:: ‘Diários de Motocicleta’
O dia em que Che virou dono de uma loja de motos

Daniel Thame
No início dos anos 80, jornalista militante que sempre fui e sempre serei, decidi que era hora de dar uma lustrada ideológica nos alunos do Colégio Eraldo Tinoco, em Itabuna, onde cursavam o ensino médio adolescentes de bairros como São Caetano, Jardim Primavera, Jaçanã, Daniel Gomes e Pedro Jerónimo.
Pedi a minha companheira e professora Marilucia Bandeira para me convidar para exibir para os alunos o filme ‘Diários de Motocicleta’, que mostra as aventuras e desventuras de Ernesto Guevara pela América do Sul antes de se tornar o Che.
Sala lotada, coloco a fita (VHS, pra terem idéia de como sou um dinossauro), falo do filme e pergunto se alguém sabe do que se trata.
E não é que um menino responde: “ é sobre o dono de uma loja de motos”.
Isso porque naquele tempo não havia a nobre profissão de motoboy.
O fato e que com vinte minutos de projeção o desinteresse da turma era tão evidente que uma providencial travada na fita foi a senha para encerrar a exibição (ou seria a doutrinação?) antes que o imenso Che Guevara que tenho tatuado no braço rompesse a minha pele e fosse se abrigar em Sierra Maestra.
Hay que endurecer, pero neste dia a ternura foi a ‘la puta madre’ como dizem meus irmãos cubanos.
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