Abraça a lagoa, engole a mata
Há cerca de três meses, o empresário Guilherme Leal, dono da Natura e atual candidato a vice-presidente da república na chapa de Marina Silva (PV), protagonizou uma farsa.
Escudado pela Rede Globo, Leal capitaneou um abraço simbólico na Lagoa Encantada, em Ilhéus, com o claro objetivo de criar um clima desfavorável à liberação da licença ambiental para a implantação do Porto Sul.
Simbólico mesmo, porque o evento, repetido à exaustão nos telejornais da Rede Globo da Globonews, reuniu um pequeno grupo, entre artistas de segunda linha e ambientalistas contrários ao projeto.
E farsa, porque a construção do Completo Intermodal que inclui o Porto Sul, não terá impactos sobre a Lagoa Encantada, um paraíso ecológico encravado entre fazendas de cacau e remanescentes da Mata Atlântica.
Mas, entre a beleza da Lagoa Encantada e a rudeza da Ponta da Tulha, um vilarejo extremamente carente onde será implantado o Porto Sul, optou-se pelo engodo.
Para quem não é do Sul da Bahia ou desconhece o projeto (no caso, os milhões de brasileiros que assistem a Rede Globo), ficou a impressão de que o Porto Sul provocará uma espécie de apocalipse ambiental, levando de roldão a lagoa e seus possíveis encantos.
Embora, para Guilherme Leal e seus parceiros de empreitada, o que importa mesmo é inibir o Ibama, para que a licença ambiental que permitirá o início das obras não seja concedida.
O mundo gira, a lusitana roda e eis que o paladino da natureza é pego num pecadilho que, a depender dos desdobramentos, pode se revelar um pecadão.
Sabia-se, de antemão, que o interesse de Guilherme Leal, era proprietário de extensas áreas de terras em Serra Grande, próximas ao Porto Sul. Intuía-se que sua preocupação era menos com o meio-ambiente e mais com a preservação do seu próprio paraíso.
Agora, descobre-se que o empresário ecológica e socialmente responsável pode ser muito zeloso em defender o meio-ambiente dos outros, mas é, no mínimo, negligente quando se trata de cuidar do próprio quintal.
Guilherme Leal está construindo complexo residencial de alto padrão, numa área de mais de 200 hectares situada entre Serra Grande e Itacaré. A obra é realizada numa Área de Preservação Permanente, onde há dunas e restinga, e não possui autorização nem do Ibama nem do Instituto do Meio Ambiente (IMA).
No “paraíso” de Guilherme Leal, as agressões ao meio ambiente, que ele afirma serem autorizadas, são gritantes, como a retirada da mata de restinga. Fiscais do Ibama já comprovaram o desmatamento. Além disso, a construção está localizada num ponto bem próximo à barra dos rios Tijuípe e Tijuipinho.
O empresário se defende e diz que está sendo vitima de perseguição por conta de sua cruzada anti-Porto Sul, mesmo diante dos sinais evidentes da devastação provocada na natureza.
Já os ambientalistas, os mesmos que trombeteiam o fim dos tempos no bojo da chegada do Porto Sul, ou estão caladinhos ou defendem o parceiro (seria chefe?), alegando que o empreendimento se trata de um modelo de desenvolvimento sustentável.
A “cegueira” pseudo-ecológica tem lá suas razões.
Milhares de razões.
Naturalmente.
A PARAGUAIA E O POLVO

Numa copinha meia boca como a da África do Sul, na falta de destaques dentro de campo, brilharam mesmo o polvo Paul, que acertou todos os resultados da Alemanha e do jogo final, vencido pela Espanha, a a paraguaia Larissa Riquelme, que mostrou que nem tudo que vem do Paraguai é falso.
Larissa, por sinal, vem ao Brasil faturar uma grana por conta dos mais do que merecidos 15 minutos de fama.
Quanto a Paul, deixa ele quietinho lá no seu aquário.
O po(l)vo aqui gosta mesmo é de Lula. Nossa, essa doeu!
WAGNER E LULA BATEM UM BOLÃO

Depois de participar das cerimônias de lançamento da Copa 2014, ao lado do presidente Lula, na África do Sul, o governador Jaques Wagner já está em Salvador.
Durante a viagem, o governador e o presidente Lula conversaram bastante sobre os investimentos em infraestrutura em Salvador e nas demais capitais que sediarão os jogos da Copa 2014 e competições das Olimpíadas de 2016. O governador falou ao presidente sobre o andamento das obras da Arena Fonte Nova e reafirmou a disposição de sediar a abertura da Copa.
“A primazia é de São Paulo, mas como eles ainda não resolveram o problema do estádio e nós já iniciamos as obras, o que posso dizer por enquanto é que nós estamos no páreo”, concluiu Wagner.
SEM FURIA, MAS COM A TAÇA

