Diário de Osasco e o Bar das Putas

Daniel Thame
Ano de 1981. O Diário de Osasco finalmente trocava as velhas impressoras e linotipos e passava a ser impresso em off-set. Era como pular da Idade da Pedra para o futuro, sem escalas.
O Diário também deixava de ser temporariamente diário para se tornar semanal, embora continuasse ostentando o título Diário.
Para o Vrejhi Sanazar, dono do jornal, era um salto de qualidade e a oportunidade de atrair anunciantes. Fazer dinheiro, enfim.
Para mim e para o Giovanni Palma, que tocávamos a redação, era o passaporte para a modernidade, poder ousar nos textos, nas fotos, no formato da primeira página.
Mais do que isso: como o jornal seria diagramado e impresso no prédio do Estadão (O Estado de São Paulo) na marginal Pinheiros, era a chance de viver o clima de grande imprensa, cruzar com o pessoal que fazia aquele que na época era o mais influente jornal brasileiro, até ser ultrapassado pela Folha de São Paulo e hoje ter se tornado um porta voz da direita paulista.
Era também uma oportunidade para manter contato com grandes jornalistas, não apenas do Estadão, mas também de outros veículos, já que após o fechamento das edições (naquele tempo os jornais fechavam de madrugada e não eram essa coisa pasteurizada e insossa de hoje, decadentes e superados pela agilidade da internet), o pessoal se dirigia a um ´pé sujo´ na avenida da Consolação, centro velho da capital paulista, onde um churrasquinho ou uma batata frita honestos eram oferecidos a preço justo. Obviamente acompanhados de uma cervejinha, uma batidinha, uma cachacinha.
Ou tudo junto!
O local era chamado de Bar das Putas, porque além dos companheiros jornalistas, as companheiras operárias do amor também batiam ponto lá, fechando a noite de trabalho duro (ops!). Uma convivência harmoniosa, num local que marcou época numa São Paulo ainda sem crack e sem tanta violência.
Foi no Bar das Putas, enquanto entornava uma dose tamanho família de batida de limão e comemorava com o Palma mais uma bela edição do nosso “Diário semanal”, que ouvi a seguinte frase de uma das distintas freqüentadoras:
-O cara quando quer uma puta só pra ele, tem que pagar bem. Se não pagar, vai ter que dividir com os outros e se contentar com as sobras.
Num país onde, diz a lenda, cafetão se apaixona, puta goza, traficante cheira e político honesto é mais raro do que trevo de cinco folhas, a moçoila perpetrou um comentário de antologia.
(Abre parantênses: esse dinossauro da imprensa é de um tempo em que a primeira pergunta que se fazia quando um novato aportava na redação era “você bebe?”.
Se a resposta fosse sim era como se dissesse: “sim eu escrevo bem”. E estava devidamente enturmado porque escrever e beber eram indossociáveis. Fecha parentêses).
E desce mais uma!
Desta feita uma divina batidinha do ABC da Noite, grapiúna das terras do cacau me tornei, jornalista que sempre fui e, per supuesto, bom bebedor que sempre serei….












