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Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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:: 8/jul/2010 . 17:02

Apertem as vuvuzelas, o futebol sumiu


Apesar da contagiante alegria dos africanos, com suas vuvuzelas ensurdecedoras, a Copa do Mundo chega ao final com aquele travo amargo, pelo menos para os amantes do futebol.

E futebol foi justamente o que faltou nessa enxurrada de jogos, alguns deles verdadeiros desfiles de pernas de pau, em estádios de sonho e gramados de fantasia. Mas, sonho e fantasia fazem parte de um estilo de jogo que não existe mais.

Seleções tradicionais como França, Itália, Brasil, Argentina e Inglaterra ficaram pelo meio do caminho, as duas primeiras como lanternas de seus grupos na fase inicial.

Craques que poderiam brilhar e fazer a diferença como Messi, Kaká e Cristiano Ronaldo não brilharam nem fizeram a diferença. Messi ainda teve um brilharecozinho, mas nada que lembrasse o gênio estelar do Barcelona.

Os raros bons momentos da Copa foram proporcionados pela Argentina e, mais do que todos, pela Alemanha, que fez pelo menos dois grandes jogos, goleando argentinos e ingleses.

Os germânicos parece que gastaram o estoque de truques nesses dois jogos. Contra a Espanha, a Alemanha foi um time comum, burocrático e sem inspiração.

E assim, Espanha e Holanda decidem a Copa de 2010, um deles integrando-se ao seleto clube dos campeões mundiais.

Espanha e Holanda que são a síntese do futebol atual: muita marcação, meio de campo congestionado e poucos gols.

Nem espanhóis nem holandeses fizeram um mísero jogo de encher os olhos nessa Copa.

A Espanha estreou perdendo da Suíça por 1×0 e se algum mérito teve foi o de não amarelar. Ganhou a duras penas de Honduras e do Chile, suou para passar por Portugal nas oitavas de final e suou mais ainda para superar o Paraguai nas quartas de final. Tudo na base do 1×0 ou 2×1. Contra a Alemanha, mais um magro 1×0, suficiente para levá-la à decisão.

A Holanda, marcada por jogar sempre bonito e não ganhar nada, resolveu que era a hora de jogar feio e ganhar alguma coisa. Estreou com um insosso 2×0 na Dinamarca, fez outro insosso 1×0 no Japão e um 2×1 sem graça em Camarões. Nas oitavas despachou o Brasil porque o Brasil inacreditavelmente tremeu e nas quartas de final penou pra bater o esforçado Uruguai por 3×2. Disputa sua terceira final de Copa do Mundo, pela primeira vez sem despertar suspiros de admiração.

Holanda e Espanha farão uma final que é a síntese do futebol atual: pragmático e sem arte, na base do ´defende como pode e ataca quando dá´.

Não há favorito, mas de antemão, já há um perdedor: o futebol. Ou pelo menos aquilo que nos tempos de antanho se entendia por futebol.

São três pra lá, três pra cá


A eliminação do Brasil na Copa do Mundo antecipou em uma semana o início da campanha eleitoral, que oficialmente começou na terça-feira, mas certamente iria esperar mais um pouco caso o time de Dunga fosse à decisão e faturasse o hexa.

Dunga já é carta fora do baralho, nem Branca de Neve quer saber do seu notório mau humor e a sucessão entra na ordem do dia, no Brasil e na Bahia.

Embora haja uma profusão de candidatos a presidente da República e a governador da Bahia, na prática a eleição é uma espécie de ´três pra lá, três pra cá´.

Na eleição presidencial, Dilma Roussef (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) são os candidatos com chances de vitória, embora a princípio a disputa pareça estar limitada à petista e ao tucano, que de acordo com as pesquisas de intenção de votos aparecem rigorosamente empatados.

Mas, assim como o futebol, a política às vezes também é uma caixinha de surpresas, daí que Marina não pode ser descartada.

Dilma Roussef vem no embalo da estratosférica popularidade do presidente Lula e, embora lhe falte carisma, tem a seu favor os resultados positivos -e reconhecidos pela população- do governo que ela representa. Está no jogo e em condições de ganhar.

Carisma, aliás, também não é o forte de Serra, que vai tentar convencer o eleitor usando como trunfo a experiência como ministro, prefeito e governador de São Paulo, entre outros cargos. Deve protagonizar com Dilma (caso Marina não decole) uma disputa para testar quem tem problemas cardíacos.

Na Bahia, a disputa também estará limitada a três candidatos: o atual governador Jaques Wagner, do PT, Paulo Souto, do DEM e Geddel Vieira Lima, do PMDB.

Pesquisas recentes apontam uma vantagem de Wagner, com Souto em segundo e Geddel tentando romper a barreira dos dois dígitos, o que significa passar dos 10% nas intenções de voto.

Wagner, que inegavelmente promoveu avanços significativos na Bahia, pleiteia um novo mandato, para consolidar e ampliar o trabalho realizado nesses quatro anos.

Paulo Souto, agora sem as bênçãos de seu mentor e protetor ACM, tentar juntar os cacos do carlismo e vai apostar na tese do ´era bom e a gente não sabia´. Difícil vai ser convencer as pessoas de que era bom viver num estado com alguns dos piores indicadores sociais do país e onde as oportunidades se limitavam aos amigos e aos protegidos do rei.

Geddel, escudado na estrutura do PMDB e num apetite voraz para fazer política, vai se oferecer como contraponto à Wagner e Souto, em nome de uma pretensa renovação. Não é, decididamente, alguém a ser desprezado, até porque pode ser o fiel da balança num hipotético segundo turno.

Três pra lá, três pra cá, a sorte está lançada.

Quem tremer ou perder a cabeça no meio da disputa, feito aquele time amarelão de Dunga, levará um implacável cartão vermelho do torcedor/eleitor.





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