Sul da Bahia: produtor de cacau propõe criação da ´Bunda Moles Fest´
Cansado de ver a passividade de boa parte dos produtores de cacau diante da crise que se abateu sobre o Sul da Bahia, o produtor Dorcas Guimarães está fazendo uma proposta no mínimo inusitada: a criação de um evento nos moldes da Oktober Fest, em Santa Catarina. Para Dorcas, o nome da festa deve ser Bunda Moles Fest, referência nada sutil ao conformismo de seus colegas.
clique e leia o texto de Dorcas Guimarães:
“No final dos anos 80 estive em Blumenau participando da OKCTOBER FEST. Fui para passar uma semana, conheci uma catarinense linda e prosa boa, com descendência alemã e que se chama Brigite. Mais linda que a Brigitte Bardot quando era jovem. Corpo escultural, esguia, falsa magra, sem ofensas machistas mais uma “bela potranca inglesa”. A festa acabou e eu continuei lá na companhia daquela adorável loira blumenautica. “Ela me ensinou tudo que eu sei” sobre mulher catarinense e sobre a história da festa de Blumenau contou-me o seguinte;
O rio otajaí-açú, numa das suas violentas enchentes, onde o volume d’água subiu mais de 10 metros com forte correnteza carregando tudo que encontrava-se pela frente, inclusive muitas vidas, cobriu a cidade, deixando seus habitantes completamente desolados e tristes.
Lições de moral a parte, como a história do diretor da HERING que foi salvo de morrer afogado por um trabalhador da fabrica o qual tinha dispensado do trabalho a poucos dias e principalmente o inicio de tudo como originou-se a OKTOBER-FEST.
Bom, se não foi exatamente assim, foi fluxo de imaginação da mente daquela linda e querida loira blumenautica.
Disse-me que durante tanta lamúria e sofrimento daquelas pessoas que tinham perdido tudo e não sabiam como começar a vida novamente, o prefeito de Blumenau da época, resolveu fazer uma festa para levantar a auto-estima daquele povo catarinense.
Com muita música cerveja gelada, chope, pato na laranja, lingüiça de porco e demais gulas, surgiu a OKTOBER-FEST, uma festa anual em Blumenau-SC, que se comemora agora no mês de outubro, festa essa, com intuito de afastar o baixo-astral das pessoas e que hoje leva uma grande “leva” de turistas todo ano e é salvo engano, a principal fonte de renda da cidade para o ano inteiro.
Após a mesa redonda de Ipiaú, onde dos três temas discutidos sugiram idéias boas altamente benéficas à sociedade se fossem postas em prática e que foram colocadas em documentos pelo guerreiro Dílson dos Anjos que mediou com maestria esse encontro e o colocou em papel os pleitos desejados para que sejam destinadas às devidas autoridades responsáveis, esperei uma reação imediata ao menos na lista do cacau, vinda de um público selecionado, que não é burro, mais que esta pra lá de descente. Porém até agora, NADA. A impressão que tenho, é que o cacauicultor morreu e esqueceu-se de cair. Virou um “molambo”, se entregou por completo. Afora os que estavam naquele encontro e, diga-se de passagem, foram muitos da crista, da “nata” de respeito da representatividade do cacau, mais alguns que nunca abandonaram a luta, no montante geral os cacauicultores que deveriam comparecer “em peso” a esse encontro, deixaram muito a desejar e comprovou mais uma vez que somos realmente um monte BUNDA MOLES como bem disse no documentário O NÓ, Valter de Sueli, que os nossos filhos e netos vão nos chamar se é que já não nos chamam assim.
É triste a realidade do cacauicultor ao mesmo tempo é revoltante a reação do mesmo, diante de tudo isso. Parece que somos masoquistas ao extremo e a apatia a indolência imperam nesse meio de forma nada salutar. “Dívidas” oriundas de um crime de terror possivelmente cometido por funcionários públicos federais de onde ainda vêm as cobranças indevidas do estado que tenta a todo custo esconder a realidade dos fatos, a escrôtidão desse “holocausto do crime da VB” e consegue, pois o cacauicultor já recebeu uma lavagem cerebral e se chama de devedor. Vítimas de erros confessados pelo próprio estado através da CEPLAC, vítimas de cacau importado infectado com pragas perigosas inclusive com perigo iminente para toda agricultura do país e que coloca o já minguado preço do cacau “pra baixo do fim do poço”, além de tantas outras mazelas como bem diz Dr. Jay Wallace no documentário O NÓ,o cacauicultor esta a ponto de dizer: “Me prendam, pois fui eu quem matou Joana Darc”.
Um tal Juiz andou dizendo, que o cacauicultor tinha que pagar o que devia do passado, certamente baseado nos contos dos coronéis Jorgeamadianos. Pasmem, parece que o sujeito ta certo. O cacauicultor é por demais merecedor de todo esse estrago, pois é masoquista e já diz o ditado: “todo castigo para “cacauicultor” é pouco. Tem que se ferrar mesmo e ponto final.
É tão assim, que por exemplo próprio, enquanto eu me embrenhava por essas estradas junto com Dílson, perdendo meu sono abandonando a minha família, correndo risco de vida pois sabemos estávamos e continuamos incomodando muita gente poderosa, lutando por essa causa que não é só minha e sim de todos cacauicultores cidadãos e cidadãs da região cacaueira, passando informações, fazendo também pesquisas e passando para Dílson “coar” o que servia ao documentário, sofri e continuo sofrendo com a pobreza de espírito de colegas e vizinhos cacauicultores gananciosos e mal caráter, que de um lado me cobram por uma cerca de divisa da qual fui eu que construir 90% com estacas, arame e mão de obra minha, ainda tendo parte desmanchada e colocada em outro local por um vizinho que mesmo vendo mapa da área que é medida e titulada desde 1927,ele acha que a divisa é onde ele acha que é, se furtando de junto a mim, contratar um topógrafo para sanar a dúvida.
