DUPLICAÇÃO JÁ!

A técnica de enfermagem Cláudia da Silva Borges, de 32 anos, que trabalhava na Santa Casa de Misericórdia de Itabuna, é a mais nova vítima dessa máquina de matar em que se transformaram as rodovias brasileiras.
É, igualmente, vítima de uma rodovia, a Ilhéus-Itabuna, que há muito ultrapassou sua capacidade de absorver um tráfego intenso entre as duas principais cidades sulbaianas.
Cláudia acabara de fazer compras num supermercado às margens da rodovia e voltava de Itabuna de moto, quando colidiu com um caminhão tanque. O impacto do choque foi tão forte que a frente do caminhão ficou danificada.
A técnica de enfermagem morreu antes de receber qualquer tipo de socorro e sua amiga, Maria Cristina Alves, de 32 anos, que viajava como carona na moto, sofreu fraturas no fêmur e na bacia.
A morte de Cláudia, bem como os inúmeros acidentes registrados na Ilhéus-Itabuna durante as festas de Ano Novo, chamam a atenção para a necessidade de duplicação da rodovia, uma reivindicação de mais de duas décadas e que só agora deve sair do campo vago das promessas.
É óbvio que não se pode atribuir os inúmeros acidentes da rodovia Ilhéus-Itabuna ao fato de ter uma única pista com mão dupla. Há o inquestionável fator imprudência, que pode ser notado ao longo da rodovia, em ultrapassagens irresponsáveis, excesso de velocidade, etc.
Mas é inegável que uma pista duplicada é muito mais segura, o que em absoluto prescinde de uma fiscalização, hoje inexistente, que puna com rigor os maus motoristas.
E a duplicação da rodovia Ilhéus-Itabuna se torna ainda mais premente na medida em que nos próximos anos o Sul da Bahia ganhará equipamentos importantes como o Porto Sul, a Ferrovia Oeste-Leste e a Zona de Processamento de Exportações, ampliando consideravelmente o volume de tráfego.
O governador Jaques Wagner já se comprometeu publicamente com a duplicação da rodovia Ilhéus-Itabuna e os recursos para a obra estão disponíveis no Plano de Aceleração do Crescimento.
A seu favor, ressalte-se que Wagner não é do tipo de político que promete o que não pode entregar, nem um vendedor de ilusões.
A duplicação efetivamente sairá.
O que se precisa é que sejam superados os entraves burocráticos, agilizados os processos legais (incluindo o imbróglio ambiental, essa quase paranóia) e que, finalmente, as máquinas comecem a transformar projeto em realidade.
Em nome de tantas vidas que podem ser poupadas, duplicação já!
CITY ANTI-TOUR

É inacreditável como, entra ano, sai ano, cidades do litoral Sul da Bahia, com algumas das praias mais belas do Brasil, não se preparam para receber os turistas que vem de todas as partes do país e do exterior.
Ilhéus, com potencial para se tornar um dos principais destinos turísticos do Nordeste, é um exemplo dessa incapacidade de transformar história, cultura e belezas naturais em atividades que gerem emprego e renda em larga escala.
Ao transito caótico e à coleta de lixo e o abastecimento de água deficientes, somam-se a exploração dos turistas nas barracas de praia e até a falta de alguns produtos em mercados e padarias. Neste último caso, é o medo de perder que impede o comerciante de ganhar mais.
E ainda há os que acreditam que por conta do turismo, Ilhéus e região podem abrir mão de empreendimentos como o Porto Sul e a Ferrovia Oeste-Leste.
Não houvesse aí um misto de ingenuidade, desconhecimento, má fé e interesse escuso, dir-se-ia que acreditam também em Papai Noel, coelhinho da páscoa, mula sem cabeça e cegonha.
PRIMEIRO DA FILA

Jaques Wagner, que já demonstrou prestígio ao promover na Bahia a ultima atividade oficial do presidente Lula fora de Brasília, com a inauguração de casas populares do programa Minha Casa Minha Vida; foi o primeiro governador a se reunir com a presidenta Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto.
O encontro aconteceu ontem (3) e Wagner conversou com Dilma sobre os projetos prioritários para a Bahia, como a construção do Porto Sul e a Ferrovia da Integração Oeste Leste. “Achei a presidenta Dilma muito tranquila, sorridente e segura de si. Quis saber da Bahia e dos projetos prioritários. Temos muita afinidade”, destacou o governador baiano. “Vou bater em todas as portas em busca de apoio e recursos para viabilizar os projetos para Bahia”,garantiu.
LULA

