ACM, LEAL E O CHEQUE PRÉ-DATADO

Inicio da década de 90. A pretexto de inaugurar novas salas de aula numa escola da rede estadual, Antonio Carlos Magalhães, o todo poderoso governador da Bahia, fez um ato público na praça Adami, centro de Itabuna.
Era só pretexto mesmo. O que ACM fez foi desancar, com a verborragia habitual, seu ex-aliado Manuel Leal, dono do jornal A Região, que lhe fazia ferrenha oposição.
Embora fosse à época o jornal de maior circulação no Sul da Bahia, A Região era tratada, bem ao estilo ACM, sem pão nem água pelo Governo do Estado. Publicidade zero.
Mas o caudilho queria mais. Depois de atacar Leal, que assistia tudo da sede do jornal, bem ao lado da praça, ACM falou sem rodeios:
-Quem for meu aliado, meu amigo, não anuncia nesse jornal de merda…
Dias depois, apareceu na sede do jornal um empresário com veleidades de entrar na política, para pagar um anuncio de sua loja.
E, para não deixar dúvidas, preencheu o cheque com data anterior ao discurso-ordem de ACM.
Manuel Leal, que não era Manuel Leal por acaso, não descontou o cheque. Durante muito tempo exibiu-o, aos risos, aos amigos, como exemplo da “coragem” de alguns de nossos concidadãos.
O jornal, apesar das bravatas de ACM, sobreviveu. O velho capo não teve a mesma sorte.
É Natal! E daí?
Um menino chamado Jesus passou pelo centro da cidade, entre calçadas, lojas e gente, muita gente.
Olhou vitrines, sonhou com brinquedos que provavelmente nunca terá.
Disputou restos de comida com cachorros em latas de lixo espalhadas pelas esquinas.
Dormiu sob marquises de lojas recém-inauguradas, com o luxo refletindo em seu corpo coberto com pedaços de jornais que anunciam aumentos absurdos para deputados, desvios de recursos da saúde e da educação e obras públicas que só existem no papel.
Um menino chamado Jesus pediu esmolas nas sinaleiras, uma camisa
velha nas casas de família.
Não pediu, porque já não espera receber, gestos de carinho e atenção.
O menino Jesus se contenta com uma roupa velha, um prato de comida.
Mas, quem é que tem tempo para esse menino chamado Jesus quando o Natal se aproxima?
É tempo de fazer compras, ainda que comprometendo boa parte do salário no crediário.
De trocar de carro, escolher a roupa da moda, se programar para as inúmeras festas de reveillon.
De preparar a ceia de Natal, farta, alegre, muitas vezes esbanjadora.
Tempo dos amigos secretos, das festinhas de confraternização, de exibir aquele companheirismo de fachada de apenas um dia, quando a regra é o individualismo de todos os dias do ano.
Não há mesmo tempo para dar atenção a um menino, mesmo que ele se chame Jesus.
Que ele se chamasse João, Paulo, Pedro, José. Pouco importa.
É apenas mais um menino perambulando pelas ruas, sem passado, sem presente. Provavelmente sem futuro.
É Natal.
Entre tantos compromissos sociais, presentes, projetos que nunca se concretizam para o ano que está chegando, não há tempo nem para um outro Menino, hoje não necessariamente a razão, mas apenas o pretexto para essa festança.
Um menino igualmente chamado Jesus, menos Divino e mais Humano, que viveu e morreu em nome de valores como igualdade, solidariedade, simplicidade.
O Jesus Menino e o menino chamado Jesus estão separados por quase dois milênios.
Ignorar as lições de do Jesus Menino explica a existência do menino chamado Jesus e de tantos e tantos outros meninos e meninas que perambulam pelas ruas.
Meninos e meninas, de todas os nomes, para quem não apenas Papai Noel mas também o Natal é apenas uma abstração em meio à fome e ao abandono.
As luzes de Natal lançam apenas sombras sobre uma realidade fingimos não ver, cegos que estamos pelo egoísmo.
É Natal.
E daí?
VASSOURA NO SHOPPING JEQUITIBÁ

