:: 26/nov/2016 . 15:22
Fidel
Eduardo Galeano, sobre Fidel Castro, no livro “Espelhos, uma verdade quase universal”:

E seus inimigos não dizem que apesar de todos os pesares, das agressões de fora e das arbitrariedades de dentro, essa ilha sofrida mas obstinadamente alegre gerou a sociedade latino-americana menos injusta.
Seus inimigos dizem que foi rei sem coroa e que confundia a unidade com a unanimidade.
E nisso seus inimigos têm razão.
Seus inimigos dizem que, se Napoleão tivesse tido um jornal como o Granma, nenhum francês ficaria sabendo do desastre de Waterloo.
E nisso seus inimigos têm razão.
Seus inimigos dizem que exerceu o poder falando muito e escutando pouco, porque estava mais acostumado aos ecos que às vozes.
E nisso seus inimigos têm razão.
Mas seus inimigos não dizem que não foi para posar para a História que abriu o peito para as balas quando veio a invasão, que enfrentou os furacões de igual pra igual, de furacão a furacão, que sobreviveu a 637 atentados, que sua contagiosa energia foi decisiva para transformar uma colônia em pátria e que não foi nem por feitiço de mandinga nem por milagre de Deus que essa nova pátria conseguiu sobreviver a dez presidentes dos Estados Unidos, que já estavam com o guardanapo no pescoço para almoçá-la de faca e garfo.
E seus inimigos não dizem que Cuba é um raro país que não compete na Copa Mundial do Capacho.
E não dizem que essa revolução, crescida no castigo, é o que pôde ser e não o quis ser. Nem dizem que em grande medida o muro entre o desejo e a realidade foi se fazendo mais alto e mais largo graças ao bloqueio imperial, que afogou o desenvolvimento da democracia a la cubana, obrigou a militarização da sociedade e outorgou à burocracia, que para cada solução tem um problema, os argumentos que necessitava para se justificar e perpetuar.
E não dizem que apesar de todos os pesares, apesar das agressões de fora e das arbitrariedades de dentro, essa ilha sofrida mas obstinadamente alegre gerou a sociedade latino-americana menos injusta.
E seus inimigos não dizem que essa façanha foi obra do sacrifício de seu povo, mas também foi obra da pertinaz vontade e do antiquado sentido de honra desse cavalheiro que sempre se bateu pelos perdedores, como um certo Dom Quixote, seu famoso colega dos campos de batalha.
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Tradução: Eric Nepomunceno.
Publicado originalmente no diário universal.
Lula: “Fidel animou sonhos de soberania e igualdade”

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou a morte do amigo e líder cubano Fidel Castro, aos 90 anos, neste sábado, 26.
Em nota à imprensa, Lula disse que Fidel sempre foi uma voz de “luta e esperança” para os povos de nosso continente e os trabalhadores dos países mais pobres.
“Seu espírito combativo e solidário animou sonhos de liberdade, soberania e igualdade. Nos piores momentos, quando ditaduras dominavam as principais nações de nossa região, a bravura de Fidel Castro e o exemplo da revolução cubana inspiravam os que resistiam à tirania”, disse Lula.
Lula lembrou que conheceu Fidel em julho de 1980, em Manágua, durante as comemorações do primeiro aniversário da revolução sandinista.
“Mantivemos, desde então, um relacionamento afetuoso e intenso, baseado na busca de caminhos para a emancipação de nossos povos. Sinto sua morte como a perda de um irmão mais velho, de um companheiro insubstituível, do qual jamais me esquecerei”, afirmou.
Cubanos farão nove dias de luto por Fidel