Nunca antes na história desse país um presidente que deixou o cargo foi merecedor de tanta (ou mais) atenção do que a presidente que estava assumindo.
Pois foi justamente o que aconteceu nessa já histórica cerimônia de posse em que Luiz Inácio Lula da Silva passou a faixa para Dilma Rousseff.
Dilma, a primeira mulher a assumir o cargo de presidente do Brasil, foi o centro da programação oficial, que incluiu a posse no Congresso Nacional e um desfile em carro aberto, na trégua dada pelo temporal, até o Palácio do Planalto, onde Lula a aguardava para, simbolicamente, entregar-lhe as chaves desse complexo país chamado Brasil.
Fora do mundo oficial, da rigidez do cerimonial, Lula reinou soberano, nos acenos para a multidão, nos aplausos e, faixa colocada no peito de Dilma, na descida da rampa do Palácio do Planalto para, literalmente, mergulhar nos braços do povo.
Encerravam-se ali os oito anos de mandato do mais querido de todos os presidentes brasileiros, o ex-metalúrgico e ex-líder sindical, que a despeito do preconceito de uma elite conservadora, fez o que efetivamente se esperava dele: trabalhar para melhorar a vida do povo, tirar milhões de pessoas da pobreza e fazer com que o orgulho de ser brasileiro não fosse apenas um slogan disparatado.
Reforçava-se, naquele imenso abraço coletivo, o mito que transcende ao cargo que ele tanto honrou.
O Brasil de Lula e de milhões de brasileiros que se enxergam nele, como exemplo de obstinação e superação, é indiscutivelmente um país melhor e menos desigual, a despeito de tantas carências e tanto ter a avançar para que atinja o patamar de nação desenvolvida.
Já não é mais o país do futuro distante, mas o país ao alcance das mãos.
Lula, ex-presidente, volta a ser um simples mortal.
Não, embora sem a liturgia do cargo, jamais será um simples mortal, imortal que é no coração da maioria dos brasileiros.
Dispensado o título de presidente, voltará a ser o Lula, que ele jamais deixou de ser, na simplicidade e na capacidade de falar a linguagem popular, de entender os anseios desse povo do qual ele brotou das entranhas.
Mais do que o Lula mito, o Lula filho do Brasil.
A MÚSICA (?) BAIANA VAI PARAR NA JUSTIÇA TRABALHISTA
Estava eu curtindo a virada de ano no paraíso que é a Península de Maraú, quando resolvi comprar umas latinhas de cerveja num mercadinho de Saquaira.
Ao passar em frente a um bar, tive mais uma vez a confirmação de que a musica baiana, que já nos deu João Gilberto, Caetano Veloso, Dorival Caymmi e Gilberto Gil e hoje nos brinda com Psirico, Parangolé e É o Tchan (sim, eles estão vivos!) é imbatível no quesito baixaria.
Quem acha que a tal “mainha, eu tô com um pepino, meu pepino é muito grande, você tem que resolver” (hit edipiano do momento) era o fundo do poço, ainda não ouviu o que eu ouvi. Mas vai ouvir, porque o lixo se alastra mais do que o mosquito da dengue…
Trata-se de uma música (?) em que a letra (?) diz mais ou menos o seguinte:
A moça trabalhava numa loja chamada B… (digamos que era uma loja de bolsas, para que se chegue mais facilmente ao nome em questão), sem carteira assinada. Quando perdeu o emprego e foi reclamar os direitos trabalhistas, o patrão fez graça:
-Mostre a sua moral, bote a B… no pau.
A rima já é medonha, mas tem mais. O refrão da música, repetido à exaustão, é
-Bote a B… no pau, bote a B… no pau, bote a B…no pau…
Enfim, o axé, o arrocha e seus derivativos são coisa de quem tem dois neurônios, sendo que um está permanentemente de férias e outro se encontra em sono profundo.
Em tempo: caso a moça resolva mesmo botar a B… no pau, do jeito que alguns juízes do trabalho produzem aquilo com que os bebês alimentam a indústria de fraldas descartáveis, vai acabar é tomando…
Melhor parar por aqui, antes que saia inspiração involuntária para outra música do gênero.
2011 abre as asas…
“Um menino resolveu testar a sabedoria do velho sábio.
-Vou colocar um pássaro numa das mãos, fechar, mostrar ao sábio e perguntar se está vivo ou está morto. Se ele disser que está vivo, aperto a mão e mato o pássaro, se ele disser que está morto, abro as mãos e solto, desmoralizando o sábio.
O menino se aproximou do sábio, que ao ouvir a pergunta respondeu sabiamente:
-Ele está do jeito que você quer que ele esteja”.
Que 2011 seja exatamente do jeito que a gente quer que ele seja.
Mais do que isso, que 2011 seja do jeito que a gente faça com que ele seja.
Porque a mídia pistoleira range os dentes…