Aviso à minha meia dúzia de quatro ou cinco leitores: o livro “Vassoura” já está sendo vendido na banca de jornais e revistas do Shopping Jequitibá, em Itabuna.
O preço é módico: 15 reais o exemplar.
Aproveito também para agradecer às empresas que adquiriram exemplares do livro, que já está na 2ª. Edição, para oferecerem de brinde de final de ano a seus amigos e clientes: FM Construtora/Residencial Parque das Flores, Tinnes Empreendimentos/ Condomínio Eco América, Hospital de Olhos Beira Rio e Amazon Bahia/Ilhéus.
MICOS NATALINOS

Com o calendário do futebol brasileiro interrompido para as férias dos jogadores e a necessidade de se manter o espaço destinado ao mais popular dos esportes no Brasil, vive-se a fase das especulações sobre contratações, o que nos tempos de antanho se chamava ´encher lingüiça´.
Pois, na produção de lingüiça em que se transformou o noticiário esportivo, nota-se que o velho e bom futebol é cada dia mais negócio e menos futebol.
Para isso, é só observar os nomes que estão sendo cogitados pelos grandes clubes.
Praticamente todos os holofotes estão iluminando Ronaldinho Gaúcho e Adriano, ferrenhamente disputados por times como Flamengo, Palmeiras, Santos, Corinthians e Grêmio.
Ora, ora, torcida brasileira, o que é que Ronaldinho e Adriano podem acrescentar a esses times?
Tecnicamente, pouca coisa.
Ronaldinho Gaúcho é reserva no time meia boca do Milan da Itália e quando entra em campo faz uma ou outra firula e mais nada. Nem de longe lembra aquele gênio que encantou o mundo com a camisa do Barcelona.
Adriano, com seus problemas existenciais, é reserva do time mais meia boca ainda da Roma e só jogou (ou entrou em campo) para valer numa partida do Campeonato Italiano. O ex-Imperador virou um súdito obscuro.
Ronaldino Gaúcho e Adriano, riquíssimos ao cruzarem a faixa dos 30 anos, preferem as baladas ao futebol.
Mas, ainda assim são disputados por grandes clubes brasileiros.
Dá para entender? Dá.
Mesmo na condição de ´ex-jogadores em atividade´, são ídolos, atraem torcedores e patrocinadores, ou seja, fazem dinheiro.
É isso o que parece interessar. Daí a disputa por eles, pelo menos aqui no Brasil, já que na Europa o caminho natural é um time de terceira linha num país periférico.
Ou a grana farta da Ásia e do Oriente Médio, onde são mais penduricalhos valiosos do que jogadores de futebol.
No Brasil do marketing, prática consagrada pelo Corinthians ao repatriar Ronaldo (esse pelo menos tem lampejos do Fenômeno que um dia foi), Ronaldinho Gaúcho e Adriano ainda valem ouro e estão sendo vendidos como presente de Natal aos torcedores.
Depois, quando passar o Ano Novo e a bola começar a rolar, não venham botar a culpa em Papai Noel…
BARCELONA, BARCELONA
Quando a gente acha que o futebol perdeu a graça, que é só negócio mesmo, aparece um Barcelona para resgatar a paixão pelo jogo.
O Barcelona é a poesia, a magia e o encanto de um tempo em que o cachorro não comia a lingüiça em que estava amarrado, enquanto a gente se deliciava com o futebol de verdade.
Uma obra de arte pra ser admirada a cada jogo/espetáculo.
CORREDOR POLONÊS

Durante a inauguração da primeira fábrica de chocolate da agricultura familiar do Brasil, em Ibicaraí, o governador da Bahia, Jaques Wagner, pode sentir o quanto é doce o sabor do poder.
Na hora de conhecer a fábrica, enfrentou até um ´corredor polonês´ de populares querendo abraçá-lo.
Sic transit gloria mundi, mas que faz bem, faz.
Blog globalizado é isso, faz citações até em chinês.
Eu sei que é latim, companheiros, foi só uma blague…
PAIXÃO PELO VERDE

