:: dez/2008
BOICOTE NELES!
Na coluna de Maria Antonieta, Jornal Agora
A maneira como os supermercados daqui do eixo atendem os clientes deixa muito a desejar. Além de frios, são implacáveis no quesito filas, atendimento e informação. Funcionários malencarados, caixas sem preparo e filas intermináveis. Na hora da troca de algum produto é um Deus-nos-acuda. Em muitos deles, não há empacotadores. Querem que o cliente faça os pacotes como se funcionários das lojas fossem. Também aquelas filas dos cartões são um horror.
Fica-se em pé horas, porque o número de atendentes é mínimo.
Os idosos que se lixem. Too bad.
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Assino embaixo o que escreveu Tonet, com um adendo: a melhor maneira de combater isso é com o velho e bom boicote. Quando as pessoas deixarem de comprar nesses locais, o atendimento melhora, porque a única linguagem que eles entendem é a do lucro.
Santa Estupidez!
Quando a gente acha que não consegue se chocar com mais nada nesse país de dólares na cueca, policiais que deveriam proteger o cidadão e matam crianças indefesas, dinheiro da saúde e da educação desviado para vala insaciável da corrupção e quetais; eis que a televisão exibe cenas que chocam pela falta de escrúpulo e pela ausência total desse que é mais nobre dos sentimentos: a solidariedade.
As imagens de “voluntários” e de soldados do Exército desviando parte dos donativos enviados de todas as partes do Brasil para as vítimas das inundações que devastaram o Vale do Itajaí, em Santa Catarina, beiram o escárnio.
Voluntários foram flagrados colocando quantidades enormes de alimentos em carros particulares e saindo tranquilamente dos centros de triagem de donativos. Um deles tentou negar o inegável, mas diante da imagem em que aparecia desviando alimentos, disse que era para doar à sua mãe, recém-saída de uma cirurgia. A pobre coitada deve se envergonhar de um filho que usa seu nome de maneira de tão infame.
Uma mulher, em meio a sorrisos, chegou a comentar com outra que um par de tênis que ela pretendia levar para o filho estava soltando o solado. E, diante de tamanha oferta, optou por um modelo mais novo. Como se estivesse numa loja, fazendo a mais inocente das compras.
Situação não menos revoltante foi gerada por soldados do Exército, destacados para atuar na seleção dos donativos para encaminhamento aos flagelados. Depois de se deliciarem com as opções de tênis, camisetas, blusas e calças à disposição e fazerem brincadeiras sobre quem seria o “proprietário” de determinado produto, saíram com as mochilas cheias, como se acabassem de dividir um butim de guerra.
Como bem disse o comando do Exército, são casos isolados e os soldados serão exemplarmente punidos. É bom que seja assim, porque se aquilo que se viu em Santa Catarina for regra, Deus nos livre de uma guerra. Ou de uma catástrofe de proporções nacionais, tamanha a falta de preparo desses rapazes, que deveriam ser treinados para ajudar as pessoas num momento de infortúnio e não para rapiná-las.
O desvio dos donativos em Santa Catarina causa asco, mas não pode ser tratado como algo isolado, atípico.
Ele está inserido num contexto em que, muito por conta da roubalheira em alta escala, respaldado pela mais sublime impunidade, cria a sensação de que não há nada demais em cometer pequenos deslizes.
Seria mais ou menos como abraçar o senso comum de que se nossos políticos roubam sem a menor cerimônia e nada acontece com eles; pequenos gestos ilegais como sonegar impostos, fazer “gato” de água e energia elétrica, subornar o guarda de trânsito ou o fiscal de obras são pecadilhos menores.
Assim, torna-se natural para algumas pessoas se alistarem como voluntárias com o único objetivo de desviar roupas e alimentos, sem levar em conta que eles vão fazer falta -e muita- para os desafortunados que perderam tudo nas inundações e estão passando fome e frio.
Alguns quilos de alimentos, uns tênis e umas blusas usadas desviados podem parecer pouco ou nada na corrupção em larga escala, que estamos acostumados a presenciar diariamente.
Mas representam muito na medida em que demonstra que, contagiados por essa noção equivocada de que tudo é permitido e tolerado, até os mais simplórios dos cidadãos não se furtam de desviar donativos como se isso fosse a coisa mais natural do mundo. E que apenas deram o azar de serem flagrados por uma indiscreta câmera de televisão.
Decididamente, não é esse o Brasil que queremos.
Talvez seja o Brasil que estamos construindo. O que é pior, muito pior.
HOMEM-SAPATO
Se a moda pega no Brasil, os nossos políticos passarão a conceder entrevistas coletivas com vidros a prova de balas. Ou a prova de sapatos.