Esse mesmo vizinho que atualmente já gastei mais de R$2000.00 reais refazendo e retocando minha divisa com ele, sem ao menos lhes pedir um grampo de cerca sequer para me poupar do mau estar de uma prosa ruim, prende meus animais que passam para o lada dele pois gente que vem de lá arromba a cerca ou o cadeado da cancela que coloquei para evitar passagem dos animais e mesmo assim ele em vez de fazer uma pequena parte de cerca que resta,impedindo assim que os animais dele saia e os meus entrem, prefere prender meus animais para criar conflito,e me tirar da concentração da divulgação do documentário, quando em tempos passados os animais dele viviam lá na minha fazenda durante meses.´
Por outro lado, outro vizinho, entra numa área minha de 70 ha, com um mandato de manutenção de posse emitida pela justiça comum de uma área que ele nunca teve posse que esta em Juízo pela justiça do trabalho, onde um oficial de justiça que entrou nessa função através de concurso público como portador de deficiência física das pernas, circulou mais de 200 campos de futebol com intuito de fazer reconhecimento da área inteira, (deveria sim era ser patrocinado para ser campeão das paraolimpíadas olímpicas), segundo ele para encontrarmos a área ideal a ser desmembrada, só que no dia em que o reclamante “cismou” que a área ele escolhia naquele momento sem a presença do oficial, era a que ele queria ter para si, sem o meu consentimento, que logo sem a minha concordância o oficial “atleta olímpico” deu posse ao reclamante dessa tal área, sem estar ele próprio presente à medição total da mesma num local onde no passado esse mesmo oficial alugou pastagem para pastoreio do seu gado ou da mãe dele, segundo disse o próprio.
Além desses absurdos, a área que foi adjudicada foi área de cacau e não de capim como foi feito uma área de capim, quando na carta de adjudicação, onde também não houve uma ação demarcatória. Logo após o “bote” o reclamante vendeu provavelmente em procuração, essa área para um vizinho que é prefeito de uma prefeitura que é citada pela polícia Federal e CGU como uma das mais corruptas do país, onde essa prefeitura já ousou até falsificar o diário oficial da UNIÃO, onde esse mesmo prefeito teve seus bens bloqueados pelo Ministério Público. Como se não bastasse, o irmão desse prefeito corrupto invadiu com água de uma lagoa, uma área de baixada grande, de propriedade da minha mãe onde já morreram 99 pés de cacau e mesmo com queixa minha prestada em delegacia, esse “dono do mundo” faz vista grossa, como se eu e minha mãe nem existíssemos. Esse último citado, num dos meus protestos em 1997, teve a cara de pau de parar seu carro junto a mim, junto a mim, para charlar do meu protesto em prol do cacau, e saiu correndo sem ouvir a resposta, como é de praxe esse tipo de atitude de pessoas covardes. Se são meus próprios colegas que me atacam como raposas que furtam galinhas quando o dono do galinheiro sai de casa, que mais esperar de uma classe onde essa mesma classe de colegas e vizinhança é composta na sua maioria de homens boçais e covardes.Vai ver até que os terroristas estavam certos ao menos no sentimento de repudia a esses tipos nojentos.
Não digo que vou abandonar a divulgação do documentário, mesmo porque, cada vez que assisto junto a público direcionado e depois fazemos uma discussão sobre o tema com perguntas e respostas é como se estivesse passando aos terroristas e aos abestados cacauicultores covardes (Salvo o grupo que nunca fugiu à luta, que sabemos os nomes e a quem tenho total respeito) e que são muito poucos, passo o recado de que eles não enganaram a todos e nos não deixamos a história ser enganada. Porém, no mais, fica aqui a sugestão de uma festa comemorativa da nossa própria desgraça, imitando a festa de Blumenau. Mais uma festa para bebermos cachaça, da mais barata claro, pois não temos dinheiro para chope e cerveja, então será à base de corote, fofa-toba e fôia- pôde, a festa poderá ser chamada BUNDA MOLES FEST, para assim de uma vez por todas assumirmos que somos um MONTE DE BUNDA MOLES decadentes, ou o que somos de fato o que de resto restaria aos urubus”.
Dorcas, Guimarães é produtor rural no Sul da Bahia















Claro que é uma provocação, mas este produtor está absolutamente correto!
Esta região parece morta. O crime da vassoura-de-bruxa produziu muito mais danos aqui do que o Mensalão. E, o pior, aqui não se vê sequer manifestações de indignação. Será que só os gays fazem passeata em Ilhéus? Pobreza, miséria, crime, descaso governamental, nada disso tem importância???
Triste Sul da Bahia.
O seu desabafo é estarrecedor. Mas o pior que é verdade. Não se discute as causas e as consequencias da crise. O que se afirma sem funamentação e em todas as esferas é que o cacauicultor é o culpado por tudo. Só que o cacauicultor, com poucas excessões, se enclausurou.Deixou de exercer, se é que já execeu algum tempo, os seus direitos democráticos.Não criou uma forte representação política a nivel local e regional…. As suas instituições, salvo algumas delas, são frágeis,indolentes, incompetentes e sem compromisso com a classe produtora de cacau.
pergunto a esse Valter Nascimento… De quem é a culpa então? do governo?! da “bruxa”, dos bancos, ou uma eventualidade?!