Rede Brasil Atual – O Conselho de Estado da República de Cuba declarou nove dias de luto nacional pela morte do “comandante” Fidel Castro ontem (25), em Havana, entre as 6h deste sábado e o meio-dia de 4 dezembro.
Neste período não haverá atividades e espetáculos públicos e a rádio e a televisão manterão uma programação “informativa, patriótica e histórica”, segundo o portal Cuba Debate.
Na segunda-feira (28), entre 9h e 22h, no Memorial José Martí, e na terça, entre 9 e meio-dia, a população poderá render homenagem ao líder cubano.
Na terça (29), às 19h, será realizado um ato público na Praça da Revolução José Martí, em Havana. No dia seguinte, as cinzas de Fidel começarão a percorrer o itinerário começará que rememora a Caravana da Liberdade, em janeiro de 1959, até a província de Santiago de Cuba, acabando no dia 3 de dezembro, data em que, às 19h, será realizado ato público na Praça Antonio Maceo.
A cerimônia de cremação será no dia 4, às 7h, no cemitério Santa Ifigenia.
Violações ao direito de imagem
Débora Spagnol
Há poucos dias o ator Alexandre Borges viu arranhada sua imagem perante as opiniões mais conservadoras em razão da publicação de um vídeo gravado sem seu conhecimento e autorização. No vídeo, pode-se perceber o ator na presença de dois travestis, sendo um deles o autor da gravação. O ator declarou publicamente que não pretende processar o responsável pela gravação do vídeo e sua divulgação nas redes sociais. Mas a exposição indevida da imagem é crime e gera à pessoa exposta direito à indenização, havendo ou não danos ou prejuízos materiais ou imateriais à vítima.
Na forma universal, o direito de imagem nasceu, mesmo que implicitamente, na “Declaração Universal dos Direitos do Homem”, aprovada em 1948 pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Foi reforçado através do “Pacto Internacional Sobre os Direitos Civis e Políticos” de 1966, que consagrou o direito à liberdade de expressão que se traduz no direito de receber e difundir informação de qualquer natureza, ressalvado o respeito à reputação das demais pessoas.
Na legislação brasileira, o direito de imagem sofreu proteção implícita antes da promulgação da Constituição Federal de 1988, já que nossos tribunais condenavam pecuniariamente os casos de violação com interpretação análoga de dispositivos do antigo Código Civil. Uma das decisões precursoras foi proferida em 1928 tendo como vítima a Miss Brasil de 1922 – Maria José (Zezé) Leone, que teve sua imagem captada, sem seu consentimento, utilizada em um filme. (1)
Mas foi a Carta Magna de 1988 que ao prever os direitos e garantias fundamentais colocou o direito de imagem como independente e autônomo, estabelecendo a indenização por danos morais e materiais no caso de sua violação ou utilização indevida.(2)
Governador participa da abertura oficial da Fenagro 2016
Tudo pronto para o início da 29ª edição da Feira Internacional da Agropecuária da Bahia (Fenagro 2016), que começa neste sábado (26), no Parque de Exposições Agropecuárias de Salvador (Peas), mas será aberta oficialmente pelo governador do Estado, Rui Costa, e pelo secretário estadual da Agricultura, Vitor Bonfim, no domingo (27), a partir das 15h. A cerimônia acontece na tribuna de honra, com homenagens ao Novembro Negro e ao Dia Nacional do Samba, por meio de apresentações musicais de estudantes e amostras do Festival Anual da Canção Estudantil (Face), o maior projeto de política cultural para a juventude estudantil da Bahia, realizado pela Secretaria da Educação do Estado.
Após a cerimônia de abertura, também com a presença de outras autoridades, empresários do segmento e criadores de animais, o governador inaugura o novo Tatersal de Leilões do Parque de Exposições, que recebe o nome de Joãozito Andrade, em homenagem à memória de João Batista de Andrade, um dos principais selecionadores de Nelore do Brasil, e para alguns pesquisadores, até do mundo.
O novo equipamento possui cerca de 840 metros quadrados, resultado de um investimento de R$ 183 mil de recursos oriundos de contrapartidas pelo uso do Parque de Exposição. A obra é uma requalificação da área já existente, incluindo uma cobertura de seis metros de altura. Nessa área, acontecem cerca de sete leilões por exposição agropecuária e sua nova estrutura reduz significativamente os custos para a viabilização desses eventos. O novo Tartersal vai assegurar a ocorrência de leilões fora das exposições agropecuárias, ampliando o uso do parque para o setor e possibilitando investimentos no local.
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