Espanha 1×0 Holanda. Um gol no finalzindo da prorrogação, depois de um 0x0 irritante, deu a vitória aos espanhóis que, enfim, conquistaram sua primeira Copa do Mundo.
O jogo, como se previu, foi amarrado. Dois times pragmáticos, que entraram na copa pra ganhar e não pra dar espetáculo.
E ganhou a Espanha, com meio time do Barcelona, o campeão de tudo.
Justo, sim, como teria sido justa a vitória da Holanda.
Dois times que não deixarão saudade, mas vá dizer isso pros espanhóis…
NADA DO NADA

Alemanha 3×2 Uruguai. Disputa de terceiro lugar na Copa do Mundo é o nada do nada. Ainda assim, não faltou emoção, num em que o goleiro uruguaio não pegou nem vento e entregou todos os gols alemães.
Para a Alemanha, o terceiro lugar tem sabor de chucrute estragado.
Para os uruguaios, seria a glória.
Não foi, apesar do golaço de Diego Forlan.
FILAS NO ATACADO

O Bompreço do shopping, em Itabuna, nem parece o Bompreço do shopping.
Aquelas filas monstruosas, que exigiam mais de uma hora de espera, simplesmente desapareceram.
Dá até pra escolher o caixa de atendimento, tamanha a tranqüilidade.
O ´milagre´ atende pelo nome de Atacadão.
Nada como a boa e velha concorrência para fazer com que passem a respeitar o consumidor.
Apertem as vuvuzelas, o futebol sumiu

Apesar da contagiante alegria dos africanos, com suas vuvuzelas ensurdecedoras, a Copa do Mundo chega ao final com aquele travo amargo, pelo menos para os amantes do futebol.
E futebol foi justamente o que faltou nessa enxurrada de jogos, alguns deles verdadeiros desfiles de pernas de pau, em estádios de sonho e gramados de fantasia. Mas, sonho e fantasia fazem parte de um estilo de jogo que não existe mais.
Seleções tradicionais como França, Itália, Brasil, Argentina e Inglaterra ficaram pelo meio do caminho, as duas primeiras como lanternas de seus grupos na fase inicial.
Craques que poderiam brilhar e fazer a diferença como Messi, Kaká e Cristiano Ronaldo não brilharam nem fizeram a diferença. Messi ainda teve um brilharecozinho, mas nada que lembrasse o gênio estelar do Barcelona.
Os raros bons momentos da Copa foram proporcionados pela Argentina e, mais do que todos, pela Alemanha, que fez pelo menos dois grandes jogos, goleando argentinos e ingleses.
Os germânicos parece que gastaram o estoque de truques nesses dois jogos. Contra a Espanha, a Alemanha foi um time comum, burocrático e sem inspiração.
E assim, Espanha e Holanda decidem a Copa de 2010, um deles integrando-se ao seleto clube dos campeões mundiais.
Espanha e Holanda que são a síntese do futebol atual: muita marcação, meio de campo congestionado e poucos gols.
Nem espanhóis nem holandeses fizeram um mísero jogo de encher os olhos nessa Copa.
A Espanha estreou perdendo da Suíça por 1×0 e se algum mérito teve foi o de não amarelar. Ganhou a duras penas de Honduras e do Chile, suou para passar por Portugal nas oitavas de final e suou mais ainda para superar o Paraguai nas quartas de final. Tudo na base do 1×0 ou 2×1. Contra a Alemanha, mais um magro 1×0, suficiente para levá-la à decisão.
A Holanda, marcada por jogar sempre bonito e não ganhar nada, resolveu que era a hora de jogar feio e ganhar alguma coisa. Estreou com um insosso 2×0 na Dinamarca, fez outro insosso 1×0 no Japão e um 2×1 sem graça em Camarões. Nas oitavas despachou o Brasil porque o Brasil inacreditavelmente tremeu e nas quartas de final penou pra bater o esforçado Uruguai por 3×2. Disputa sua terceira final de Copa do Mundo, pela primeira vez sem despertar suspiros de admiração.
Holanda e Espanha farão uma final que é a síntese do futebol atual: pragmático e sem arte, na base do ´defende como pode e ataca quando dá´.
Não há favorito, mas de antemão, já há um perdedor: o futebol. Ou pelo menos aquilo que nos tempos de antanho se entendia por futebol.
São três pra lá, três pra cá