A última edição da revista Veja, que ao fazer um balanço dos 8 anos do presidente Lula parece estar se referindo a um outro país numa outra galáxia, e as edições recentes do jornal Folha de São Paulo, criando factóides para minimizar um final de governo coberto de glórias, com expressivos indicadores econômicos sociais; dão bem o tom da postura daquilo que alguns chamam de Partido da Imprensa Golpista e que nas últimas eleições se revelou como Mídia Pistoleira, com seus petardos contra Lula, Dilma e o PT.
As explicações para esse ódio visceral da parte que ocupa o topo da pirâmide da mídia (Globo, Folha e Estadão), podem revelar um preconceito contra o operário semi-analfabeto que se transformou no maior presidente da história do Brasil.
Podem também revelar que essa parcela da mídia, extremamente conservadora e não raramente reacionária, não se conforma que a despeito de todo o seu suposto poder de fogo (em alguns momentos um fogo cujas labaredas atingiram níveis mercuriais), Lula se elegeu em 2002, se reelegeu em 2006 -depois de passar pelo inferno do superdimensionado mensalão- e em 2010 conseguiu a proeza de eleger a até então desconhecida Dilma Rousseff, enfrentando uma das campanhas mais sórdidas, nojentas e baixas da história recente do país.
Podem revelar, simplesmente, a ojeriza que esses senhores que se consideram donos daquilo que se convencionou chamar de opinião pública (mas que no mundo real são donos apenas da própria opinião) a um fato inegável: Lula democratizou a distribuição das verbas publicitárias do Governo Federal, pulverizando-a em veículos de comunicação de todo o Brasil.
Verbas que, sob os governos pré-Lula, eram extremamente concentradas na grande mídia.
Em seus dois mandatos, Lula ampliou de 499 para 8.094 o número de jornais, revistas, emissoras de radio e televisão, sites e outros meios de comunicação que recebem verbas de publicidade do governo. Até 2002, eram contemplados com a mídia oficial veículos de 182 municípios, número que saltou para 2.733.
A mídia, antes concentrada em tevê, rádio e jornal/revista se estendeu a portais de internet, cinemas, out-doors, painéis em espaços de grande circulação e até carros de som.
Traduzindo: com mais verbas publicitárias, os pequenos veículos investem em modernização e em bons profissionais e se fortalecem, possibilitando à população o acesso a novos canais de comunicação e fugindo da imposição da verdade quase absoluta que imperou durante décadas num sistema extremamente concentrado nas mãos de uma oligarquia midiática.
Mais do que verbas, a grande mídia -e é nisso que residem os temores e talvez seja isso que justifique parte desse rancor- perde o monopólio da comunicação, a exclusividade de determinar o que o certo e o que é errado, quem é bom e quem é ruim.
E isso não é ruim, é péssimo, para quem acreditou que não era apenas o quarto poder, mas às vezes o primeiro e único poder, a determinar os rumos de um governo ao sabor de seus interesses e dos interesses de seus aliados.
O ranger de dentes, a crítica incessante ainda que trombando com os fatos e as tentativas de desestabilizar o governo, certamente prosseguirá durante o governo de Dilma Roussef.
Mas, graças à democratização das comunicações, possibilitada entre outras coisas pela ampliação da distribuição das verbas de publicidade federais, essa mídia pistoleira continuará dando tiros a esmo.
Como se viu em 2010, a soma de pequenos Davis já tem força suficiente para fazer o gigante Golias engolir a própria voz.
“Mãinha, Papai Noel usa arco e flecha?”

Famílias que habitam áreas rurais em Ilhéus, Una, Buerarema, Pau Brasil e Itaju do Colônia atravessaram o Natal e aguardam o Ano Novo ansiosas.
Não, elas não esperam um Papai Noel tardio ou um anjo anunciando os augúrios de 2011.
O que elas esperam, na verdade o que elas temem, é que a qualquer momento tenham suas propriedades invadidas por indígenas ou supostos indígenas, e dali expulsas muitas vezes com extrema violência.
As invasões, que os índios chamam de retomada, se tornaram rotineiras a partir do momento em que a Funai aprovou um relatório que reconhece como pertencente aos tupinambás uma extensa área que compreende parte dos municípios de Ilhéus/Olivença, Una e Buerarema.
Embora o documento não tenha poder para criar a reserva indígena, serviu de pretexto para o início de uma série de invasões.
Como vão longe os tempos de ingenuidade, essas invasões se intensificam em períodos em que ninguém se atreve a criar polêmica, como as eleições, ou em que parece haver um vácuo, como as festas de Natal e Ano Novo, onde ocorre um natural relaxamento das atividades do poder executivo e do poder judiciário.
E, assim como ocorreu nas eleições, as invasões voltaram a ocorrer com maior freqüência neste período natalino.
Agora, elas não se limitam à área reivindicada pelos tupinambás. Há relatos de invasões de propriedades em Itaju do Colônia, que ao lado de Pau Brasil é palco de uma disputa histórica (e não raro sangrenta) entre índios pataxós hã hã hãe e fazendeiros por extensas áreas de terras.
Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, como diria o grande filósofo contemporâneo Tiririca.
Uma coisa é respeitar os direitos históricos dos índios, restituindo-lhes ao menos uma parte do que lhes foi espoliado durante séculos.
Outra coisa é expulsar pequenos produtores que ocupam legalmente suas terras e dali tiram o sustento, como se fossem usurpadores que efetivamente não são.
A omissão e autoridades que tentam se equilibrar no discurso politicamente correto e na reparação de injustiça -mesmo que à custa de outras injustiças- é o combustível que alimenta esse barril de pólvora de conseqüências mais do que previsíveis.
