Há mais do que caranguejos, guaiamuns e árvores de mata nativa nessa luta de alguns ambientalistas (apoiados agora por um grupo de fazendeiros) para evitar a implantação do Complexo Intermodal, que compreende a Ferrovia Oeste-Leste e o Porto Sul.
O jogo é pesado, bruto e envolve cifras siderais.
Olho aberto, pois!
E ASSIM SE PASSARAM OITO ANOS…
Em 2002, Lula participou do carnaval antecipado de Itabuna, a convite de seu amigo e então prefeito Geraldo Simões.
Na época, Lula se preparava para disputar sua quarta eleição presidencial, após três derrotas seguidas.
Mas, ali em meio à descontração, conversei com Lula sobre charutos cubanos e cachaça, preferências que compartilhamos.
Lula, sempre atencioso, tirou várias fotos e esbanjou simpatia.
Em 2010, reencontro Lula em Ilhéus, na assinatura da ordem de serviço para a construção da ferrovia Oeste-Leste.
Agora é o presidente mais popular da história do Brasil, que se despede do cargo após dois mandatos, coberto de glórias e do justo reconhecimento.
Com a credencial do Governo da Bahia, fico tão próximo que é tentador pedir pra tirar uma foto, mesmo com os seguranças olhando atravessado.
Me aproximo, peço pra tirar a foto e lembro e ele do carnaval de 2002. Lula diz que também se lembra e para pra tirar a foto que eu tanto queria, com aquela simpatia de quem não deixou que o poder subisse à cabeça.
É coisa de fã mesmo, reconheço.
Aí estão as fotos, ambas para a posteridade.
A fantástica fábrica de chocolate

A inauguração de uma fábrica de chocolate neste sábado em Ibicaraí tem um simbolismo que transcende o espaço físico do empreendimento.
Trata-se da primeira fábrica do país operada por agricultores familiares, que engloba toda a cadeia produtiva, do cultivo de cacau sem agrotóxicos, a seleção das melhores amêndoas, produção e a comercialização do chocolate.
A fábrica vai produzir chocolates finos, com até 70% de cacau, agregando valor e atendendo a uma demanda cada vez mais crescente no Brasil e no Exterior.
Com isso, os pequenos produtores, que tocarão a fábrica através de uma cooperativa, ganharão mais tanto pelo cacau (cerca de 50% acima dos preços de mercado), quanto pelo chocolate, que pode atingir valores que chegam a 200 reais o quilo.
A fábrica rompe, em nível de agricultura familiar, um ciclo que durante mais de um século foi seguido pelos médios e grandes produtores de cacau: o fornecimento de matéria prima para que empresários de outros estados (e outros países) ficassem com o filé do negócio que é a produção de chocolate.
Óbvio que uma fábrica com capacidade de para produzir 600 quilos de chocolate fino por dia não vai reverter essa realidade, mas caso a experiência seja bem sucedida, ela irá servir de estímulo à implantação de outras fábricas, fazendo com que o Sul da Bahia tenha uma participação expressiva numa área em que sua presença é quase nula, a despeito de algumas iniciativas isoladas.
Maior produtora de cacau do Brasil, com amêndoas de uma qualidade rara no planeta, a nossa região tem condições de se firmar como um pólo chocolateiro, ainda mais levando-se em conta o apelo mercadológico e ambiental da preservação da Mata Atlântica por conta da necessidade de sombreamento dos cacaueiros.
O binômio qualidade/sustentabilidade, aliado a um eficiente sistema de comercialização, poderá levar o chocolate fino produzido no Sul da Bahia a mercados do Brasil e do Exterior.
É essa fábrica, fruto da parceria entre o poder público e os agricultores familiares, quem poderá sinalizar um novo caminho para uma região que não pode mais se dar ao luxo de desprezar as potencialidades de um fruto que já foi considerado de ouro, mas que só brilha e gera lucros quando transformado num dos alimentos mais apreciados (e valorizados) do mundo.
Em pleno Natal, o velho e bom Papai Noel abre espaço para o igualmente simpático Coelhinho da Páscoa.
Fantasias à parte, que se descortine uma nova realidade para o Sul a Bahia, a partir da fantástica fábrica de chocolate.
Do outro lado do rio

