:: ‘Via Bahia’
A gente corre, a gente morre na BR-324; e a Via Bahia segue cobrando pedágio

José Carlos Teixeira
Há um crime
No longo asfalto dessa estrada
E uma notícia fabricada
Pro novo herói de cada mês”
(BR-3, de Antonio Adolfo e Tibério Gaspar)

José Carlos Teixeira
O palco parecia pequeno para aquele negro enorme que cantava e dançava, magnetizando a plateia que lotava o ginásio do Maracanãzinho onde se realizava a final da etapa nacional do 5º Festival Internacional da Canção Popular, promovido pela Rede Globo de Televisão no Rio de Janeiro e transmitido para todo o Brasil.
Tony Tornado, o negro cantor dançarino tinha 1,90 metro de altura, mas aparentava ser ainda mais alto por conta das botas que usava e lhe vinham até o joelho e da enorme e vistosa cabeleira black power que ostentava. Cabeleira tão grande não era muito comum no país naquele duro período do regime militar – a ditadura não se limitava a perseguir seus opositores, também reprimia modos e costumes que sugerissem desvio do que a ela seria a normalidade desejada.
Após o estranhamento inicial, o Maracanãzinho veio abaixo com a plateia acompanhando a performance de Tony Tornado e cantando junto com o Trio Ternura, que o acompanhava, o poderoso e grudento refrão da música: “A gente corre na BR-3 / A gente morre na BR-3”.
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