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Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

fevereiro 2010
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POLÍTICA TAMBÉM É CULTURA


Um político que estava em plena campanha chegou a uma cidadezinha, subiu em um caixote e começou seu discurso:

– Compatriotas, companheiros, amigos! Nos encontramos aqui convocados, reunidos ou ajuntados para debater, tratar ou discutir um tópico, tema ou assunto, o qual é transcendente, importante ou de vida ou morte. O tópico, tema ou assunto que hoje nos convoca, reúne ou ajunta, é minha postulação, aspiração ou candidatura à Prefeitura deste Município.

De repente, uma pessoa do público pergunta:
– Escute aqui, por que o senhor utiliza sempre três palavras para dizer a mesma coisa?

O candidato responde:
– Pois veja, meu senhor: A primeira palavra é para pessoas com nível cultural muito alto, como poetas, escritores, filósofos etc. A segunda é para pessoas com um nível cultural médio como o senhor e a maioria dos que estão aqui. E a terceira palavra é para pessoas que têm um nível cultural muito baixo, pelo chão, digamos, como aquele bêbado ali jogado na esquina.

De imediato, o bêbado se levanta cambaleando e responde:
– Senhor postulante, aspirante ou candidato! (hic) O fato, circunstância ou razão de que me encontre (hic) em um estado etílico, bêbado ou mamado (hic) não implica, significa, ou quer dizer que meu nível (hic) cultural seja ínfimo, baixo ou ralé mesmo (hic). E com todo o respeito, estima ou carinho que o Sr. merece (hic) pode ir agrupando, reunindo ou ajuntando (hic), seus pertences, coisas ou bagulhos (hic) e encaminhar-se, dirigir-se ou ir diretinho (hic) à leviana da sua genitora, à mundana de sua mãe biológica ou à puta que o pariu!


A morte, especialmente a morte trágica, tem o dom de sepultar junto com o corpo físico os defeitos de algumas pessoas.

É como se a dor do instante final tivesse uma espécie de condão redentor, capaz de transformar em pó maldades e pecados cometidos em vida.

Esse não era -e pode-se afirmar aqui com absoluta certeza- de Eliane Almeida de Oliveira, a Liu.

Liu era essencialmente uma pessoa boa, batalhadora, que irradiava simpatia e que ajudava, sem esperar nada em troca, as pessoas que enfrentavam dificuldades.

Era, enfim, uma mulher a quem os parentes e amigos admiravam e sentiam-se felizes quando desfrutavam de sua presença.

Uma pessoa que, boa como era, merecia encontrar a felicidade depois de dois relacionamentos infelizes.

E que, ao cruzar com o que parecia a felicidade tão ansiada e merecida, trombou com a tragédia.

O anjo que Eliane imaginou ter encontrado, escondia sob os gestos corteses e o sorriso fácil, a face do lobo devorador.

Quando Eliane passou a namorar com Francisco Paulo Lins da Silva, o Chico, imaginou ter encontrado o amor eterno.

Foi eterno, enquanto durou.

E quando acabou, o anjo que Eliane imaginou ter encontrado, escondia sob os gestos corteses e o sorriso fácil, a face do lobo devorador.

Eliane foi assassinada com um tiro na cabeça, num crime que chocou Itabuna e desde então mobiliza uma cidade inteira, na busca por justiça.

Chico, de quem Eliane estava havia separado-se poucas semanas antes de morrer, é o principal suspeito do crime, está foragido e com a prisão preventiva decretada.

Além de morte de Eliane, é acusado de homicídios em São Paulo e Goiânia.

Eliane provavelmente não sabia disso e pagou com a vida pela cegueira que é um subproduto do amor e, se sabia, entrou em cena um outro subproduto do amor, a compaixão, a quem os enlevados costumam atribuir dons como transformar demônios em anjos.

O fato é que Chico não agiu num impulso de raiva repentina, o que nem assim minimizaria a brutalidade que cometeu.

Evidência disso é que, coisa que nunca fazia, locou um carro e foi buscar Eliane em Itapetinga, onde ela estava trabalhando, para trazê-la a Itabuna. E mais, aceitou que Eliane, em outro gesto de bondade cega, o ajudasse a procurar uma casa para onde ele mudaria. Chegou a sair com familiares dela na véspera do crime, numa encenação do seu melhor papel de companheiro. Ali, é muito provável que já tinha em mente o que pretendia fazer.

E fez, para então desaparecer e, quem sabe, reaparecer em outro local, a espera de uma nova presa para devorar.

Fazer Justiça, através da prisão e do julgamento de Francisco, é o mínimo que se pode esperar.

Em nome da memória de Eliane, esse sim um anjo bom, de quem restou um exemplo de vida e uma imensa saudade que a impunidade faz doer ainda mais em todos os que com ela conviveram,

Fator Dilma? Não, fator Lula!


Duas pesquisas de intenção de voto para a sucessão presidencial revelam uma mudança substancial no quadro que se verificava até o ano passado, em que José Serra, do PSDB, aparecia como favorito disparado, com chances de liquidar a fatura já no primeiro turno.

A julgar pelo que demonstram as recentes pesquisas do Vox Populi e da CNT/Sensus, esse favoritismo do tucano não virou a folhinha de 2009 e foi pulverizado logo no primeiro mês de 2010.

Dilma Roussef, a ministra da Casa Civil que comanda o Plano de Aceleração do Crescimento e cuja candidatura chegou a ser questionada por setores do próprio PT, ganhou musculatura e já se mostra em condições não apenas de disputar, mas de vencer a eleição.

