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Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

abril 2026
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:: ‘A Menina do Casaco Vermelho’

A Menina do Casaco Vermelho

Cleber Isaac Filho

 

Quando o gênio Spielberg produziu a “Lista de Schindler” em 1993, fez o filme em preto e branco.

Se fosse colorido, o filme nem poderia mostrar com realismo a violência dos campos de concentração; quando fuzilar de forma aleatória era algo corriqueiro.

O filme ia parecer um terror classe B; de tanto sangue vermelho escorrendo.

Dentro dessa escolha cromática, ele utilizou um recurso que gerou curiosidade; uma criança se destacava por ter seu casaco colorido em vermelho.

Sempre que ela aparecia em segundo plano destacava-se aquela criança ao fundo.

Não recordo quantas vezes ela apareceu; mas lembro da última; quando ela estava morta e foi chocante.

A genialidade foi conseguir driblar um fenômeno do cérebro humano; sua enorme capacidade de criar padrões e banalizar as imagens repetidas; em especial quando são padrões em grandes números.

É muito mais impactante você saber que seu vizinho foi atropelado; do que ler na internet que morreram 392 mil pessoas em acidentes de trânsito nos últimos 10 anos.

Uma morte emociona mais do que 392 mil se existe vínculo psicológico.

Assim Spielberg destacou uma criança; criou o vínculo com aquela pequena menininha do casaco vermelho; porque depois de uma hora de filme a morte não chocava tanto pela repetição; a repetição banaliza e esfria a pessoa.

Algo que pode ocorrer com as enchentes Rio Grande;  500 mil refugiados que saíram de suas casas; começam a ser apenas um número depois de  certo tempo.

O massacre midiático; milhares de postagens por whatsapp; twitter; Instagram; pode tirar seu senso de indignação e perplexidade.  Esse é o mesmo mecanismo natural que faz as pessoas em zonas de guerra não entrarem em choque.

Só existe uma forma de você permanecer indignado e não “coisificar” as pessoas; pensar em uma “menina do casaquinho vermelho” gaúcha.

Pode ser uma pessoa que você conhece e more lá ou algum dos milhares de dramas pessoais relatados.

Fica a seu critério; mas não se permita pelo excesso de informações;banalizar o genocídio climático que estamos vivendo.

Dedicado a meus amigos de Porto Alegre: @fatimajochims e @odilitacar

 

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