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Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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:: ‘488 anos’

Ilhéus 488 anos de resistência

XVIII Caminhada dos mártires 2018. Foto: Mateus Britto.

XVIII Caminhada dos mártires 2018. Foto: Mateus Britto.

 

Ilhéus, 28 de junho de 2022.

Aniversário da cidade.

 

Conta-nos certa historiografia que em 1536 foi fundada nestas terras a Vila São Jorge dos Ilhéos. “Jorge” é o nome do santo a quem resolveram homenagear em sua criação, Jorge da Capadócia, mas Jorge era também o fidalgo, Jorge de Figueiredo Correia, a quem o monarca dos invasores portugueses “doou” há 488 anos o território que compreendia 50 léguas costeiras com plena permissão para adentrar o continente. Esta mesma historiografia fala que o objetivo destas terras era servir o mercado europeu de açúcar e que esse empreendimento não obtivera o mesmo sucesso de outras capitanias como a da Bahia e a de Pernambuco. Culparam os povos indígenas pelo fiasco, povos que lutaram bravamente nesse território contra a expansão do domínio português; e é esse o espaço reservado para eles nessa concepção da história: o dos bárbaros que impedem o progresso ou o dos mansos desprovidos de vontade que simplesmente acatam as ordens vindas dos novos senhores destas terras.

Da descoberta da terra fértil, repleta de madeiras nobres e de caças, passando pelo deserto econômico que teria sido o ciclo do açúcar na capitania, esta historiografia dá um salto para o período do cacau, fruto que por fim viria a dar relevância produtiva à região. Dizem que foi por volta do século XVIII que as primeiras mudas foram plantadas na capitania, mas que só na segunda metade do século XIX a cultura passou a ser a maior fonte de renda para os latifundiários locais. Predominava no Brasil de sempre o modo de produção escravista, mas os trabalhadores e trabalhadoras submetidas a essa condição de trabalho não ocupam as áureas páginas do desenvolvimento da região, tendo a sua existência muitas vezes questionada – ou negada – pela historiografia que mencionamos.

Entendemos que essa narrativa foi construída com o fim de instaurar uma memória de passividade à classe trabalhadora, e que ela ainda é usada para impor um projeto de superexploração de trabalho, redução de direitos e de péssimas condições de vida para o nosso povo. E entendemos que é papel daqueles compromissados com a história e com a superação do atual estado de coisas apontar que a classe trabalhadora dessa região (a chamada cacaueira) não aceitou e não aceita passivamente esse projeto que tem como objetivo gerar riquezas para poucos a partir do trabalho de muitos.

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