A filosofia diz respeito a todos e a todos diz respeito!

Antonio Balbino Marçal Lima
O título deste texto não é apenas uma máxima abstrata, mas o motor de um livro recém-lançado, Aos olhos da razão. Nele, proponho um exercício necessário: olhar para os temas atuais (política, tecnologia, cultura, ética…) à luz da filosofia, dos conceitos e de autores que ainda têm algo a nos dizer sobre este mundo saturado de informação, mas carente de reflexão, de sabedoria. A filosofia é como um espelho invisível que acompanha cada gesto humano. Quando dizemos que “a filosofia diz respeito a todos e a todos diz respeito”, afirmamos que não há vida que escape ao exercício de pensar. Mesmo quem nunca abriu um livro de Platão ou Kant, inevitavelmente se vê diante de perguntas que são filosóficas: o que é justo? O que é verdadeiro? O que significa viver bem?
Ela não é um luxo intelectual, mas uma necessidade existencial. Ao atravessar o cotidiano, a filosofia nos convida a olhar para além da superfície das coisas. No silêncio de uma dúvida, no desconforto diante de uma injustiça, ou na alegria de contemplar o mundo, há sempre um movimento filosófico em curso.
O mais belo é que esse movimento não é unilateral: a filosofia nos molda, mas também é moldada por nós. Cada experiência humana, cada cultura, cada época acrescenta novas tonalidades ao grande mosaico do pensamento. Assim, pensar não é apenas um ato individual, mas um gesto coletivo que nos liga uns aos outros.
No fim, filosofar é reconhecer que viver é mais do que sobreviver. É abrir espaço para o espanto, para a crítica e para a criação de sentidos. É aceitar que o mundo nos interroga e que nós, ao respondê-lo, nos tornamos parte da própria história da filosofia.
Vivemos em uma época em que os dados se multiplicam em velocidade vertiginosa, mas a capacidade de pensar criticamente parece rarear. É como se estivéssemos submersos em um oceano de notícias, posts e estatísticas, sem bússola para distinguir o essencial do acessório. Nesse cenário, a filosofia se torna não apenas relevante, mas urgente. Ela nos oferece ferramentas para interpretar, questionar e resistir à superficialidade.
O livro nasce justamente desse impulso: mostrar que a filosofia não é um saber distante, enclausurado em bibliotecas, mas uma prática viva que pode iluminar dilemas contemporâneos. Ao trazer à cena autores clássicos e modernos, busco revelar como suas ideias ainda ecoam em nossas inquietações. Cada conceito é uma lente que nos ajuda a enxergar melhor o presente.
Assim, Aos olhos da razão é um convite. Um convite para que cada leitor se reconheça como parte dessa aventura filosófica, percebendo que pensar não é privilégio de poucos, mas responsabilidade de todos. Porque, afinal, se a filosofia diz respeito a todos, é também de todos que ela se alimenta.
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Antonio Balbino Marçal Lima é professor da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) e autor do livro Aos olhos da Razão (Via Literarum, 2025)













