Valter Xéu*

O meu fascínio por Cuba se revela pelas inúmeras viagens que já fiz à Ilha, emperrando no número 49.

vxeoTeve um ano, com o coração batendo descompassadamente por uma bela cubana, que lá estive por oito vezes e, mesmo com as batidas do coração voltando ao normal, continuei viajando para Cuba e, sempre que possível, na companhia agradável de amigos.

Para a minha viagem de número 50 eu não posso ir a Cuba sozinho e sim na companhia dos amigos que um dia estiveram lá comigo e de outros que nunca foram, apesar de insistentemente convidados, como o meu chapa Levi Vasconcelos, não por aversão ao socialismo e sim muito mais por medo de viajar de avião. De carro ele até toparia, pois caso quebre, a oficina está aqui no chão, enquanto avião, se quebrar lá em cima, dificilmente chegará a uma oficina aqui embaixo.

Mas nem todos, e aí a grande maioria pensa como Levi.

Mas nessa viagem de número 50, nem que seja amarrado, ele vai.

Vai também o meu grande e eterno chefe José Carlos Teixeira (trabalhei com ele no extinto Feira Hoje); aproveito e levo outro cabra que também foi da equipe de Teixeira, o brilhante jornalista Zé Fernandes, e a cambada de sempre, todos jornalistas como Dilton Santiago, Daniel Thame, minha irmã Madalena, (a nossa querida Mada de Jesus que ainda não foi lá e anda ansiosa para conhecer a sobrinha Maria Mercedez) para encher o seu blog Tabuleiro da Maria com assuntos cubanos; minhas doces e queridíssimas amigas Lu Ytinosequi, Katia Borges – que irá escrever uma puta matéria para a Revista Muito (já estou vendo a Bodeguita na capa); Cleidiana Ramos, que com certeza se embrenhará nas santerias e de lá retornará com uma belíssima matéria; Margarida Neide, a nossa doce Margô, para fotografar tudo; Sérgio Mattos, para ter assunto para escrever outro livro sobre Cuba; e a nossa querida Helô Sampaio, que nos brindará com vários textos sobre comidas e bebidas cubanas, e me divertirei com o texto sobre a comida crioula. Já imaginou em chamar Helô e a cambada para comer uma criola?

cuba-xeo-1Nessa viagem de número redondo levarei também Orlando Pontes, brilhante jornalista diretor e editor do semanário brasiliense BSB Capital, disparadamente uma dos melhores publicações impressas de Brasília, que nos brindará com uma edição especial sobre a famosa ilha caribenha, e outro amigo apaixonado por Cuba e que lá esteve comigo, que é o músico e grande website, Vinícius Duarte.

Por último, eu não poderia esquecer de levar meu amigo irmão Chico Vasconcelos, o Chico Olho d’água, com quem fiz minha primeira viagem a Cuba e lá os seus amigos viraram meus amigos, cuja amizade cultivo até hoje.

Na ilha já tenho o roteiro traçado.

De imediato, Cleidiana seria despachada para Santiago de Cuba onde mergulharia nas inúmeras casas de santerias cujos santos são os mesmos do nosso candomblé.

alambique-2Passaríamos dois dias em Varadero, um no Valle de Vinalles na província de Pinar Del Rio, o restante dos sete dias serão todos batendo pernas por Havana, onde o nosso quartel general será a Rua Obispo e adjacências.

Rua Obispo é a rua onde realmente o visitante sente Cuba, com seus bares, todos com grupos musicais, suas galerias de artes, seus hotéis no estilo colonial. O Hotel Ambos Mundo, onde o escritor norte americano Ernest Hemingway  escreveu o livro O Velho e o Mar, que lhe rendeu o Prêmio Nobel de Literatura, fica nessa rua, assim como o bar e restaurante La Luvia de Oro, onde sempre levo meus amigos que visitam Cuba, e o La Mina, já na final da Obispo, em frente àquela praça onde são comercializados livros antigos, e mais e mais.

Porres na Bodeguita e Floridita com certeza serão memoráveis e resultarão em muitas histórias para contar, assim como uma noite no tradicional Bale Tropicana, de onde deveremos sair em estado de êxtase pela beleza do local e a equipe do balé e também pelo excelente morrito servido durante o espetáculo.

Visitas ao Museu da Revolução não ficarão de fora, assim como uma ida à Prensa Latina, agência de notícias fundada por Che Guevara, com correspondentes em todo o mundo, e grande parceria do nosso Pátria Latina.

Tenho muitos amigos em Cuba, desde gente do governo como pessoas de fora dele, e durante a nossa permanência lá terei a companhia de todos eles.

Enquanto essa viagem não acontece, e por constantemente ter de viajar sozinho para Cuba, as viagens receberão numeração de 49 A, 49 B, 49 C e assim sucessivamente, até levar todo mundo e essa sim receberá o carimbo de número 50.

É claro que tenho uma porção de amizades com interesse em conhecer Cuba. Os citados acima, com exceção de Katia Borges, Helô, Madalena de Jesus e Cleidiana, todos já estiveram lá comigo, sendo que as três marinheiras de primeira viagem estão inseridas ao grupo em uma eleição democrática, cuja decisão final foi minha, e por isso estão a me chamar de Aiatolá Khamenei dos trópicos, por causa da minha relação com o Irã, onde todos pretendem um dia visitar.

É um país fantástico, com uma história de mais de sete mil anos, mas com um problema insanável.

Lá, álcool é proibido.

Em Cuba é capaz de sair nas torneiras.

Então, vamos para Cuba.

 

(*) O Comandante Xéo é o mais cubano dos baianos, Ou, o mais baiano nos cubanos.