:: ‘Paulo Peixinho’
Manuel Leal

Paulo Peixinho
Lendo do amigo Ramiro Aquino, De Tabocas a Itabuna, 100 anos de Imprensa, lembrei de uma história. Essa aconteceu comigo. Antes, quero relembrar o profissionalismo, o faro, a valentia de Manuel Leal. Segundo Ramiro, Manuel, trafegava em uma linha tênue entre o santo e o demônio. O melhor jornalista que já existiu aqui.
Eram exatamente as oito da manhã, de um dia qualquer da semana, quando o gerente da empresa de cacau, da qual eu era o proprietário, telefona a minha casa e informa, que tinha sido “convidado” para ir à delegacia de furtos e roubo pelo novo Delegado. Eu afirmei que iria. Ele consultou o policial civil que disse: a mensagem é para o responsável pelas compras. Ele foi acompanhado do advogado e amigo.
Fui ao escritório esperar as notícias. Ao chegar o maior concorrente chegou para uma visita. Ingênuo imaginei que era uma cortesia, já que tinha inaugurado a empresa, e não teve coquetel de inauguração, seria apenas despesa, queria negociar meu próprio cacau e criar uma Associação de Produtores-Exportadores. O mundo do cacau no sul da Bahia tem sua própria cultura, eu estava aprendendo a conviver na sociedade grapiúna, tinha saído menino, e muitas vezes continuei menino. Tinha as vezes que inventar umas desculpas para as propostas escandalosas, dizendo tenho que consultar a diretoria, ou mesmo meu sócio suíço. Depois descobri que a visita era investigativa. O visitante poderoso já sabia de algo, inclusive o que um jornal tinha estampado da manchete.
Enquanto esperava, conversava com o poderoso, que era ansioso, cada ligação ele queria saber, antes que eu atendesse, quem era. Como tinha um terminal ligado com a Bolsa de Nova Iorque, muitos concorrentes, ligavam para saber a cotação em tempo real.
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