Na pesquisa do Vox Populi, Dilma tirou uma expressiva diferença de 15 pontos de Serra em relação ao último levantamento. Serra aparece com 34% contra 27% de Dilma.

Na aferição da CNT/Sensus, Serra tem 33,2% e Dilma 27,8%. Pela margem de erro, o quadro é de empate técnico.

Notem que, apesar da metodologia diferente, os números do Vox Populi e do Sensus são quase idênticos.

Pesquisa é retrato do momento e, como bem sabem os candidatos, o que vale é voto na urna, além de que o quadro de hoje não será necessariamente o quadro de outubro de 2010, quando acontece a eleição.

Mas, a arrancada de Dilma, que nunca disputou uma eleição, mostra que haverá sim uma polarização entre Serra do PSDB e Dilma do PT, o que na prática é tudo o que deseja o presidente Lula, que do alto de seus quase 90% de aprovação popular, aposta justamente numa espécie de pleito plebiscitário, tipo 8 anos de FHC/PSDB x 8 anos de Lula/PT.

Um cenário em que Lula parece nadar de braçadas, visto que quando se afere uma comparação entre sua gestão e de seu antecessor, o quadro lhe é amplamente favorável.

Isso não significa, em absoluto, que Lula fará de Dilma sua sucessora. Fosse assim, diante da aprovação do presidente, ela teria bem mais do que os índices lhe conferem hoje nas pesquisas.

Por outro lado, também não significa que a transferência de votos será insuficiente para que Dilma vença a eleição. Até o momento, essa transferência se deu um ritmo crescente, a ponto de fazer a pré-candidata petista encostar tucano.

Se vai passar e vencer a eleição, só o tempo e as urnas dirão.

Por mais que uma parte considerável na mídia esconda as pesquisas ou faça mágica para mascarar o que os números explicitam, Dilma está no jogo.

O resultado da partida/eleição passa pelo técnico da jogadora/candidata do PT, que atende pelo nome de Luiz Inácio Lula da Silva.

O que, convenhamos, não é pouca coisa.

Na verdade, é muita coisa.

Futebol ao céu e à sombra dos cacaueiros


O escritor uruguaio Eduardo Galeano é conhecido pelo livro “As veias abertas da América Latina”, uma obra de antologia, admirada pela esquerda e defenestrada pela direita, que mostra como os países lutaram pela independência das potenciais européias da época, Portugal e Espanha, logo caíram na dependência das nações capitalistas, primeiro a Inglaterra e depois, para todo o sempre, os Estados Unidos.

Eduardo Galeano escreveu também uma obra bem menos conhecida, mas digna de seu talento literário: “Futebol ao Sol e à Sombra”, um delicioso passeio pela história do esporte mais popular do mundo.

Galeano sonhou em ser jogador de futebol, mas perna de pau irremediável (hoje isso nem seria empecilho, tantos são os pernas de pau maltratando a bola nos gramados), achou por bem homenagear o esporte através daquilo que sabe fazer esplendidamente.

“Futebol ao Céu a à Sombra”, além de passear pelas Copas do Mundo e pelos craques que elevaram o jogo à condição de arte, fala também da irracionalidade da paixão que move o torcedor, esse ser que transita do céu ao inferno em questão de segundos e em função de um gol ou uma jogada fortuita.

Uma paixão que cria anjos e demônios, que transforma anjos em demônios e demônios em anjos.

No futebol ao céu e à sombra dos cacaueiros, essa paixão foi explicitada nas últimas semanas, envolvendo os dois times do Sul do Estado que disputam o Campeonato Baiano.

Há dez dias, que passasse pela avenida do Cinqüentenário, veria no rosto dos torcedores do Itabuna aquele inconfundível semblante de felicidade, no olhares aquela expressão de que agora vai, de que o título baiano deste ano não escapa. Nada mais justo: o time azulino começou o Baianão com dois triunfos, um deles contra o poderoso Vitória.

E quem passasse pelo calçadão da Marques da Paranaguá veria no torcedor do Colo Colo a expressão do desanimo, a sensação de que o rebaixamento era uma ameaça real. Justo, também: o time começou o campeonato com duas derrotas, uma delas por 5×1 diante do Baianão.

O Itabuna estava nos céus, o Colo Colo no inferno.

Em menos de uma semana, o Itabuna sofreu duas derrotas, uma para arqui rival Colo Colo e uma enfiada de 3×0 do Bahia de Feira, em casa. Depois, perdeu pra o Conquista.

Nesse período, os torcedores do Colo Colo vislumbraram o retorno aos céus com a vitória sobre o Itabuna, mas desceram a escada das profundezas, após nova derrota, dessa vez para o Camaçari. Para completar, levou um sonoro 4×0 do Feirense.

O time com ganas de campeão virou, na visão do torcedor, um amontoado de mulambentos.

O time fadado a cair, confirmou o torcedor, só escapa por milagre.

Nada que uma ou duas vitórias não resolvam, porque nesse negócio de paixão, a razão passa bem longe dos estádios.

Para os técnicos Célio Costa, do Itabuna, Edu Lima, do Colo Colo, não haverá mais tempo.

Ambos perderam os empregos.

De bestiais, passaram a bestas, como dizem nossos irmãos portugueses.

Ao céu ou à sombra, a culpa é sempre do treinador.





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