Os moradores que vivem do lado do Rio Cachoeira em Itabuna que compreende bairros como Maria Pinheiro, Fonseca e Novo Fonseca, Pedro Jerônimo, Daniel Gomes, Zizo, São Pedro, São Judas, São Caetano, Sarinha, Novo São Caetano, Jaçanã, Jardim Primavera, Novo Jaçanã, Banco Raso, Vila Anália, Santa Clara e Gogó da Ema; tem bons motivos para sentirem-se mais seguros.
Desde que foi implantado pelo Governo da Bahia, em agosto deste ano, o Programa Ronda nos Bairros promoveu expressiva redução da violência, especialmente no que concerne ao número de homicídios.
Nessas áreas, o índice de assassinatos caiu cerca de 70%, o que é bastante significativo, e já não se nota a força da criminalidade, que na ausência do poder público fazia prevalecer a lei do silêncio e do terror, a ponto de em alguns bairros ser imposto um mal disfarçado toque de recolher a partir de determinada hora.
Essa realidade mudou substancialmente com a chegada do Ronda nos Bairros, com a intensificação do policiamento ostensivo e preventivo 24 horas por dia, além de promover a aproximação da polícia com a comunidade.
Em Itabuna, o programa envolve 75 policiais militares e quatro viaturas padronizadas, que foram distribuídas em quatro áreas delimitadas, num sistema de patrulhamento que atinge cerca de 70 mil pessoas, quase 1/3 da população itabunense.
Se é elogiável a execução do programa numa parte da cidade, é absolutamente imperioso que ele seja estendido para o outro lado do Rio Cachoeira.
Nessa área onde o Ronda nos Bairros não chegou e a presença da polícia ainda é incipiente, trava-se uma verdadeira guerra, motivada pelo tráfico de drogas, em que a violência cotidiana transforma os cidadãos de bem em reféns dos bandidos.
Em bairros como Corbiniano Freire, São Lourenço, Novo Horizonte, Nova Califórnia, Jorge Amado e parte do Santo Antonio, traficantes disputam território à bala e a droga gera subprodutos como assaltos, roubos, arrombamentos e ameaças aos moradores.
Ações emergenciais, como as que tiram de circulação alguns bandidos, são importantes, mas o que essas áreas desassistidas necessitam mesmo é da presença freqüente da polícia para inibir a bandidagem e reduzir a violência, já que eliminá-la por completo é uma missão impossível.
Que ao levar o Ronda dos Bairros para os demais bairros de Itabuna, o que pode ser feito já em 2011, se estabeleça uma ponte que una a cidade em torno de uma única palavra: a paz, que também pode ser traduzida por esse direito básico do cidadão chamado segurança.
LULA SAI PELA PORTA DA FRENTE

Pesquisa Ibope encomendada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgada nesta quinta-feira (16), em Brasília, mostra que o governo Lula encerra seu mandato com recorde de avaliação positiva: 80%. Na avaliação anterior, o percentual era de 77%.
A aprovação pessoal do presidente também apresentou recorde histórico, com 87% de aprovação – o maior desde 2003. Na pesquisa anterior, a avaliação pessoal positiva de Lula chegou a 85%.
Segundo a CNI/ Ibope, a avaliação positiva do presidente cresceu em todas as regiões do país: no Nordeste (de 92% para 95%), no Norte e Centro-Oeste (de 88% para 90%), Sudeste (de 81% para 85%) e Sul (de 78% para 80%).
Com relação à aprovação do governo, o Nordeste continua sendo a região com melhor avaliação: 86% da população considera o governo do petista como “bom” ou “ótimo”; seguido das regiões Norte e Centro-Oeste (81%); Sudeste (78%) e Sul (75%).
O índice de confiança na figura do presidente também teve elevação: de 81% contra 76% na pesquisa anterior de setembro.















