João Paulo Cuenca e Lima Trindade debatem a profundidade da literatura
O que há entre o profundo e o superficial na literatura foi tema de debate entre os autores João Paulo Cuenca e Lima Trindade nesta quinta-feira (15), na Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica). Os escritores discutiram sobre o aprofundamento de temas na literatura, através da mediação do poeta Cristiano Ramos, no palco do claustro do Convento do Carmo. A quinta edição da Flica acontece até o domingo (18), na cidade do Recôncavo Baiano.
Na discussão, Cuenca citou um dos seus livros preferidos, “O Brasil é bom”, do autor André Sant’Anna. “No livro ele pega discursos loucos, superficiais, que, no discurso literário dele, ganha profundidade tremenda. Ele faz caricatura usando uma linguagem, uma construção verbal e imagética superficial, tosca e vagabunda. A maneira que ele faz isso é genial. Isso é colagem. Você pode usar coisas muito superficiais e simples e transformar em um labirinto de signos”, defende.
O romancista carioca, que também publica crônicas em jornais, apontou que a crônica é um gênero aparentemente superficial, mas que tem o poder de aprofundar assuntos e provocar questionamentos. “O cronista vê as coisas superficiais e consegue transmitir o profundo através delas de uma forma muito elegante. É muito comum ler textos dito profundos que são superficiais, que têm uma linguagem acadêmica e não diz nada de forma muito profunda”, exemplificou Cuenca.
Lima Trindade defendeu que para o texto alcançar profundidade não é necessário apresentar dificuldade para ser entendido. “O texto profundo nem sempre é incompreensível. A gente escuta sobre o que é superficial ou profundo de uma maneira muito senso comum. Você pegar um clichê e deslocar o sentido é muito difícil. A gente tem que tomar cuidado com o que diz que é profundo e superficial”, afirmou o escritor brasiliense.
Trindade acredita que não há uma tendência de superficialidade nos livros mais vendidos. “Acho que há espaço para tudo. Mas acho que querem que pensem que o leitor quer o mais fácil. Cabe ao leitor dizer que quer outros livros e comprar não apenas pela propaganda. Ele deve partir para uma experiência estética e vital”, aponta o autor. (do G1)













