idoso 2Idosos, assistentes sociais e técnicos que trabalham com pessoas idosas de 34 municípios baianos participaram de uma videoconferência, nesta quarta-feira (15), Dia Mundial de Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa. O evento foi realizado pela Superintendência de Apoio e Defesa dos Direitos Humanos da Secretaria de Justiça Direitos Humanos e Desenvolvimento Social do Estado (SJDHDS) por meio da Coordenação de Articulação de Políticas para a Pessoa Idosa. A campanha educativa foi transmitida do idoso 1Instituto Anísio Teixeira (IAT), localizado na Avenida Paralela, em Salvador.

Participaram do debate o médico Lucas Kuhn Pereira Prado, membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), a superintendente de Apoio e Defesa aos Direitos Humanos, Anhamona de Brito, e a delegada de Atendimento ao Idoso de Secretaria de Segurança Pública (SSP), Laura Campo Argolo, além de representantes do Ministério Público

Patrulha do Bem, da Polícia Militar, promove arraiá para idosos do Lar FranciscanoNa foto: Raimundo Lopes Telles, residente no Lar FranciscanoFoto: Carol Garcia/GOVBA

Patrulha do Bem, da Polícia Militar, promove arraiá para idosos do Lar FranciscanoNa foto: Raimundo Lopes Telles, residente no Lar FranciscanoFoto: Carol Garcia/GOVBA

e outros órgãos. A aposentada Aldenir Cordeiro, do Centro Social Urbano Conviver, do bairro de Narandiba, tem 75 anos e disse que se sentiu representada durante as discussões. “Foi uma maravilha. Deste encontro pode sair um conjunto de ações para quem já tem a nossa idade ou mais”.

A coordenadora estadual da Política para a Pessoa Idosa, Marlúcia Alves Nunes, disse que desde 2004 o Estado da Bahia tem uma política estadual voltada para o segmento. “Em 2013 esta política foi reeditada e nós estamos em processo de regulamentação. A política para pessoa idosa é transversal. As demandas perpassam por diversas secretarias – Educação, Saúde, Direitos Humanos, Saúde, Segurança Pública – e cada uma precisa ter o conhecimento do seu papel. O Governo do Estado precisa fazer o seu papel de monitoramento dessas ações.

Conselhos municipais

Marlúcia afirmou que o assunto do dia foi específico – a violência contra o idoso – e que para o enfrentamento do problema é preciso que todos os municípios tenham Conselho Municipal da Pessoa Idosa. “Isso ainda é um problema, nós temos pouco mais de 70. Esse conselho é o ponto inicial para o desenvolvimento da política nos municípios. E essa ação de hoje foi muito positiva porque suscita o debate. As pessoas saem da zona de conforto para pensar nessa realidade e nós vamos construir juntos as estratégias e ações, que são de responsabilidade da família, da sociedade e do poder público”.

De acordo com Anhamona de Brito, o Governo da Bahia, por meio da SJDHDS, busca ser o principal articulador de uma rede para enfrentamento da violência contra a pessoa idosa. “Nós fomentamos o desenvolvimento de políticas públicas, dando apoio aos municípios para que atuem de forma específica. Fazemos o repasse de recursos para o cofinanciamento da assistência. Além disso, precisamos garantir uma articulação entre as instituições do sistema de Justiça – Ministério Público, Defensoria Pública e Tribunal de Justiça – para que estes casos de violência contra a pessoa idosa não fique sem atendimento e sem responsabilização das pessoas que comentem essas práticas”, explicou.

Parcela estratégica da população

Para Anhamona, os idosos são uma parcela estratégica da população. “A sociedade brasileira caminha para o envelhecimento. Se hoje nós temos 25% da população nessa condição, há dados que apontam que em 2050 teremos um total de 48% da sociedade nessa esfera. Então, a sociedade precisa se mobilizar e as instituições agir para atender essas pessoas. A gente sabe que as pessoas idosas, com suas aposentadorias, são muitas vezes as chefes de famílias e, por conta de preconceito, as famílias e toda a sociedade acabam deixando de lado o atendimento e o acolhimento a essas pessoas”, ressaltou.

Lucas Kuhn destaca que a violência física existe, deixa lesões e traumas, e devem ser denunciadas, mas é importante registrar que a maioria dos maus tratos e abusos acontece em outros aspectos, como no financeiro e no psicológico. “Para se identificar os tipos de violência é preciso prestar atenção na mudança no comportamento do idoso, na depressão, retraimento, desnutrição, más condições de higiene. A negligência é um mau trato que ocupa 76,3% dos registros”, afirmou. Para o geriatra, o papel da sociedade é participar dos órgãos competentes e fomentar a formação de profissionais da área – gerontólogos, geriatras, cuidadores.