao bichinho e ele só vive 200 anos”, choraminga.
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O prefeito de Itabuna, Capitão Azevedo, bem ao seu estilo, finalmente revelará quem vai apoiar para governador. Segundo ele, Wagner terá seu apoio, embora isso não queira dizer que não ajudará Souto e que Geddel também mereça vencer.
“Fui claro?”
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ONGs ambientalistas vão se associar a empresários ambientalistas para denunciar a devastação provocada pelo Porto Sul e tentar inviabilizar o projeto.
Tudo por amor ao verde. Se for o verde com a esfinge de George Washington ou Abraão Lincoln melhor ainda, naturalmente.
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O calçamento da avenida do Cinqüentenário, já denominada avenida do Centenário, vai começar a se deteriorar antes que a cidade complete 101 anos.
As autoridades vão colocar a culpa na chuva, no sol, no efeito estufa ou no derretimento da calota polar.
A população vai reclamar. Os fabricantes de calçamento, muito pelo contrário.
O TREM ATROPELA OS URUBÚS

Péssima notícia para as aves de mau agouro e ótima notícia para o Sul da Bahia: a Valec republicou hoje o edital que garantirá o início das obras da Ferrovia Oeste-Leste, que ao lado do Porto Sul, da ZPE e do já inaugurado Gasoduto da Petrobrás, vai dar um novo impulso à economia regional.
Os que torceram contra a Ferrovia Oeste-Leste apenas por conta de interesses políticos e sem pensar nos benefícios que a obra trará para a população vão ter que bater asas em outra freguesia.
Criancinhas ao molho pardo

Faltando pouco mais de dois meses para as eleições que vão definir o sucessor (ou a sucessora) de Lula, numa disputa que se apresenta como das mais acirradas, o terrorismo midiático dá sinais de que atingirá tons mercuriais.
O alvo, obviamente, é a candidata do PT, Dilma Roussef que, escudada na estratosférica popularidade do presidente Lula, teve a “petulância” de ameaçar a eleição do tucano José Serra, indiscutivelmente o predileto dos grandes grupos de mídia do país.
Como atacar Lula decididamente não funciona, parte-se para a desconstrução de Dilma, utilizando seu passado de guerrilheira, como se combater uma ditadura feroz e sanguinária com as armas disponíveis fosse um pecado e não uma virtude.
A Dilma equibrada, coordenadora do PAC e que tenta ser até mais simpática do que efetivamente é vai sendo transformada (pelo menos essa é a intenção) na Dilma terrorista, que deixará seu governo nas mãos dos radicais do PT.
Isso mesmo, os radicais do PT!
Espécie em extinção (os poucos exemplares foram domesticados por Lula com generosos cargos no governo) os radicais do PT vez por outra aparecem como um fantasma aterrorizante.
Foi assim com Lula e está sendo assim com Dilma, agora com o diferencial de que, enquanto Lula surgiu do meio sindical, Dilma participou da luta armada. E bota os radicais para tentar assustar.
Com seus tentáculos e seus dentes afiados, os radicais do PT ressurgiram essa semana na capa da principal e mais reacionária revista semanal do país.
Deles, se disse que vão tutelar Dilma, legalizar o aborto, taxar as grandes fortunas, incentivar a invasão de terras, censurar a imprensa e implantar um regime totalitário, entre outras ameaças.
Como se um grupinho cujos arroubos revolucionários devem ser relegados à categoria “folclore” fosse dominar um partido há muito marcado pela moderação e, Lula com suas alianças nada ortodoxas que o diga!, pelo pragmatismo.
Mas, com os indicadores econômicos cada vez mais positivos, os programas de inclusão social que tiram milhões de brasileiros da pobreza, os avanços na educação e a melhoria da infra-estrutura, que fazem do Brasil um país bem melhor do que há oito anos; o jeito é recrutar fantasmas, mesmo aqueles que na prática não ameaçam ninguém.
Faltou dizer (se é que ainda não será dito) que com a vitória de Dilma os radicais do PT vão adotar uma dieta à base de suculentas criancinhas.
Peraí, mas comer criancinhas não é coisa de comunista?
Petista, comunista é “tudo a mesma raça, que precisa ser exterminada”, como diria o senador Jorge Bornhausen, do DEM, oráculo de grande parcela da nossa gloriosa imprensa.
A imparcialidade já foi perdida faz tempo. E está se perdendo até o senso de ridículo.
ACELERANDO…

Na Fórmula VP, na categoria BR, a última corrida mostra o carro DR a 53 quilômetros por hora e o carro JS a 25 quilômetros por hora.
Já na categoria BA, o carro JW está a 48 quilômetros por hora, seguido de longe pelo carro PS a 24 quilômetros por hora e de mais longe ainda pelo carro GV, que vai a 11 quilômetros por hora.
A medição da quilometragem é para consumo interno das equipes, mas o velocímetro é seguro.













