José Nazal

 

Durante meio século da chegada dos portugueses, as Terras de Santa Cruz integravam a Diocese de Funchal, cidade da Ilha da Madeira. Até que em 25 de fevereiro de 1551 foi criada a Diocese de São Salvador da Bahia, sufragânea da Diocese de Funchal, passando a ser a Primaz, tendo como primeiro bispo nomeado, Dom Pero Fernandes Sardinha.

Durante o curto período do seu episcopado, o prelado, buscando estender a ação apostólica, criou algumas freguesias (hoje paróquias), dentre elas a da “Vila dos Ilhéos”, porém não há registro do dia e mês.

O historiador João da Silva Campos, em sua magnífica obra *Crônica da Capitania de São Jorge dos Ilhéus*, traz esse questionamento:

_”De quando data a criação da paróquia da invenção de Santa Cruz da Vila de São Jorge dos Ilhéus, e não paróquia de São Jorge, simples titular da vila? É das mais antigas do Brasil. Circunstância que investe a sede do velho feudo dos Figueiredos duma das primazias da história pátria: foi criação do primeiro bispo do Brasil Dom Pedro Fernandes Sardinha. Ora, este prelado chegou a Bahia em 22 de junho de 1552, e retirou-se em 2 de junho de 1556.”_

Em 1556, o Bispo foi chamado à Lisboa e entregou a gestão da Diocese ao vigário-geral Francisco Fernandes, embarcando em 2 de junho de 1556 na nau Nossa Senhora da Ajuda. No dia 16 de julho de 1556, a nau naufragou junto à foz do rio Coruripe, onde está atualmente a cidade de Coruripe, no estado de Alagoas, tendo sido os sobreviventes mortos pelos Caetés, indígenas que habitavam a costa.

A pergunta que ainda não quer calar: qual a data exata, dia e mês da criação da Paróquia? Difícil afirmar, porém, penso eu que foi no dia dedicado a São Jorge, titular escolhido para orago da Vila, ou então em data bem próxima. Ouso pensar nesse sentido, considerando o fato histórico e comprovado, através da prática de nomear lugares de acordo com o dia do santo, como por exemplo a Baía de Todos os Santos, o Rio São Francisco, a cidade de São Paulo, dentre outros.

Correta ou não essa minha observação reflexiva, resta a certeza de que estamos vivendo nesses dias a comemoração dos 470 anos de criação da nossa Paróquia, que está entre as cinco mais antigas do Brasil, quiçá da América. Hoje, ela é a menor da nossa Diocese, que é composta por 41 paróquias e 26 municípios.

Está na hora de começar a preparação para o Quinto Centenário. Quem planta, colhe; quem semeia com largueza, colhe em abundância.

Salve São Jorge, Padroeiro da Cidade de Ilhéus e da Diocese de Ilhéus!