A eliminação do Brasil na Copa do Mundo antecipou em uma semana o início da campanha eleitoral, que oficialmente começou na terça-feira, mas certamente iria esperar mais um pouco caso o time de Dunga fosse à decisão e faturasse o hexa.
Dunga já é carta fora do baralho, nem Branca de Neve quer saber do seu notório mau humor e a sucessão entra na ordem do dia, no Brasil e na Bahia.
Embora haja uma profusão de candidatos a presidente da República e a governador da Bahia, na prática a eleição é uma espécie de ´três pra lá, três pra cá´.
Na eleição presidencial, Dilma Roussef (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) são os candidatos com chances de vitória, embora a princípio a disputa pareça estar limitada à petista e ao tucano, que de acordo com as pesquisas de intenção de votos aparecem rigorosamente empatados.
Mas, assim como o futebol, a política às vezes também é uma caixinha de surpresas, daí que Marina não pode ser descartada.
Dilma Roussef vem no embalo da estratosférica popularidade do presidente Lula e, embora lhe falte carisma, tem a seu favor os resultados positivos -e reconhecidos pela população- do governo que ela representa. Está no jogo e em condições de ganhar.
Carisma, aliás, também não é o forte de Serra, que vai tentar convencer o eleitor usando como trunfo a experiência como ministro, prefeito e governador de São Paulo, entre outros cargos. Deve protagonizar com Dilma (caso Marina não decole) uma disputa para testar quem tem problemas cardíacos.
Na Bahia, a disputa também estará limitada a três candidatos: o atual governador Jaques Wagner, do PT, Paulo Souto, do DEM e Geddel Vieira Lima, do PMDB.
Pesquisas recentes apontam uma vantagem de Wagner, com Souto em segundo e Geddel tentando romper a barreira dos dois dígitos, o que significa passar dos 10% nas intenções de voto.
Wagner, que inegavelmente promoveu avanços significativos na Bahia, pleiteia um novo mandato, para consolidar e ampliar o trabalho realizado nesses quatro anos.
Paulo Souto, agora sem as bênçãos de seu mentor e protetor ACM, tentar juntar os cacos do carlismo e vai apostar na tese do ´era bom e a gente não sabia´. Difícil vai ser convencer as pessoas de que era bom viver num estado com alguns dos piores indicadores sociais do país e onde as oportunidades se limitavam aos amigos e aos protegidos do rei.
Geddel, escudado na estrutura do PMDB e num apetite voraz para fazer política, vai se oferecer como contraponto à Wagner e Souto, em nome de uma pretensa renovação. Não é, decididamente, alguém a ser desprezado, até porque pode ser o fiel da balança num hipotético segundo turno.
Três pra lá, três pra cá, a sorte está lançada.
Quem tremer ou perder a cabeça no meio da disputa, feito aquele time amarelão de Dunga, levará um implacável cartão vermelho do torcedor/eleitor.
O DIA DO TOURO

Espanha 1×0 Alemanha. Era o time que sempre decide títulos contra o time que sempre amarela.
Uma barbada para o toureiro.
E não é que deu o touro!
A Alemanha não jogou nada, a Espanha jogou para o gasto e está na final da Copa.
Surpresa? Nem tanto. Surpresa foi a Alemanha ter enfiado 4×0 na Argentina.
Domingo, Holanda ou Espanha entram para o seleto clube dos campeões mundiais.
Pra mim, dá Espanha, embora eu torça pra Holanda.
15 MINUTOS

São 14 horas e 10 minutos de uma tarde abafada em Itabuna, agravada pela sujeira que emana de uma avenida do Cinqüentenário em obras, com a poeira invadindo as lojas, verdadeiro desafio ao bom senso.
Na agência do Bradesco, a fila nos caixas eletrônicos é absurda, justamente nessas máquinas que, em tese, deveriam garantir agilidade no atendimento. Esqueçam a palavra ´caixas eletrônicos´. É caixa eletrônico mesmo, porque dois mais de dez ali instalados, apenas um deles está disponível para todas as operações.
No mínimo meia hora na fila.
No interior da agência, há um caixa preferencial para idosos e portadores de deficiências. Itabuna deve ser o paraíso da terceira idade, porque a fila é igualmente monumental. A espera pelo atendimento dura em média 40 minutos.
Sobe-se a escada e chega-se ao caixa para o atendimento, digamos, normal.
Só mesmo se for normal a pessoa passar quase duas horas (isso mesmo, duas horas!) na fila, para fazer uma operação indisponível no caixa eletrônico. Verdadeiro exercício de paciência, porque não adianta reclamar, posto que os funcionários, igualmente vítimas de uma jornada estafante, reagem com olímpica indiferença aos raros protestos.
As cenas do cotidiano no Bradesco (o tal “Banco Completo” da propaganda), se repetem em maior ou menor escala em outras agências bancárias de Itabuna, exemplos notórios da Caixa Econômica Federal, cuja agência na Praça Camacan em certos momentos se assemelha a uma sucursal do inferno, e do Banco do Brasil na praça Olinto Leone, onde é necessário ter paciência de monge franciscano quando se tem que recorrer aos caixas.
O que acontece nas agências bancárias é o exemplo clássico da falta de respeito com que o cidadão é tratado, seja na fila do banco, na fila do posto de saúde ou do pronto socorro e até na fila do supermercado.
Existe, em Itabuna, uma lei que determina em 15 minutos o tempo máximo para o atendimento nas agências bancárias.
Deve ser a chamada lei-piada, porque de tão ineficiente, é de provocar risos.
Pena que, para quem sofre nas filas intermináveis, não haja graça nenhuma.