Mas, cá entre nós: eu quero ser goleiro do time que jogar contra esse repórter atuando de centro-avante.
Vá ser ruim de pontaria assim lá em Bagdá.
Fidel Castro, moribundo e tudo, se tivesse uma chance dessas acertaria pelo
menos uma sapatada na cara do Bush.
HOMEM-SAPATO
Se a moda pega no Brasil, os nossos políticos passarão a conceder entrevistas coletivas com vidros a prova de balas. Ou a prova de sapatos.
Mas, cá entre nós: eu quero ser goleiro do time que jogar contra esse repórter atuando de centro-avante.
Vá ser ruim de pontaria assim lá em Bagdá.
Fidel Castro, moribundo e tudo, se tivesse uma chance dessas acertaria pelo
menos uma sapatada na cara do Bush.
O despeito é uma m…
Entre as várias mensagens sacanas que recebo de amigos de São Paulo por conta do hexa/tri do melhor time do mundo (corintianos, palmeirenses e santistas, obviamente), essa é a mais –digamos- publicável.
Às demais, eu respondo com um repertório de palavrões tipicamente paulista, que nem os quase 25 anos de Itabuna me fizeram desaprender.
Todos devidamente patenteados pela VTNC Corporation, por ora a única patrocinadora oficial deste blog.
VENEZINHA DO SUL
DO SITE PIMENTA NA MUQUECA:
Itabuna e Ilhéus acumulam sérios problemas de infra-estrutura, que se agravam em épocas chuvosas, e afetam até as áreas centrais.
Assim foi no sábado, 9h da manhã. Vinte minutos de chuva e o calçadão da Marquês de Paranaguá, o principal endereço comercial de Ilhéus, ficou debaixo d´água.
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Onde os companheiros do Pimenta na Muqueca enxergam incompetência administrativa, esse blogueiro enxerga senso de oportunidade.
Com o dólar nas alturas, quem é que pode visitar Veneza com seus canais e seus alagamentos que encantam os turistas?
Em sendo assim, a Princesinha do Sul, com sua inegável vocação turística, se dispõe a se tornar a Venezinha do Sul.
Tudo bem que a Marquês de Paranaguá não é nenhuma Piazza San Marco, mas nada que a Gaga de Ilhéus aparecendo no You Tube em cima de uma gôndola cantando “il so-so-so-so-so-le sole mi-mi-mi-mi-mio” não resolva.
ET TRICOLOR

Itabuna, março de 1987. Recém chegado de Osasco, para aquilo que parecia ser um salto no escuro e que se revelou a decisão mais acertada da minha vida.
O São Paulo decidia o título do Campeonato Brasileiro de 1986 (que varou o ano e atravessou o verão) contra o Guarani, em Campinas. No primeiro jogo, no Morumbi, 1×1. Quem vencesse, levava o título.
Colado na televisão, assisti a um dos jogos mais eletrizantes da minha vida. O Guarani fez 1×0, o São Paulo empatou e o jogo foi para a prorrogação. O São Paulo fez 2×1, mas o Guarani virou para 3×2. No último minuto, a zaga tricolor deu um chutão para frente e Careca empatou.
A decisão foi para os pênaltis e Vagner Ribeiro acertou a ultima cobrança, a bola entrando chorada. São Paulo Campeão Brasileiro.
Já com a camisa do São Paulo, peguei a bandeira tricolor e sai pelas ruas da Mangabinha (bairro em que residia), imaginando encontrar uma legião de torcedores.
Nem cheguei à primeira esquina e me dei conta do ridículo. Não havia um único torcedor do São Paulo comemorando, além de mim. Me senti uma espécie de ET, numa terra onde aquela gloriosa camisa tricolor parecia vestimenta de outro planeta.
Só então percebi que a paixão dos grapiúnas era devotada ao Flamengo, ao Vasco e, em menor escala, ao Botafogo e Fluminense. A Região Cacaueira, com suas riquezas que pareciam não ter fim (mas que o tempo e a vassoura de bruxa trataram de mostrar que tinham) era uma espécie de enclave do Rio em plena Bahia.
Hoje, três Libertadores, três Mundiais e seis Brasileiros depois nem é preciso ligar a televisão quando o São Paulo ganha um título, tamanho o foguetório na cidade. Os torcedores do São Paulo, se ainda não rivalizam com os do Vasco e Flamengo, podem ser contados aos milhares.
Itabunense, com direito a cidadania concedida pela Câmara de Vereadores (por extrema generosidade de Ramiro Aquino) já não me sinto mais um ET tricolor.
Muito menos um forasteiro, nesta que também é minha terra.















