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livros do thame




Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

julho 2011
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Terra da indiferença sem fim

Itabuna, minha terra meu desterro

      A Fundação Cultural de Ilhéus, em parceria com instituições públicas e privadas, está se mobilizando para comemorar em 2012 os 100 anos de nascimento de Jorge Amado, um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos.

            O projeto inclui a realização de palestras, oficinas de leitura, seminários, peças de teatro, produção de documentários e a completa revitalização da casa onde Jorge Amado morou na infância e juventude e escreveu seu primeiro romance, “O País do Carnaval”. O local deverá ser transformado num museu multimídia, com acesso digital a fotos e obras do escritor.

            A homenagem dos ilheenses faz justiça um escritor que levou Ilhéus e a Região Cacaueira para os quatro cantos do planeta, com uma obra centrada basicamente no cacau.

A cidade onde o Jorge Amado passou parte da infância e da adolescência foi cenário para obras primas como Terras do Sem Fim, Gabriela Cravo e Canela e Tocaia Grande, entre outros, que foram traduzidos para dezenas de idiomas e até hoje atraem as atenções para a Região Cacaueira, especialmente para Ilhéus.

            O potencial turístico e cultural que o nome de Jorge Amado representa ainda não foi devidamente explorado, mas ao menos a cidade se esforça para manter viva a memória do escritor e promove a permanente divulgação de sua obra.

            Ilhéus e Jorge Amado parecem nomes indissociáveis, tão ligados que estão entre si.

            Enquanto isso, na cidade onde Jorge Amado nasceu, a memória do escritor é solenemente ignorada.

            Itabuna foi o berço de Jorge Amado, mas isso parece ter pouca ou nenhuma importância. Tentativas esporádicas de resgatar a memória do escritor não têm obtido resultados práticos. Justiça se faça: o problema não é apenas das autoridades: ao contrário dos ilheenses, os itabunenses não estão nem aí para Jorge Amado.

            Diz a lenda que Amado sempre se identificou mais com Ilhéus, sempre esnobou Itabuna.

            Só no final da vida, quando completou 80 anos é que, numa célebre entrevista à TV Cabrália, ele assumiu, sem tergiversar, que havia nascido em Itabuna. Até então, quando perguntando sobre o assunto, respondia com evasivas do tipo “sou um menino grapiuna”.

            Mas, nem isso justifica a omissão, o descaso com que Itabuna trata seu filho mais ilustre.

            Jorge Amado é um patrimônio do Sul da Bahia, um ícone da literatura mundial.

            Um nome a ser saudado, lembrado, venerado.

            Por enquanto, esse é um mérito a ser reconhecido nos ilheenses.

            Os itabunenses ainda têm esse débito com Jorge, amado em Ilhéus, ignorado por aqui.

            O centenário do nascimento de Jorge Amado é uma excelente oportunidade de resgatar essa dívida.

            Ainda há tempo para isso.

            O que falta é interesse, vontade, compromisso com a própria história da cidade.

            Se não houver amor, porque isso não se impõe, que haja pelo menos reconhecimento a Jorge Amado.

1 resposta para “Terra da indiferença sem fim”

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